Naquela preocupação, sua mente ficou ativa demais e não conseguiu mais dormir. Levantou-se e foi até o alto do monte onde ficava sua morada. Ficou venerando a luz cheia, alta no céu, iluminando tudo, ao refletir a luz do astro maior, o sol. Passou um bom tempo renovando sua energia, captada dos elementos da natureza e dos raios lunares. Só depois de um bom tempo, resolveu voltar.
Olhou para baixo, as copas das árvores frondosas ocultavam o solo e quem andava pelas sombras. Mas Ava identificava a invasão em seu lugar seguro. Desceu devagar, abrindo as asas para planar e se ocultou em meio aos galhos, conseguindo distinguir a sombra se esgueirando e aos poucos, sorrateiramente, se aproximou da caverna. Ava seguiu a criatura, se ocultando pelas copas, até descer e entrar, atrás do invasor.
Já havia algum tempo que estava atrás desse intruso. Ninguém o via, mas Ava sentia sua presença e toda vez que vinha, alguns de seus pupilos enfraqueciam. Se ocultou, observando e pegou-o flagrante mente, fincando suas presas no pescoço de alguém dormindo. Segurou no capuz que cobria sua cabeça e puxou, falando baixinho:
— Posso saber quem é você, ladrão de sangue?
A figura levantou-se rápido, assustada e deixou o pescoço do jovem sangrando.
— Feche isso, anda! — ordenou Ava.
O intruso lambeu a ferida e ergueu-se, muito rapidamente, virou-se, para sair no casaco e se esvair, fugindo,as Ava foi mais ligeiro e agarrou seu braço, impedindo-a de sair. Puxou-a até seu escritório, para não despertar os outros. Colocou-a sentada em um banco precário do recinto e perguntou novamente:
— Quem é você?
— Meu nome é Zeruia. Eu só consigo me alimentar de sangue e por isso venho aqui. Mas não sou um vampiro, não mato por prazer, só bebo uma quantidade que não atrapalhe o doador.
— Doador se ele soubesse que está doando. Por quê não se apresentou e contou suas necessidades?
— Não sabia se seria aceita. Vivi maltratada por muito tempo, consegui fugir, quando percebi que me deslocava com muita velocidade, mas quase morri quando saí na luz do sol. Permaneci escondida nas sombras das cavernas, me alimentando dos outros e assim, escutando as conversas, descobri muita coisa e consegui sair.
— Você é nova, deve ter nascido lá dentro da montanha, mas como nasceu bebedora de sangue? Nunca vi e nem recebi ninguém assim, aqui no acampamento.
— Sou uma experiência. Foi o que ouvi dizerem. Me fizeram daquele que tá aprisionado no profundo.
— E quem é sua mãe, se ele é seu pai?
— Pelo que ouvi quando estava no laboratório, é uma das escravas.
— Quanto tempo tem que você fugiu?
— Não sei contar os dias como eles fazem. Mas não tem muito tempo. Encontrei vocês pelo cheiro e durmo durante o dia, em uma caverna mais adiante, era só uma brecha e cavei mais pra dentro e no chão.
— Acho que e melhor você ficar conosco, vou te apresentar o Trash, poderão conversar e descobrir muita coisa, um com o outro. Devem ter idades aproximadas. Nós arrumaremos um lugar separado para você dormir e pediremos voluntários reais, para te alimentarem.
— Verdade? Você não tem medo de mim?
— Você não entendeu mesmo, não é? Aqui entre nós, você é quem deve ter medo de mim.
*
Enquanto Ava se entendia com Zaira, o mago branco era metralhado pelos bruxos, com cobranças e reclamações.
— Não sabemos mais o que fazer para ter alimentação suficiente para todos. — disse o porta voz do grupo.
— Sim e não é só o sangue para o prisioneiro, falta o sustento até para nós. Como podemos trabalhar sem ser energia em nossos corpos.
— Vocês têm o mundo em vossas mãos e vivem reclamando. São uma cambada de preguiçosos. Não alimentam os doadores corretamente e querem que eles produzam quantidades de sangue suficiente para alimentarem um monstro. Despertem e trabalhem!
— Mas, senhor, onde conseguiremos alimentos?
— Vocês já se perguntaram para onde vão os que fogem e do que se alimentam? Chamem o feiticeiro, peçam que abra um portal para a floresta e procurem alimento. Estou cansado de servir vocês, tenho outras coisas para me preocupar. Agora vão.
Os bruxos se retiraram e confabularam sobre o que o mago branco falou.
— Eu sempre achei que os fugitivos morriam ao sair.
— Mas se morressem, teriam muitos esqueletos amontoados. O mago tem razão, eles devem ir para algum lugar que forneça alimento.
— Vamos aproveitar o amanhecer e olhar lá do topo da montanha, talvez encontremos um lugar aprazível.
— Sim, vamos.
Os cinco bruxos se encaminharam para o caminho que levava ao topo, para tentar avistar a solução de seus problemas. O topo era bem alto e chegaram lá, cansados. Antes de sair, sentaram e recuperaram o fôlego. A vida sedentária que tinham, trancados dentro daqueles túneis e câmaras subterrâneos, não lhes dava movimentação física suficiente para fortalecerem os músculos.
Quando saíram, o dia já estava claro e o ar fresco os atingiu como um refrigério bem vindo.
— Passamos toda nossa vida dentro dessa caverna e o que recebemos por isso?
— É tão bom respirar esse ar fresco…
— Por quê vivemos trancados aqui. A guerra acabou com as nações, olhem ao nosso redor, não existe nada.
— Só a floresta que nos cerca. Parecemos um enorme formigueiro.
— Talvez pudéssemos morar na floresta e vir trabalhar na montanha.
— O problema é a distância e o sol. A Fronteira, entre nós e a floresta, vista daqui, parece pequena, mas não é e atravessá-la é demorado e sacrificante.
— Sim, mas como os fugitivos conseguem atravessar? Não vemos corpos espalhados.
Foi então que um vento muito forte, conto do alto, os atingiu e o lugar precário em que estavam, não os sustentou de pé e os cinco rolaram montanha abaixo, sem identificar o que os derrubou. Estavam muito feridos, quando pararam de rolar e os que ainda estavam conscientes, viram a sombra de imensas asas no chão, se distanciando.
O que menos se machucou, se arrastou pela montanha até chegar em uma das entradas de ar e gritou por ali, pedindo ajuda. Não tinha muito fôlego e torceu para que tivessem ouvido. Mas quem chegou primeiro, foi Ava e pegou um deles, carregando-o e se distanciou do local, levando o bruxo consigo. Os que ficaram, contemplaram aquele ser alado magnífico e entenderam como os fugitivos sobreviviam.
A ajuda chegou e os quatro que ficaram, foram levados para dentro e tratados. O mago branco ficou sabendo do ocorrido e foi visitá-los.
— O que estavam fazendo?
— Verificando os arredores, investigando a possibilidade de sairmos a buscar comida. — respondeu o porta voz.
— Estão tão fracos, que rolaram a montanha?
— Um ser alado, igual ao prisioneiro,mas com asas brancas, apareceu e creio que foi o bater de suas asas que nós desequilibrou.
O mago ficou pensativo, um outro ser alado, será que sobreviveram outros?
— Era macho ou fêmea?
— Creio que fêmea, tinha longos cabelos loiros e era muito bonita.
O mago não disse nada, penas desejou melhoras a todos e se retirou para seu laboratório. Pegou um frasco, contendo pó vermelho e ficou olhando para o recipiente entre seus dedos, pensativo.
— Será?
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Jailda Brandao
parabéns autora pela bela história
2023-08-29
0
Cecilia geralda Geralda ramos
se só com as assas foi um vento assim tão forte imagina .outra
s defesas ou ataques .
2023-08-21
0
Lireda Celestino
os capítulos demora aí perde o interesse
2023-07-13
1