Capítulo 19. Terrores Noturnos

" Os gritos do lugar impediam o seu sono e ele se revirava em seu leito, sem conseguir dormir. Levantou-se e saiu pelos corredores em direção aos escravos, para tentar bloquear aqueles sons irritantes. Ele não conseguia evitar que a maioria de seus companheiros, agredissem, estuprassem e torturassem as crianças, fazendo-as gritar tanto.

Estava tão furioso, que poderia cometer uma atrocidade contra seus próprios amigos, mas quando chegou ao local, algo dentro dele tremelicou. Ele sabia muito bem o que era aquilo, pois ouviu muitas vezes falar, que quando encontrasse sua companheira, seu corpo daria o sinal. 

Com os lobisomens era muito mais fácil, eles sentiam o aroma de suas companheiras, que era único para eles e logo a identificavam, mas para os bruxos, era diferente. Eles sentiam borboletas no estômago e só tinham a certeza, quando tocavam ou experimentavam a saliva de suas destinadas.

Entrando no recinto, ele fez um gesto com a varinha em sua mão e paralisou todos. Era um bruxo muito bem instruído e sabia mais feitiços que todos os outros, seguiu por entre os corpos paralisados e localizou a pessoa que lhe causava tanto desconforto nas entranhas. Tirou-a do local e quando já estava no corredor, voltou com sua varinha e fez outro feitiço, liberando os movimentos, mas tornando todos os seus companheiros impotentes, pelo menos por aquela noite.

Infelizmente não podia impedir aquela barbárie, pois era exigência dos magos, que procriassem o máximo possível, para que não faltasse alimento para o prisioneiro e também para eles próprios. Os magos também passaram a se alimentar de sangue e os únicos alimentos que conseguiam trazer, provinha da floresta e era muito difícil de transportar.

Com o tempo, os humanos escravizados, que faziam isso, envelheceram e se tornaram incapazes de qualquer coisa. O primeiro mago que comandava, foi quem instituiu o canibalismo, sem contar a ninguém, transformou o corpo dos idosos em alimento e com o passar do tempo, a escassez aumentou e ficou cada vez mais escassa a alimentação. Por isso tinham a necessidade de que houvesse mais nascimentos.   

Seguiu para o seu quarto, pondo a menina de pé e fazendo-a acompanhá-lo.

— Onde tá me levando, bruxo?

— Vou cuidar de você, ninguém nunca mais vai te fazer mal.

— Por quê você tá fazendo isso?

— Você ainda é muito nova para entender, mas um dia descobrirá.

— Tá bom. Não vai me fazer chorar, né, bruxo?

— Não querida, não vou. Você é única e preciosa para mim. "

Danton acordou do sonho de lembranças, ofegante e suado. Queria esquecer tudo aquilo, mas era impossível, pois em meio das atrocidades e dores contínuas, encontrou sua companheira. Foi correto com ela, esperando ela crescer e estar pronta para ele e só depois, tomou-a para si, com carinho e reverência e eles se amaram e tiveram vários filhos, que agora estavam com ele.

A desnutrição causou sua morte, após o parto de seus gêmeos e a necessidade de alimento, não poupou nem seus filhos de terem que dar seu sangue. Por isso deu um jeito, sem que ninguém percebesse, de ajudá-los a fugir. Trash não sabia que era filho de um bruxo conhecido dele, com uma descendente distante de vampiros e possuía em si, o genes de três espécies. Pela sagacidade do menino, usou-o o quanto pode, para retirar seus filhos daquele buraco e quando, enfim, os gêmeos sairam, permitiu que fosse junto.

— Marla, querida, você ficaria feliz em ver nossos filhos, crescidos e bem. Por um descuido meu, você se foi e eu estou a envelhecer. Me perdoe, querida. — falou sozinho, vivendo a consequência de perder sua companheira, o envelhecimento precoce.

— Falando sozinho, Danton? — perguntou Menfis, entrando na casa do bruxo.

— O que faz aqui no meio da noite, Menfis?

— Os guardiões vieram me ver e apesar de não contar nosso segredo a eles por respeito a você, sinto que é necessário.

— Desde quando você tem escrúpulos para com os outros, feiticeiro?

— Não me imputes os crimes que cometi, escravizado e oprimido pelos magos. Você, melhor do que ninguém, sabe do que estou falando.

— Sim, por isso acordo todas as noites, atormentado por lembranças.

— Não sei onde está o banker do mago e nem a tumba da vampira. De que adianta contar a eles?

— Eles leram a mente da vampirinha e sabem da existência da rainha, mas pensam que está morta. Eles precisam saber que Zeruia não é a única.

— De que adianta eles saberem, sem ter a localização?

— Você é burrou ou o quê? Não sabe que enfrentaremos uma guerra em breve e as criaturas serão parte do exército do mal?

— Mas não são páreo para o casal celestial. 

— É, tô vendo que você é mesmo um cabeça dura. Mas deixo avisado de que não guardarei mais esse segredo. Você é um covarde egoísta e nem sei porque salvou os seus.

Menfis se retirou, deixando Danton mais perturbado do que antes, então ele saiu e foi fazer o que vinha fazendo todas as noites quando acordava agitado e suando: saiu usando sua varinha, utilizando um feitiço de busca, a procura do esconderijo do mago e a tumba da rainha vampira.

Ela foi mantida viva por ser a única que podia procriar. Era de linhagem pura e só procriava com machos de sangue puro. Danton não sabia quem era esse macho, pensou que fosse o prisioneiro, mas soube que os guardiões, assim como os lobisomens, só procriavam com suas destinadas. Aprendeu muito, observando os magos, mas não descobriu quem era o doador das sementes que emprenharam a rainha.

Foi um servo subserviente, parecia um verdadeiro capacho. Não foi obrigado a fazer nada, como o feiticeiro, mas serviu para preservar sua vida e vigiar tudo que os magos faziam, para aprender tudo que podia. Fingiu por tanto tempo, que o fingimento se tornou habitual, mas não tinha uma índole má, só era astucioso. Um pouco covarde, também, como Menfis disse.

Agora, se embrenhava pela floresta, procurando o que estava oculto aos olhos desapercebidos, mas não para ele, que sabia o que procurar. Havia poucos dias que começou, mas sentia que estava perto, sua ansiedade aumentava e não podia ser descuidado, para que não o encontrassem antes. Seria terrível voltar a vida de servidão, queria um trunfo, algo para permutar 

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Joelma Oliveira

Joelma Oliveira

espero q esse Danton não vá pro lado d mal. ele sabe q será escravizado novamente. o mal não muda

2023-02-01

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Capítulos
1 Capítulo 1. Apocalipse
2 Capítulo 2. Terra Escaldante
3 capítulo 3. Ligação
4 Capítulo 4. Revolta dos Bruxos
5 Capítulo 5. Preparação
6 Capítulo 6. Invasão
7 Capítulo 7. Destinado
8 Capítulo 8. O Laço
9 Capítulo 9. Entrosamento
10 Capítulo 10. Confusão
11 Capítulo 11. Muita Coisa
12 Capítulo 12. Comunicação
13 Capítulo 13. Acasalando
14 Capítulo 14. Maldade
15 Capítulo 15. Despertar
16 Capítulo 16. Despertar 2
17 Capítulo 17. Renovando o Exército
18 Capítulo 18. Alerta
19 Capítulo 19. Terrores Noturnos
20 Capítulo 20. Vampiros
21 Capítulo 21. A Rainha
22 Capítulo 22. Portas e Arquivos
23 Capítulo 23. Mais descobertas
24 Capítulo 24. Inferno
25 Capítulo 25. Turbulências Mentais
26 Capítulo 26. Conhecimento
27 Capítulo 27. Busca
28 Capítulo 28. Emoções Conflitantes
29 Capítulo 29. Unindo os Pontos
30 Capítulo 30. Lar
31 Capítulo 31. Fúria
32 Capítulo 32. Antecipação
33 Capítulo 33. Plano
34 Capítulo 34. Resgate
35 Capítulo 35. Impacto
36 Capítulo 36. Revelação
37 Capítulo 37. Descontração
38 Capítulo 38. Breu
39 Capítulo 39. Solução
40 Capítulo 40. Consequências
41 Capítulo 41. Império
42 Capítulo 42. Reconhecimento
43 Capítulo 43. Atualização
44 Capítulo 44. Aldeias
45 Capítulo 45. Sereias
46 Capítulo 46. Ensinando
47 Capítulo 47. Final.
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Atualizado até capítulo 47

1
Capítulo 1. Apocalipse
2
Capítulo 2. Terra Escaldante
3
capítulo 3. Ligação
4
Capítulo 4. Revolta dos Bruxos
5
Capítulo 5. Preparação
6
Capítulo 6. Invasão
7
Capítulo 7. Destinado
8
Capítulo 8. O Laço
9
Capítulo 9. Entrosamento
10
Capítulo 10. Confusão
11
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Capítulo 33. Plano
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35
Capítulo 35. Impacto
36
Capítulo 36. Revelação
37
Capítulo 37. Descontração
38
Capítulo 38. Breu
39
Capítulo 39. Solução
40
Capítulo 40. Consequências
41
Capítulo 41. Império
42
Capítulo 42. Reconhecimento
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Capítulo 43. Atualização
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