O interfone tocou e era o porteiro, avisando que Mário havia chegado e ela consentiu que ele entrasse com o carro. Desceu para encontrá-lo lá embaixo e ele já estava descendo do carro para esperá-la e quando a viu, sorridente perguntou:
— Temos aqui a Mamãe Noel? Eu acreditava que era a minha namorada.
— Engraçadinho…
Ele pegou a sacola de presentes dela e colocou no banco de trás, abriu a porta para ela e prendeu seu cinto, aproveitando para lhe roubar um beijo. Só então, dirigiu em segurança para a casa de seus pais. Quando chegaram, já haviam vários carros parados e ouviam-se músicas natalinas. Lili admirou a suntuosidade da mansão, havia muito tempo que viu a casa pela última vez e estava do mesmo jeito, muito bem conservada.
A ornamentação de Natal deve ter sido feita por um profissional, pois a casa era muito grande e estava tudo muito lindo. Quando os dois entraram, ele ajudou-a a retirar o casaco e entregou junto com o seu para o mordomo, que esperava. Antes de cumprimentar a todos, ela viu a árvore de natal e foi lá colocar os seus presentes. Havia feito uma pesquisa sobre dos sobrinhos dele, tinha uma lembrancinha para cada um deles.
Ao se erguer, a mãe de Mário já estava ali para recepcionar os dois e não gostou de ver a convidada de seu filho com um vestido similar ao seu. Lili também percebeu e não ligou, afinal, era Natal e a cor dessa época, era o vermelho. Ela estendeu a mão e cumprimentou sua futura sogra.
— Feliz Natal, dona Elisa.
— Feliz Natal, Lili. Seja bem vinda. — sorriu desconfortável com a situação.
— Está tudo bem, mãe?
— Claro, filho, entrem, entrem, estão todos no salão.
Mário pousou a mão nas costas de Lili e a guiou para o salão e não gostou do que aconteceu. Primeiro, um silêncio, depois, seu irmão saiu de onde estava e chegando bem perto dele, perguntou, baixinho:
— Por quê você a trouxe aqui?
— Esta é Lili, minha namorada. Por quê não a traria para estar com minha família?
— Arrrh… — resmungou e se afastou e todos no salão começaram um burburinho.
Ele não gostou do comportamento de todos e se soubessem que iriam reagir assim, teria ido para outro lugar com ela. Infelizmente sua casa ainda não estava pronta.
— Desculpe, Lili, não entendo porque agem assim.
— Não se preocupe, estou acostumada.
Ele olhou para ela com a testa franzida, se perguntando se era só sua família ou as pessoas em geral a tratavam assim.
— Como assim, Lili? Por quê está acostumada?
— É assim desde a morte do meu pai. Ele falou para a cidade toda que eu era uma vadia e depois morreu. Então, o povo entendeu que era verdade e que ele se matou por desgosto.
— Mas você não se defendeu, porquê ele te acusou assim?
— A surra que ele me deu, quase me matou e fiquei em coma por meses, nem vi o enterro. Quando saí do hospital, estava preocupada demais em sobreviver, para me preocupar com os boatos.
Ele ficou pensativo, ainda havia algo que não encaixava, mas não era o momento para trazer à tona fatos do passado. Ficou ao lado dela o tempo todo e quando ia dar meia noite, um dos garçons entregou a ele um pratinho com um pequeno panetone, ele não chamou a atenção de ninguém, apenas se ajoelhou e estendeu o panetone para ela, retirando a tampa, revelando o lindo anel de brilhantes, no interior e perguntou:
— Você é a mulher da minha vida, Lili. Quer casar comigo?
Ela ficou tão emocionada, que não conseguiu falar, mas alguém ergueu a voz e falou antes dela:
— Não! Você não vai se casar com essa rameira! — exclamou exaltado, o irmão de Mário.
Mário se ergueu para ficar entre o irmão e Lili, não conseguia acreditar no que o irmão estava fazendo.
— Qual o seu problema, Mick?
— Ela te traiu, Mário. Não acredito que você queira se casar com uma mãe solteira?
Mario ficou sem resposta. Lili tinha um filho e não lhe falou nada? Ele se virou para olhá-la e encontrou seus olhos azuis olhando para ele, em expectativa.
— É verdade, Lili? Você teve um filho?
— Sim.
— Por quê não me contou?
— Ia contar esta noite.
— Belo presente você tinha pra mim…
Ela franziu a testa, não acreditando que ele estava duvidando dela. Ela tinha dito a ele que não houve homem algum depois dele e mesmo assim, agora, ele estava duvidando da palavra dela, acreditando nas mentiras do irmão que nem a conhecia. A decepção a invadiu junto com a tristeza e ela fez que não com o rosto e se virando saiu, não olhando para mais ninguém.
Mário demorou alguns minutos para cair em si, enquanto todos o olhavam, esperando sua reação. Finalmente ele despertou e colocou o prato com o panetone e o anel sobre uma mesinha, saiu correndo atrás de Lily, mas não a encontrou mais. Como ela conseguiu ir embora tão rápido, se ela veio com ele e não havia táxi na rua? Perguntou ao Mordomo:
— Você viu como minha namorada conseguiu ir embora tão rápido?
— Madame Eloísa deixou um carro com motorista à disposição de quem precisasse sair.
— Minha mãe, porque não estou surpreso?
— O que disse, senhor?
— Nada não, nada não.
Foi para a sala de estar e lá, serviu-se de uma dose de whisky e sentou-se, não queria mais voltar para o salão e ter que encarar todo aquele povo que achava que ele era um imbecil. Refletiu sobre os seus encontros com Lili, seu pedido para irem devagar, toda aquela história com seu pai com a internação durante meses, suas cartas que nunca chegaram e a mentira dela, dizendo que não teve nenhum homem. A não ser que o filho fosse dele, mas sua família não teria se oposto tanto, se fosse essa a verdade.
Estava como um anestesiado, não sabia o que pensar, ou o que resolver de sua vida. A única certeza que tinha era de que amava muito Lili e não queria perdê-la. Mas seria capaz de assumir o filho de outro homem? Talvez, depois de conhecer a criança, até aceitasse. Mas sempre ficaria aquela questão de que esperou 5 anos para casar com ela e ela não foi capaz de esperar por ele.
O tempo passou, a ceia de natal foi servida, todos comeram e finalmente chegou a hora de trocarem os presentes. A família havia feito um amigo oculto, mas ele não participou, então resolveu subir e ir dormir, com a cabeça fria, no dia seguinte, resolveria o que fazer.
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Atualizado até capítulo 28
Comments
Celia Chagas
É agora vai ver que a família dele é muito preconceituosa 😏😏
2024-05-08
4
jaqueline conceição
ele não é babaca,discordo por completo,ele não soube que esteve grávida, ela não contou, é fácil para quem lê dizer isso, ela não se defende não fala a verdade, fica difícil assim,....ela também acreditou que ele não voltaria e ele logo se explicou e contou tudo inclusive das cartas,ela que está se escondendo, ele não é advinho afff fala sério viu
2024-04-05
2
lucivania oliveira
é mais uma vez sendo babaca.
2023-12-04
2