Capítulo 5. Carência

O dia amanheceu ensolarado e o frio deu uma trégua, animando todos a completar suas decorações de Natal. Lili aproveitou para decorar a sua loja também. Havia feito um calendário de Natal, com quadradinhos de biscoito e Meg estava comendo o biscoito de cada dia que passava. 

Faltavam oito dias para o grande dia e todos os funcionários se vestiram de duendes e estavam colocando muitos enfeites de galhos e flores artificiais, nas paredes e umbrais, ficando tudo bem colorido. A vitrine estava enfeitada com luzes pisca pisca e diversos panetones confeitados com motivos natalinos. Em cada mesa, havia um arranjo com uma pequena árvore de Natal.

Meg pulava festejando por todo lado e quando a loja abriu, ela foi a atração, vestida com seu vestidinho vermelho de mamãe Noel, no caso, filhinha Noel. Muitos clientes queriam tirar foto com ela e quando Mário entrou, entre uma mesa e outra, ela corria com uma caneca de chocolate quente na mão. Ainda bem que estava pela metade, porque a pequena trombou mais uma vez com ele, lhe dando um banho de leite com chocolate.

— Meg!!!! — Rachel gritou, ao ver o terno de Mário, escorrendo a mistura.

Como sempre, a menina saiu correndo sem sequer se desculpar e foi Rachel quem limpou o paletó do terno do advogado, que se irritou, pois queria estar perfeito para se encontrar com Lili. Pensando nela, ela chegou, vindo da cozinha.

— Soube que ocorreu um acidente por aqui.

— Exatamente. Eu não sei porque meus encontros com Mag, são sempre desse jeito, com trombadas. 

— Quantas vezes já trombou com ela? — perguntou Lili.

— Essa foi a terceira.

Lili arregalou os olhos, olhando para Rachel, dizendo algo sem palavras, que só elas entendiam.

— Parece até que se atraem… — disse Rachel, implicando com a amiga.

— Acho que está bom, Rachel, obrigada. Pode me servir um café com croissant de queijo com presunto. — pediu Mário, indo sentar-se e puxando Lili pelo pulso.

Os dois sentaram-se e Rachel trouxe o pedido dele e para Lili, um chocolate quente, cheio de mashmelows.

— Você gosta mesmo de doces, lembro que sempre comprava caramelos pra você.  — lembrou ele, sorrindo.

— É verdade, eu amava comer pipoca salgada, chupando o caramelo. Era fantástico. — ela sorriu também.

Mário ficou observando ela, embevecido. Não tinha como ter outra mulher, como sugeriu sua mãe, só existia Lili, em seu coração.

— Você já pode sair?

— Sim, é minha folga hoje. Rachel é minha gerente e amiga e estipulou que eu tire pelo menos um dia de folga por semana. Vim hoje só para fazer a decoração.

— Que bom que tem alguém cuidando de você e a decoração ficou linda.

— Obrigada, daqui pra frente será uma correria, são muitas encomendas para fazer e pouco tempo.

— Eu preciso fazer uma encomenda, mas preciso falar com minha mãe, pra saber o número certo. Devem ser em torno de vinte e cinco.

— Vinte e cinco? Quando você pretendia fazer o pedido? — perguntou ela abismada com a falta de noção dele.

— Tô falando agora, desculpe.

— Pra sua sorte, sua mãe já encomendou os panetones, serão trinta. Fique tranquilo. — ela riu, sabendo que ele não fazia ideia do trabalho que dava fazer tantos panetones.

— Puxa, é um alívio mesmo. Não tinha ideia de que precisava de tempo para isso.

— Tá tudo bem. Eu já fechei os pedidos e já comecei a fabricação. Gosto das coisas organizadas.

Terminaram seus lanches e saíram. Mário levou-a para o estacionamento, onde estava o carro e abriu a porta para ela entrar, como um verdadeiro cavalheiro. Entrou e dirigiu para o pier, onde ela sugeriu para irem.

— Adorei ver que o dia amanheceu lindo e poderemos caminhar pelo pier. — disse ele empolgado.

— Você parece bem empolgado com nosso encontro! — falou ela, também empolgada.

Há muito tempo que Lili não sabia o que era sentir uma emoção forte e gostosa, como estava sentindo agora. Há muito tempo ela esperava, foram anos sofrendo, para proteger a carreira dele e não deixar que ele voltasse antes do tempo e agora, não sabia nem como se comportar.

— Eu conversei com a minha mãe e ela guardou todas as cartas que escrevi para você. Ela explicou que você estava em coma no hospital.

Pelo visto, a mãe dele não contou tudo a ele. Pensou Lili. Principalmente a parte dela pedir para ela se manter longe de seu filhinho, porque ele não merecia uma vadia como mulher.

— Será bom saber o que você pensava nos primeiros tempos fora de casa.

— São cartas de amor!

— Cartas de amor?

— Claro! Não acredito que você não lembre como eu estava apaixonado! — ele falava empolgado e ansioso, mas segurava o volante com as duas mãos.

Chegaram à orla e ele estacionou próximo ao pier e desceram. A brisa suave era gelada, mas o sol ainda estava alto e o contraste, fez bem a eles. A visão do mar e da praia, com suas ondas banhando a areia branca, trazia bem estar e calma as suas emoções conturbadas, com os corações batendo agitados, por estarem juntos.

Estavam se sentindo como há cinco anos atrás, apaixonados e livres, passeando pelo cais, de mãos dadas, como se o mundo tivesse parado para eles poderem namorar. Ele segurava firme a mão dela, com prazer e medo de que fosse um sonho. Caminharam pelo pier, apenas contemplando a paisagem, cada um sentindo as próprias emoções de lembranças do passado e sensações que há muito estavam paralisadas pelo tempo e pela distância.

— Eu te amo, Lili, e nunca deixei de te amar.

Ela parou e virou-se para olhar de frente para ele, não largou a sua mão mas olhou direto para os seus olhos, frente a frente, face a face, agora era a hora da verdade.

— Como você pode passar cinco anos longe e chegar aqui declarando que me ama?

— Porque é a verdade. Eu fiquei esses cinco anos envolvido totalmente no trabalho, investindo cada centavo que ganhei, para poder voltar e casar com você.

— Você sempre disse que faria isso, mas aconteceu muita coisa que você não sabe e essas coisas em mim, foram me desligando dessa promessa que você fez. Eu achei que você nunca mais voltaria.

— Eu te amo, Lili.

Ela começou a chorar, baixou a cabeça, esfregou os olhos com dois dedos, envergonhada pelo que estava sentindo. Não era possível, que quando finalmente conseguiu uma estabilidade emocional, ele chegasse para bagunçar tudo.

— Você não me ama mais, é isso? — perguntou ele, também com os olhos vermelhos, pelo choro contido.

— Eu não sei o que sinto, eu tranquei tudo aquilo dentro do meu coração, encapei com o sofrimento e agora não sei como deixar sair.

— Eu não sei ainda o que você passou, espero que me conte, para que eu possa entender, mas por enquanto, eu quero te pedir uma coisa: deixa eu tentar abrir esse cadeado que prende seus sentimentos.

— Eu não sei o que pensar, não sei como agir, não sei nem o que dizer, mas desde que você apareceu, tudo o que eu quero é ver você outra vez. Se isso bastar pra você, por enquanto, eu deixo você se aproximar mais de mim.

Ele puxou-a para si e envolveu-a em seus braços. Ele sempre foi bem mais alto que ela e o queixo dele ficou sobre sua cabeça e por um bom tempo, ela ficou ali, aquecida naquele peito que sempre a abrigou e confortou. Agora ele estava de volta e só Deus sabia o que iria acontecer.

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Comments

Celia Chagas

Celia Chagas

A mãe dele foi uma cobra pesoenta 😏😕

2024-05-08

3

Maria Izabel

Maria Izabel

Lili conta tudo para o Mário ele tem o direito de saber que vc é o pai da Meg e tbm o que a mãe dele fez com vc ❤️

2023-11-02

3

Márcia Jungken

Márcia Jungken

espero que Lili conte para ele sobre tudo que passou com a gravidez, até mesmo o desprezo da nojenta da mãe dele

2023-10-30

1

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