Capítulo 20. Confissão

Lili chegou em casa e Mag a esperava, vestindo seu vestido novo para o casamento.

— Mamãe! Olha como tô linda!

— Nossa, filha, você está uma princesa! — pegou a mão da menina e fez ela rodar ao redor de si mesma. — Muito linda, filha, deu certinho.

— Olha o sapato, mãe! Tem laço.

— Sim, é lindo. Mas agora precisa tirar e guardar para amanhã.

— O que tem manhã, mamãe?

— Nós vamos viajar até um lugar cheio de luzes lindas e seu pai e eu vamos nos casar. — Contou Lili, se abaixando para olhar bem dentro dos olhos da menina.

— Ahmmmm — surpreendeu-se Mag, cobrindo com as duas mãos, a boca.

— Ficou feliz, filha?

Lágrimas saíram dos olhos de Mag e ela só balançou a cabeça, consentindo. Se jogou nos braços da mãe, chorando em prantos. Iludido é aquele que pensa que criança não sente falta do pai ou da mãe.  Lili levou-a até o sofá e sentou-se com ela no colo. 

— Pronto, filhinha, agora tudo será direitinho conforme sonhamos. Nossa família toda, morando naquela casa grande linda.

Aos poucos a menina foi se acalmando e Déia passou uma caixa de lenços de papel, para Lili secar o rostinho da menina.

— Pronto, filha. É tempo de sorrir, agora.

— Vou poder ter um cachorrinho, mamãe?

As duas mulheres se olharam e riram. Lili pensou que a filha iria pedir um irmãozinho, mas não, ela queria um cachorro.

— Quando estivermos todas lá, alojadas, veremos se temos condições.

— Mas lá é tudo bem grandão, mãe. Cabe um cachorrinho.

— Não é isso, amor, é o trabalho que dá criar um animal em casa. Agora, vai tirar o vestido para não amassar mais.

A menina desceu de seu colo e foi andando devagar para o quarto, pois não queria amassar seu precioso vestido. As duas seguiram a menina e depois foram experimentar os seus e comprovando que ficaram bons, lancharam e foram dormir, o dia seguinte seria muito longo.

*

Mário continuou a dura conversa com seus pais. Precisaria que eles desfizessem toda a confusão que a tal Laura fez, na vida familiar.

— Agora que você começou, filho, conte o que sabe. — pediu Nestor.

— Fiz uma pesquisa sobre os pais de Lili e sobre a tal Laura. Os pais de Lili, se casaram depois do nascimento de Laura, Lili nasceu um ano depois e se o pai dela quisesse ficar com a mãe de Laura, não havia impedimentos. Quanto à mãe de Laura, era uma prostituta, que tinha várias passagens na polícia por estelionato. Vivia de dar o golpe da barriga, então Laura talvez nem seja irmã de Lili e tenha sido enganada pela própria mãe. Aliás, ela morreu de sífilis, bem antes do pai de Lili se afogar.

— Meu Deus! Mas isso é muito grave, filho. Será que essa jovem se fez passar por coitadinha esse tempo todo, só para nos enganar?

— Pensa bem, mãe. A mãe de Lili morreu quando ela ainda era nova e o pai dela precisou criá-la, sozinho. Com uma criança pequena, menina, precisando de uma mãe, porque ele não casou com a mãe de Laura?

— Porque não quis… — concluiu Nestor.

— Exatamente. Essa história da Laura não tem fundamento e implicou com meu relacionamento com Lili, por mera vingança, é muito baixo. Será que ela ama mesmo o Mick, ou se aproximou dele para se vingar de Lili, que nem sabe da existência dela?

— Essa é uma acusação muito séria, filho. — disse Nestor.

— Foi só uma pergunta, mas vocês estão tão crédulos sobre a inocência dela, que ainda duvidam.

Os dois ficaram sem respostas. A questão não era acreditar na inocência da noiva de Mick, mas aceitar que foram enganados durante todo aquele tempo e fizeram mal a quem era a verdadeira inocente da história.

— Mais uma coisa, antes de eu ir embora. Eu vou me casar com Lili em uma cerimônia íntima e não chamei ninguém da família, para não causar o constrangimento que estou causando agora. Não quero ninguém obrigado a aceitar meu casamento. Para mim e para Lili, o importante é estarmos juntos, finalmente. Boa noite.

Terminou de falar e levantando-se, saiu, deixando o casal ali, meditativo. Os dois se olharam e reconheceram que cometeram grandes erros de julgamento, que precisariam tirar a limpo aquela história e dar o que merecia a cada uma de suas noras.

Neste instante Mick chegou com Laura e sentaram-se, próximos aos pais dele.

— O que houve, mãe, pai? Mário saiu daqui e vocês estão com essas caras de quem comeu e não gostou.

— Seu irmão nos contou algumas coisas sobre a família de Lili. — disse Nestor.

— Essa história, de novo? O que foi que aquela cobra venenosa inventou, agora? — falou Laura, irritada.

— Ela não falou nada. Laura. Acalme-se e você, Mick, apenas escute. — disse Elisa.

— Onde vocês dois se conheceram? — perguntou Nestor.

— Nos esbarramos no velório do pai da Lili. — contou Mick, sorrindo para Laura.

— Ela te contou sobre a mãe dela?

— Só que havia morrido de desgosto por causa do pai. Por quê essas perguntas? — olhou para Laura e percebeu que ela estava inquieta e de cabeça baixa.

— A mãe de Laura era prostituta e vivia de dar o golpe da barriga, morreu bem antes do pai de Lili, de sífilis. — Nestor aproveitou para expôr tudo que Mário havia contado e Laura iniciou um choro, encolhida no assento.

— É verdade isso, Laura? Quero ouvir da sua boca.

Ela se ergueu raivosa e olhou para os três, percebeu que não adiantava mais esconder a verdade e desabafou:

— Quer saber? É verdade sim, mas minha mãe sempre me disse que ele era meu pai, então tentei me aproximar dela, mas ela era toda nerd e certinha e não me aceitou. Como se não bastasse, começou a namorar um riquinho bonitão. ELA NÃO MERECE! EU QUE DEVERIA TER TUDO E NÃO ELA! — gritou descontrolada.

— Calma, amor, você tem a mim. — tentou consolá-la, Mick.

— Você? Você é um nada, um banana. Eu tenho nojo de você. Quer saber? — tirou o anel de noivado do dedo e jogou sobre ele — pode ficar com seu anel, com seu noivado e quer saber, nem virgem eu sou, tenho um namorado de quem gosto de verdade, adeus, seu idiota!

Saiu pela porta afora e ninguém tentou impedir.

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Comments

Andrea Souza

Andrea Souza

e aí babaca??? brigou com o irmão e defendendo essa cobra... e por fim foi corno o tempo todo....

2024-10-18

1

Marlene Souza

Marlene Souza

pois é, dá pra enganar pouca gente por muito tempo, muita gente por tempo, mas não dá pra enganar todo mundo o tempo todo

2024-09-07

1

viviana Brito

viviana Brito

eitaaaaaa peste além de preconceituoso e cornoooo kkkkkkk essa foi otimo

2024-04-29

3

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