Mário ficou com a família o restante do dia e Mag não queria deixá-lo ir embora, mas seus pais explicaram que ainda tinham algumas coisas para acertar e logo poderiam estar todos juntos. Lili pegou sua agenda e mostrou a ele sua organização diária e ele se organizou para que seus horários se encaixassem. Se prontificou a vê-la nos horários de sua folga e passar algum tempo com Mag.
Precisou se esforçar para não deixar o trabalho em segundo plano, pois era seu sustento. Mas começou a perceber que sua família é que realmente importava. Voltou para sua casa fria e vazia e decidiu correr com a decoração e o casamento, necessitava com urgência, ter sua família junto de si para sempre.
No dia seguinte, a rotina de trabalho voltou ao normal, a diferença ficou por conta de Mag, que chegou na hora do lanche, como sempre, distribuindo sorrisos e contando para todos que seu melhor presente de Natal foi seu pai ter voltado. As pessoas olhavam para a menina com pena, mas não falavam nada, as que conheciam a história, tinham certeza que a menina estava enganada.
— Mag, querida, pare de espalhar essa notícia, as pessoas não querem saber. — disse Rachel.
— Não importa, eu tô feliz e meu papai já vai chegar.
— É? E quem é? — Lili não contou para ninguém e Raquel era a única que sabia.
— Shiiiii — colocou o dedinho na boca, pedindo silêncio. — , quando ele chegar, você vai saber.
A pequena correu até a cozinha para pegar (roubar), dois biscoitos, para compartilhar com o pai.
— Boa tarde, Dr. Mário.
— Boa tarde, Rachel e me chame só de Mário, já sou de casa.
De repente, o furacão Mag saiu correndo da cozinha, depois de escutar a voz do pai, gritando:
— Papai, papai!
— Filhinha, cuidado!
Ela chegou correndo e pulou, sendo agarrada por ele em pleno ar.
— Papai, que bom que você chegou.
Raquel ficou contemplando o encontro dos dois e ficou feliz, pois finalmente, parecia que Lili teve coragem de contar para os dois, que eram pai e filha. As pessoas no recinto, que não acreditaram na menina, ficaram estáticas, observando os dois, querendo entender se era verdade ou ele estava só namorando com a mãe da menina.
As duas mulheres, amigas de Elise, chegaram e viram os dois, bem no momento que se encontraram. Se aproximaram para dizer o que ninguém tinha coragem:
— Então, agora você vai adotar a bastarda, só por causa da mãe dela?
— Foi bom você tocar nesse assunto, para eu poder esclarecer uma coisa — se virou de frente para os clientes —, essa é Mag, minha filha natural, de sangue e única, por agora. Se não fosse pela descriminação e julgamento errôneo de minha família, do pai de Lili e de todos os que preferiram acreditar em mentiras, elas não teriam sofrido tanto pela minha ausência. Por favor, não chamem mais minha filha de bastarda, ela tem pai e um pai advogado. Feliz Natal!
Ele terminou de falar e se dirigiu à mesa que sempre ocupava. Colocou MAG na outra cadeira e logo Raquel veio com o seu pedido de sempre, a torta de frango com o capuccino.
— Mas, papai, trosse biscoito prá você.
Estendeu as mãos com os biscoitos esfarelados.
— Acho que esses não servem mais, filha. É isso que dá pegar escondido.
— Então você é o pai, de verdade? — perguntou uma das jovens, se aproximando.
— Sim, Lili foi minha única namorada e voltei para casar com ela, mais alguma dúvida?
Mais que depressa, Mag se levantou e ia chutar a canela da mulher, mas Mário percebeu e segurou-a.
— Você precisa parar com isso, Mag, não se agride as pessoas por não gostar delas.
— Aliás, por coisa alguma, dona Marguerite. — disse Lili, brava com a filha.
— Tá bom…mas elas são ruim.
— Minha filha não está errada, a anos sofro com as insinuações de vocês, não acham que está na hora de parar? Dói mais do que um chute na canela. — falou Lili, para as duas.
— Desculpe, fomos maldosas, mas você nunca contou quem era o pai.
— Agora, a culpa é dela pela maldade de vocês? — perguntou Mário.
— É que…desculpa.
— Desculpa.
As duas se desculparam e saíram de fininho, foram embora da confeitaria, sem nem tomar um café e todos os outros que estavam olhando, abaixaram a cabeça, continuaram o que estavam fazendo e não tocaram mais no assunto. No dia seguinte, provavelmente, todos estariam sabendo a fofoca do dia e o nome de Lili e sua filha, seria limpo.
Mas naquele dia específico, a mãe de Mário ficou sabendo, porque as duas que saíram da panificadora, imediatamente ligaram para ela cobrando o fato delas terem ficado se insinuando para Mário e ele já ser comprometido.
— Eu também não sabia. — defendeu-se Elise.
— Mas ele disse em alto e bom som, que se a família não fosse tão discriminatória, não teriam feito o que fizeram com Lili, abandonando ela e a filha, as fofocas e maledicências. — disseram, como boas fofoqueiras que eram que tinham que aumentar um ponto no conto.
— Ah, meu Deus, será que isso nunca vai terminar? — murmurou Elise, mas a mulher do outro lado da linha, escutou.
— Quer saber, seu filho tá certo, se você tivesse procurado saber desde o início o que tinha acontecido de verdade, essa jovem não teria sofrido tudo o que sofreu e nós não teríamos implicado tanto com ela. A culpa é sua!
A mulher desligou e deixou Elise muda, olhando para o telefone, nunca tinha se sentido tão mal na vida, sendo acusada por algo que realmente cometeu e causou um mal tão grande a sua própria neta. Também, finalmente caiu em si, de que tem uma neta e nunca a conheceu, realmente.
— Nestor, Nestor! — chamou o marido.
— Sim, querida, o que foi?
— Precisamos conhecer nossa neta, vamos homem.
— Mas agora, assim tão rápido? Não é melhor falarmos com Mário, primeiro?
— Ele está lá na panificadora com as duas, tem momento melhor do que este, ponha logo o seu casaco, homem, vamos logo!
O pai de Mário sacudiu a cabeça negativamente, mas seguiu a esposa, quem conseguia deter aquela mulher? Quando ela colocava uma coisa na cabeça, não havia quem a detivesse. Vestiu o casaco de frio, saíram, entraram no carro que já estava à porta com o motorista e seguiram para o shopping.
Não tinham como adivinhar a reação de Mário e sua família, pois ele nem havia pensado em apresentar Mag aos avós e interagia com sua filha, amando estar com as duas mulheres da sua vida.
— Quer dizer então, que o seu nome é Marguerite?
— É, mas num gosto, é muito gande.
— Você precisa prestar atenção às palavras, filha. Está falando tudo errado e você já vai fazer 5 anos. — aconselhou Lili.
— Quando conversei com Mag pela primeira vez, ela disse que tinha 4 anos. — disse Mário — lembro que naquele dia, pensei que se ela fosse mais velha poderia ser minha filha.
— Ela tem 4 anos, fará 5 daqui a três meses.
— Tá explicado. Então está quase uma mocinha.
— Não, papai, eu ser patinadera.
Os dois riram da fala da menina. Os pais de Mário estavam do lado de fora da panificadora e viram através do vidro da vitrine, a família risonha e feliz e se abraçaram emocionados. Eram avós de mais uma linda menina.
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Atualizado até capítulo 28
Comments
Celia Chagas
A agora se tivesse prestado atenção e não fosse preconceituosa teria visto que o filho que ela esperava era seu neto ou neta e também só se deu conta quando soube de sua origem 🥴🥴
2024-05-08
4
Maria Izabel
ouvir verdade dói mais é melhor do que viver condenado as pessoas por merntiras
2023-11-02
4
Márcia Jungken
agora que Elisa ouviu umas verdades que ela foi se dar conta que Mag é neta dela
2023-10-30
1