Em um solo coberto de seixos polidos, seus pés descalços pisavam as imensas pedras preciosas, alisadas e reluzentes, que formavam um caminho que levava ao precipício. Não podia olhar para trás, correndo o risco de desistir e não pular. O imenso jardim, fresco, colorido e brilhante pela luz tão clara, que quase cegava, era o lugar perfeito para se viver pela eternidade. Mas ele tinha uma missão a cumprir, salvar o planeta Terra e a humanidade.
Pulou e enquanto caía, seu vestido branco e imaculado, foi trocado por uma armadura blindada, seus pés calçados com coturnos com presilhas, um cinturão prendia sua espada e suas imensas asas negras se abriram, fazendo-o planar no céu azul e aproximando-o das nuvens, que tinham aparência de estalagmites de algodão, consolou-se com a imagem que bloqueava a realidade da guerra que acontecia lá embaixo.
Quando passou pela camada de nuvens, imediatamente entrou na guerra e o caos quase o absorveu. Desembainhou sua espada e se posicionou para lutar, foram momentos que pareciam eternos, adversário após adversário era abatido por ele e de repente, se viu cara a cara com o causador de tudo e lutou bravamente, mas quando estava dando o golpe final derrubando o inimigo, algo aconteceu e não viu o que foi.
Quando acordou, estava preso em um lugar escuro, parecido com uma caverna, preso com braçadeiras ligadas a correntes, pelos tornozelos e pulsos. Elas permitiam que se movesse a uma certa distância, mas, por mais que se esforçasse, não conseguia se libertar. Cheirou e provou o ar e percebeu uma magia poderosa, formando um domo a sua volta, que o impedia de sair. O tempo passou e ele não tinha como precisar quanto, só que era muito e ele continuava ali.
Traziam alimento para ele, mas o desacordavam antes de colocar os jarros de sangue, dentro do domo. Como sabiam o que dar a ele, ele não sabia, mas agradecia pelo sangue fresco e potente que tomava, pois lhe dava força para resistir, até encontrar uma forma de sair daquele lugar. Seu consolo foi encontrar, durante um bom tempo, um poderoso ingrediente misturado ao sangue, uma centelha divina, que com certeza, seus algozes não sabiam que estava ali.
E quando ele hibernava, sonhava com a dona daquela centelha, sua companheira. Aquela que foi feita especialmente para ele e que possuía a chave para abrir o poder que trazia oculto dentro de si, para executar a missão que lhe foi confiada. Sonhava com ela, sentia sua presença e quando ela se elevou, ele sentiu que estava próxima e esperou. Mas agora, algo estava acontecendo de muito estranho, pois seu alimento estava escasseando, a centelha que o fortalecia, sumiu desde a elevação de sua destinada e sentia eletricidade estática no ar.
A barreira em que colocaram ele, parecia estar falhando e soltava pequenas centelhas, que só os seus olhos acostumados à escuridão, conseguiam ver. Estava breve a sua libertação, os sinais estavam ali e só esperava não estar tão fraco, quando a oportunidade surgisse. Apurou a audição, percebendo sons, que antes da barreira ter falhas, não conseguia captar e prestou atenção. Estavam se aproximando e ficou quieto, como se estivesse hibernando ainda e os dois que entraram, desapercebidos do risco, continuaram conversando enquanto aprontavam tudo, para passar o alimento para dentro do domo.
— Os escravos estão escasseando, muitos morreram de inanição. Os principais, fugiram e não procuraram, como será que o mago branco fará, para manter o prisioneiro?
— Talvez devêssemos deixá-lo morrer.
— Como se isso fosse possível, ele é eterno.
— Mas como sobreviverá sem alimento.
— Dormirá eternamente, até que o acordem e o alimentem.
— Assim dormindo, parece tão inofensivo, como o mago sabia a quem pegar.
— Ouvi dizer que não sabia, que o outro foi morto e incinerado e só sobrou esse. Como não sabiam quem era o bom ou o mal, prenderam ele.
— Deixe logo isso e vamos sair daqui. Tenho limites para me aproximar dele, sinto que suga meu poder. Você não sente?
— Não, não tenho magia desse tipo em mim, sou um bruxo elemental. Mas vamos embora.
Luziel, é o seu nome, ficou atento à conversa, achando mais proveitoso adquirir conhecimento do que tentar fugir. Então foi isso que aconteceu, dizia a si mesmo, pois foi a primeira vez que conseguiu saber o que realmente aconteceu e que seu adversário pereceu com seu golpe, antes que o pegassem. ficou satisfeito com as notícias, estavam favorecendo o seu lado.
Esperou que saíssem e foi até os potes de sangue. Pegou um com cada mão e cheirou, sempre havia um ou dois contaminados com magia negra e ele derramava em um dos cantos escuros da caverna. Era fácil reconhecer pelo cheiro, mas mesmo que bebesse, exsudava pelo corpo. Mas o efeito imediato não era agradável, então evitava. Saboreou os outros e percebeu que estava mais fraco, por isso sentia-se diferente.
Depois de alimentado, aproveitou seu novo vigor e direcionou sua mente a sua destinada, bebeu o sangue dela, mas ela não bebeu o seu e por isso conseguia chegar até ela, mas ela não chegava até ele. Mas estava sempre lhe enviando sonhos e sentimentos que guardava dentro de si, para quando se encontrassem. Ela não abria a mente para que ele visse seus pensamentos, então não sabia sequer como ela era, só plantava imagens de si em sua mente.
Seus pensamentos se estenderam até ela e a encontraram dormindo, relaxada, proporcionando a ele, entrar com suavidade e embora esbarrasse na barreira, colocou imagens em sua mente. Imagens dos jardins, do céu, deles juntos, voando sobre as nuvens. Embora ele não conseguisse formar a imagem dela, a mente dela entenderia e formaria o casal. Era assim que se mantinha são e esperançoso de sair daquele buraco, que era o seu cárcere.
Pelo menos ficou sabendo que o traídor da humanidade foi morto. Que os que controlavam sua prisão estavam escasseando, assim como sua comida e isso não era ruim. Ele conseguiria viver muito mais tempo que eles e esperar não era problema.
*
Ava sonhava novamente com aquele guardião guerreiro, alto, forte, com lindas asas negras, cabelos longos, negros, sedosos e reluzentes, como seus olhos extremamente azuis. Seu corpo aquecia com a presença dele e sua alma se alimentava de seu amor. Era sempre ele, lindo, impávido, cheio de poder e graça, a levando pelos céus, envolvendo-a em seus braços fortes e transmitindo segurança, mas dessa vez o sonho mudou, pois ao abraçá-la, ele falou em sua mente:
— " Eles estão fracos, são poucos e os serventes também, está na hora."
Ela acordou, assustada com aquela voz retumbante em sua cabeça. Ligou os fatos e temeu. Será ele o prisioneiro no interior da montanha? Será que se refere a invadirmos o local e libertarmos os que ainda estão escravizados? Seus planos estavam traçados e agora que Trash chegou com novos dados, queria colocá-los em prática. Aquele era o sinal, mas temia libertar os escravos e com isso, libertar a criatura presa, também.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Joselia Freitas
Espero que ela solta ele👏👏👏💋💋💋❤️❤️❤️🌺🌺🌺🌹🌹
2024-05-17
1
Alessandra Portechel
vixiiii o companheiro dela e ele pensa ser o inimigo
2023-06-29
2
ARTHUR ALVES CAMPOS
"Mas estava sempre..."? Tem um mês ali
2023-04-06
1