Capítulo 9. Esclarecimentos

No dia seguinte, Lili foi cedo para a confeitaria, seriam dois dias de trabalho ininterrupto e não podia ter nenhuma distração, por isso, deixou Meg em casa com Déia. Tentou esquecer a cena de Mário com aquelas duas patricinhas, sovando uma massa com as mãos enquanto outras eram batidas nas batedeiras industriais, especiais para massas.

Quando chegou a hora do almoço, as diversas massas estavam todas nos copos de papel manteiga, que ainda bem que já eram fabricados em quantidade e facilitavam o seu trabalho. Ela estava fazendo as tortas de frango, que estavam tendo excelente aceitação. Havia feito um estoque de croissants, de diversos sabores, folhados de bacalhau e joelhos de queijo com presunto, com antecedência. Então a novidade das tortas, chegou em boa hora.

Almoçaria e com o auxílio de sua equipe, iniciaria a confecção dos cupcakes, brownies e assaria os panetones que já estariam crescidos, tudo cronometrado para entrar e sair dos fornos, no tempo certo. Para isso, a cozinha contava com diversos fornos. Quem entrava na confeitaria, não imaginava que era tão maior que o salão de atendimento.

A primeira loja de Lili, era muito pequena, a segunda, ela precisou vender a casa que herdou de seu pai, para comprar o imóvel, que foi uma pechincha e era bem maior. Solidificou seu nome naquela loja e a um ano estava no shopping. Comprou ainda na planta, com muita dificuldade, duas lojas e pelo tipo de negócio, conseguiu uma excelente localização. 

Agora está consolidada na cidade, com uma especialidade em cupcakes e panetones, que vendem o ano inteiro, mas só no Natal, tem variação de sabores e coberturas. As vendas foram excelentes e dará para colocar Meg na escola que ela queria. Com cinco anos, é necessário uma boa escola. Chega de creche, agora ela entrará no verdadeiro ensino e aprenderá a ter responsabilidade.

— Ufa! Que dia. Tudo Ok, pessoal? — perguntou ela, ao terminar seu expediente e passar o serviço para o turno que continuaria até o shopping fechar.

— Tudo, chefe! — responderam em uníssono e bateram palmas para ela, que devolveu, agradecendo.

Eram cinco horas da tarde e o aroma da cozinha era delicioso. Especiarias, misturadas a frutas e sementes oleaginosas. Fora todos os outros aromas, faziam daquela cozinha, o melhor lugar para se estar. Mas ela estava cansada e saiu para seu descanso merecido e lá estava ele, Mário, esperando por ela, com uma caneca na mão.

Mário havia esperado um bom tempo, chegou cedo, pois não queria nenhum encontro ocasionado pela sua mãe. Rachel nem quis chamar Lili, disse que recebeu ordens de não interrompê-la de forma alguma, então resolveu esperar. Agora ela estava ali, ao mesmo tempo em que a dupla dinâmica do dia anterior, chegava até ele.

— Oi, Mário, que coincidência, nós nos encontrarmos novamente.

Ele ficou tão aborrecido com a intromissão delas, que não se incomodou em ser mal educado. 

— Olá, com licença. — disse e se aproximou rapidamente de Lili, antes que ela passasse como um foguete e fosse embora sem falar com ele.

Segurou em seu braço, impedindo ela de passar.

— Espere, parece até que tá fugindo de mim.

— Na verdade, eu não sei se devo continuar falando com você, corro o risco de morrer fulminada por aquelas duas. — falou ela, séria.

— As duas Pitbull que minha mãe colocou para me perturbar a vida? — disse ele, olhando para elas e dando um tchauzinho com a caneca na mão.

— Preciso ir, estou muito cansada e não aguento ficar de pé, nem mais um minuto.

— Então vamos, eu te levo.

As duas mulheres não se conformaram em ser deixadas de lado e se aproximaram dele rapidamente.

— Onde você vai, gatinho. Não nos deixe aqui, sozinhas. Sua mãe não vai gostar.

— Desculpe, mas minha namorada é prioridade. Com licença.

Não dava para saber quem ficou mais surpresa, sendo que Lili foi abraçada e levada para fora, até o estacionamento onde estava parado o carro dele. Entrou, ainda no susto e ele saiu com ela, dirigindo o carro como se estivesse fugindo.

Seguiram por um tempo, sem direção, até que Mário perguntou:

— Onde é a sua casa?

— Siga em frente e dobre a direita no sinal, é um condomínio de apartamentos. Pode entrar e parar no estacionamento. — ela achou melhor não contrariar ele.

Chegaram no condomínio e ela se identificou para o porteiro, que deixou o carro entrar, ela o guiou até a área de seu prédio, pois o estacionamento era em torno dos prédios. Assim que parou, ele pediu:

— Me desculpe, por favor.

— O que houve?

— Eu não sei, minha mãe simplesmente resolveu me arrumar uma esposa. Isso está me irritando muito.

— Por isso disse para aquelas duas, que estamos namorando?

— Disse porque é verdade, que eu me lembre, nunca terminamos.

— É verdade. — ela sorriu, aliviada.

— Então, minha namorada, vai me convidar a subir ou vamos ficar aqui no carro congelando?

— Não posso, Mário. Estou muito cansada e não moro sozinha, não quero ter que dar satisfação.

— Quem mora com você? — perguntou ele, cheio de ciúmes.

— É uma senhora amiga, que está comigo há quase quatro anos.

— Entendo…já estava morrendo de ciúmes. Não consigo imaginá-la com outro, fico louco.

— Eu nunca tive nenhum homem, além de você.

— Verdade? Sei que é egoísta da minha parte, mas adorei saber que fui o único e pretendo continuar sendo.

Ele a puxou para si e fez o que tinha vontade de fazer a muito tempo, beijou-a. No início foi só um encostar de lábios, como se estivesse testando a maciez e a aquiescência dela. Quando ela correspondeu a pressão, ele continuou, saboreando e invadindo sua boca e os dois uniram suas línguas em um contato caloroso, sentiram a maciez e mataram a saudade. Eram muitos sentimentos contidos em um único ato.

Foi um beijo longo, de reconhecimento, sim, foram feitos um para o outro. Parecia não ter passado um ano sequer, desde que se beijaram pela última vez, se despedindo e ele foi para a capital do estado. As sensações e entrega, eram as mesmas. Quando se afastaram, seus olhos se encontraram e o amor estava ali, presente como antes, mostrando que se pertenciam.

— Eu te amo, Lili.

— Também te amo, Mário, nunca deixei de te amar. Mas agora, preciso ir descansar. Amanhã ainda tenho muita coisa a fazer.

Foi um balde de água fria, mas saber que ela ainda o amava, valia o esforço de ter que se manter distante, mas só até o casamento, que esperava que fosse assim que os papéis ficassem prontos.

— Está bem, mas amanhã venho te buscar e você será toda minha.

— Não precisa vir me buscar, eu pego um táxi.

— Esqueceu que é véspera de Natal, não terá carros circulando. 

— Tá bom então, até amanhã.

Ele a beijou novamente e com pesar, deixou-a ir. Saiu do condomínio, depois de gravar o endereço no GPS, pretendia voltar ali muitas vezes, não admitia ter que ficar longe dela por muito tempo. Voltou para ficarem juntos, já estavam separados há muito tempo.

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Comments

Celia Chagas

Celia Chagas

Caraca estou odiando essa mãe não quer a felicidade do filho,😕😡

2024-05-08

5

Maria Izabel

Maria Izabel

😂😂😂😂😂😂 As duas najas peçonhentas 🐍🐍 se lascaram

2023-11-02

2

Márcia Jungken

Márcia Jungken

imaginando a cara das duas oferecidas quando ele falou que Lili é namorada dele 🤣🤣🤣

2023-10-30

2

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