A noite caiu e Zeruia despertou sentindo a falta de seu companheiro e sede. Onde estaria aquele traste? Pensou, até que sentiu algo diferente em sua mente, uma pressão forte que não conseguiu identificar de onde vinha e resolveu verificar quem invadia sua cabeça. Abriu a mente e seguiu o pulso, encontrando uma mente forte e familiar, embora não identificasse quem era.
— " Oi, quem é você, invasor de mente alheia?"
— " Eu que pergunto, quem é você?" — perguntou Luziel."
— " Até que enfim acordou, Zeruia, este é o seu progenitor." — informou Ava, entrando na conversa.
— " O quê? Não posso procriar sem ser com minha companheira."
— " Ela foi feita pelos bruxos, em um laboratório, com sua semente."
— " Aqueles infelizes! "
— " Oi, papai, precisamos nos conhecer, escapou da prisão?"
— " Trash já está indo te encontrar e contará tudo que aconteceu. Agora feche o canal."
— " Mandona! " — exclamou Zeruia e fechou a comunicação, para não ouvir uma bronca.
— " Já estou terminando aqui, vai continuar querendo distância? "
— " Sim, não confio em você."
— " Mas podemos conversar, enquanto isso. Existe muita coisa que você não sabe e posso lhe contar."
— " Sobre o quê?"
— " Sobre você e sobre o mundo como era."
— " Isso será bom, mas tenho muita coisa para organizar, essa conversa terá que esperar."
— " Ok, então. Vou rodear o mundo e ver como está, talvez demore um pouco, mas se precisar, é só me buscar, tchau."
Tchau?
Ava se conformou com isso, já que foi ela quem o mandou embora e foi até o bruxo, que acordou bem disposto e falante. Chegou onde ele estava e algumas crianças e adolescentes o rodeavam.
— Posso saber o que está acontecendo aqui?
— Desculpe, deusa. São todos meus filhos.
Ava olhou para aquela reunião familiar, com sangue nos olhos e muita vontade de matar o bruxo.
— Não abusei da mãe deles, senhora, se é o que está pensando. Ela era escrava, mas quando chegou a adolescência, nos reconhecemos como companheiros e a tomei para mim. Tivemos vários filhos, mas ela faleceu ao dar a luz aos caçulas, gêmeos, que foram os últimos a fugir.
— Você sabia que fugiriam?
— Eu indiquei o caminho para a Trash. Não sabia se conseguiriam, mas meus pequenos não sobreviveriam lá, se continuassem.
— Sei, eles ainda estão na quarentena.
— Obrigada, deusa.
— Pare de me chamar assim, meu nome é Ava, esqueceu, Dunbar?
— Você também não esqueceu de mim, pelo visto.
— Por quê acha que o escolhi?
— Ava, poderemos morar com nosso pai? — perguntou um dos adolescentes.
— Primeiro ele terá que responder algumas perguntas e fazer uns servicinhos e então veremos.
— Estarei à disposição, senhora.
— Ava, só Ava! — já começava a se irritar com o bruxo. — Tem mais algum ou são só esses?
— Esses e os gêmeos.
— Consegue identificar todos os filhos de bruxos?
— Sim, sen…Ava. É só anular o feitiço e todas as espécies ficam distintas.
— Você pode fazer isso?
— Sim, mas preciso da minha varinha e ela não veio comigo, levará tempo até fazer uma. Mas o feiticeiro pode retirar sem usar nada.
— Ainda não entendo a diferença entre bruxo e feiticeiro.
— Nós, bruxos, manipulamos a natureza e os elementos, mas precisamos de algo, como a varinha, uma pedra ou um animal. Mas os feiticeiros só precisam pensar e manipular a magia, além de conseguirem abrir portais, voar e sumir.
— Ops! Vou ter com ele agora mesmo, e vocês, tragam comida para o seu pai e fiquem por aqui mesmo.
Ava foi até onde estavam o mago branco e o feiticeiro e ficou aliviada por ainda estarem ali. Pediu ajuda aos guardas que os vigiavam e levou-os para dentro da caverna, separando os dois. Pediu que trouxessem comida para eles, que pareciam famintos. O mago mais novo estava na floresta, o mais velho deve ter morrido na explosão e o que estava ali, era o pai e pelo seu lamento quando tudo foi pelos ares, devia ser o mentor da experiência mirabolantes.
Depois de alimentado, Ava iniciou o interrogatório ao feiticeiro:
— Qual o seu nome?
— Menfis.
— Menfis, nós não somos carcereiros ou torturadores, mas para nos proteger, posso matar você tranquilamente. Espero que coopere, para que viva. Você tem filhos aqui?
— Sim.
— Quantos?
— Só uma, Cassandra.
— Então Cassandra além de loba é feiticeira?
— Sim.
— Mas como?
— Ela era minha companheira.
— Isso é o que eu chamo de destino manipulador…onde está a mãe de Cassandra?
— Os magos a mataram, não queriam mais lobisomens nas cavernas, eles eram letais quando se transformavam.
— Você não tentou impedir?
— Eles implantaram um chip em mim e me dão choques ou paralisam, quando tento alguma coisa.
— Então, você também era um prisioneiro?
— Sim.
— Sabe onde está o chip?
— Sim, aqui. — mostrou um local na nuca.
Ela foi até ele e passou a ponta dos dedos no local, ao encontrar o chip, deixou fluir uma luz através de seus dedos e o organismo dele expeliu o chip, fazendo a pele se abrir, sem nenhum corte. Pegou o pequeno quadradinho preto, fechou a abertura e falou:
— Agora você está livre. Espero que escolha o bem, para que viva e tenha paz.
— Sim, senhora, escolha a paz e lhe sou muito grato pelo que fez, pode contar com minha eterna gratidão.
— Que ótimo, então, para começar, quero que anule todo o bloqueio que colocaram sobre as espécies.
— Talvez isso lhe traga muita confusão.
— Já avisei aos meu líderes e eles já avisaram seus liderados, não se preocupe damos conta.
— Tá bom, você que sabe. Preciso ir para o ar livre.
Ela o levou, sempre acompanhada do guarda e saíram, seguindo para próximo ao rio, lá o feiticeiro desenhou um círculo no chão e entrou nele.
— Confie, não vou fugir ou fazer algum mal contra vocês, mas preciso que se afaste.
Ela se afastou e ele iniciou o processo: ergueu as mãos e começou uma invocação:
— Invoco todos os elemento, ar, terra, água e fogo, para juntos agirem para o bem.
Um vento iniciou um redemoinho ao redor do bruxo, puxando ar, terra e água e com um estalar de dedos, fez fogo que se uniu ao redemoinho e foi aumentando. Ava se afastou mais, pois a força do vento era intensa, mas conseguiu ouvir o feitiço:
— Ordeno que quebrem todas as amarrações e libertem a magia encarcerada, dominem o mal e propaguem o bem, limpando o que foi feito aprisionado. Vão!
O redemoinho, como um pequeno furacão, subiu ao céu e se espalhou formando nuvens densas, avermelhadas pelo fogo, com relâmpago e trovões, que cobriram tudo e desabaram em uma pesada chuva. Ava correu a se abrigar, não queria molhar suas asas.
— Agora é só esperar. — disse o bruxo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 47
Comments
Jailda Brandao
muito bom mesmo amando muito cada capítulo
2023-08-29
1
Deyse Pires
Vou olhar, como passo do doc para o noveltoom, pode colar o anterior, as vezes acontece. Obrigada.
2023-04-07
1