Capítulo 8. Patinação

No final da tarde, Mário chegou, como sempre, mas Lili não estava, lembrou que era sua folga, como na semana anterior, quando foram passear. Pensou em ir embora, mas para seu azar, havia a mão de alguém acenando e ele fez a besteira de olhar e não pode fugir, era sua mãe. Caminhou até a mesa, onde ela estava com duas jovens muito bonitas.

— Boa tarde a todas. Oi, mãe. 

— Oi, filho, veio tomar seu café da tarde?

Ele logo percebeu que sua mãe havia planejado esse encontro.

— Na verdade, eu já estava indo embora.

— Ah, não, você vai sentar e tomar café conosco. — insistiu sua mãe, puxando a cadeira e obrigando ele a sentar.

Na mesma hora, a garçonete se aproximou e perguntou:

— O mesmo de sempre, senhor?

— Tem aquela torta de frango?

— Sim, uma fatia?

Ele olhou para as mulheres à mesa, interrogativamente, mas elas já tinham pedido e negaram.

— Trás uma fatia e um capuccino. A Meg está aí?

— Não, a mãe a levou para patinar.

— Tá bom, obrigada. 

A garçonete saiu e todas começaram a falar ao mesmo tempo. Sua mãe perguntou quem era Meg, já uma das jovens perguntou se o escritório dele era próximo e a outra, se ele gostava de patinar. Só que foi uma confusão, até que ele entendesse o que é que elas estavam perguntando. Então começou a responder:

— Meg é a filha de uma funcionária, que está sempre correndo por aí e acaba trombando comigo. Sim, meu escritório é no prédio em frente e sempre gostei de patinar, mas já tem anos que não o faço. Respondi tudo?

Elas ficaram sem graça, pois ele percebeu que todas puxaram assunto, para não ficarem calados, mas sua mãe bisbilhoteira, fez uma pergunta legítima e continuou o assunto, com a cara fechada.

— Você costuma conversar com essa menina?

— Sim, mas não tenho muito assunto, o que eu poderia conversar com uma criança de quatro anos?

Sua mãe ficou sem expressão e as duas jovens colocaram a mão na boca para prender o riso.

— Ah, sim, uma criança…

A mente de Elisa já fermentava o assunto, imaginando de quem seria a menina e com quem ele andava conversando, além da menina, que tanto o levava aquele café. O pedido dele chegou e as três observaram ele comer com gosto a primeira fatia e pedir outra, apreciando tanto, que elas ficaram com vontade de provar, mas resistiram bravamente. 

— É por isso que você chega em casa sem apetite para o jantar. — reclamou sua mãe.

— Talvez seja, mas não consigo resistir, esse é o novo prato salgado da Lili.

Só então Elisa se deu conta de que aquela cafeteria era a famosa cafeteria da Lili dos panetones. Inclusive, ela havia encomendado panetones da sua festa naquele lugar e não fazia ideia de que era ela quem fazia os panetones. Ficou muito aborrecida ao descobrir isso e tratou de levantar para ir embora e sugeriu com um sorriso para o seu filho:

— Eu preciso ir, querido. Mas gostaria que você levasse as meninas para o ringue de patinação, eu não poderei ir junto, estou começando a ficar com enxaqueca.

— Oh… eu posso te levar, mamãe.

— Não se preocupe, querido. Eu vim com o motorista.

— Está bem, mamãe.

Ele não gostou de estar sendo manipulado, mas como Lili não estava ali, ele levaria as duas no ringue de patinação e iria embora. Não deixaria que aquelas duas o manipulassem, também, pois só tinha interesse na sua Lili. Eles saíram depois que ele pagou a conta e foram para o ringue, que era dentro do mesmo shopping. Seguiram andando, cada uma delas se pendurou em um braço dele e não paravam de falar sobre a moda, o colorido das vitrines e tudo que ele bloqueou porque não queria ouvir.

Chegaram ao ringue e elas foram pegar patins, enquanto ele parou na mureta de proteção, para observar os patinadores. A primeira pessoa que avistou, foi Meg, que patinava desengonçada, segura pelas mãos, de um rapaz. Parecia estar aprendendo e estava se saindo muito bem. 

Sorriu!

Não percebeu que Lili estava a uns três metros dele, também observando a filha e havia visto ele chegando com as duas beldades, que agora estavam sentadas atrás dele, calçando os patins. Elas pediram ajuda e ele prontamente atendeu, e na hora que elas entraram, uma Meg desastrada veio deslizando e bateu nelas.

Ele tentou socorrer, mas não pôde entrar na pista de gelo, mas o professor ajudou Meg a sair e tirou-lhe os patins. Ela levantou e deu um chute na canela de Mário, saindo correndo, como sempre. Ele nem viu para onde ela foi, pois se abaixou para massagear a canela dolorida e as mulheres o chamaram, pedindo ajuda, mas o instrutor foi ajudá-las, dando chance a ele de fugir e tentar achar a pestinha.

Lili, que não era boba, saiu correndo com Meg para o banheiro feminino, onde entraram juntas em um reservado.

— Por que você fez aquilo, Meg?

— Poquê ele tava com aquelas duas mulher chata? Você é mais bonita e legal, mamãe! 

— Você falou tudo tão errado que não entendi nada. Mas me pareceu que você não gostou de ver ele com aquelas mulheres, acertei?

— Sim.

— Por quê?

— É qui…qui…eu gosto dele.

— Hummmm, ficou com ciúmes.

— Ele podia ser meu papai…

Lili olhou para a menina sem saber o que dizer, pois Meg praticamente reconheceu Mário como seu pai e ela só tinha tocado no assunto uma vez, quando viu na creche, os coleguinhas com o pai. Naquela ocasião, Lili explicou que seu papai estava trabalhando bem longe e um dia ia voltar para ficar com elas. O que não deixava de ser uma verdade. Agora, ele voltou e ela o aceitou para ser seu pai, embora ela o atacasse toda vez que se encontravam. Lili suspirou e se encostou de costas, na porta do reservado, enquanto Meg estava sentada sobre a tampa do sanitário.

Ficaram ali mais um tempo, mas uma hora teriam que sair e tomando coragem, Lili pediu para Meg esperar e foi olhar se Mário ainda estava pelos arredores, mas não havia quase ninguém no corredor. Finalmente elas saíram e foram para casa. 

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Comments

Celia Chagas

Celia Chagas

Tinha que chutar a avó velha víbora 😡😡

2024-05-08

4

lucivania oliveira

lucivania oliveira

bem feito, pena que ela só chutou um lado.

2023-12-04

1

lucivania oliveira

lucivania oliveira

paspalho idiota, se deixa do cair nas armações da bruxa mãe.

2023-12-04

2

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