Quando, enfim, o casal tomou coragem e entrou na confeitaria, foi logo avistado por Mário, que fechou a cara, chamando a atenção de Lili, que se virou para ver quem entrou e também ficou apreensiva por sua filha. Não sabia o que esperar de sua sogra, por tantas investidas contrárias que fez a ela. Viu-os se aproximarem, um pouco encolhidos, parecendo temerosos.
— Boa tarde, desculpem nossa chegada surpresa, mas gostaríamos de conhecer nossa neta. — disse Nestor, observando o rostinho sapeca de Mag.
— Sei que a tratei muito mal por todos esses anos, mesmo que Mag não fosse filha de Mário, eu não tinha esse direito e peço que me perdoe. — pediu Elise, dirigindo-se a Lili.
Lili percebeu que as pessoas à volta estavam prestando atenção neles e resolveu ceder, convidando eles para sentarem-se à mesa. Nestor puxou cadeiras da mesa ao lado, para se juntar a eles. Sentaram-se e logo Raquel veio perguntar o que queriam, Elise resolveu experimentar a torta de frango e Nestor apenas um cupcake.
— Mag, esses são meus pais, seus avós: Elise e Nestor.
A carinha que Mag fez foi impagável. Ela analisou os dois e franziu as sobrancelhas, analisando se eles mereciam ser seus avós. Pela fala da avó, percebeu que ela não tratou bem sua mãe e não gostou disso. Só não chutou sua canela, porque sua mãe brigaria com ela e por fim falou:
— Minha mãe disse pra não chutá, que é feio.
Os avós não entenderam nada, mas os pais sim e arregalaram os olhos, olhando para a filha.
— Por quê você chutaria seus avós, Mag? — perguntou Lili.
Só então, o casal entendeu que a menina queria chutar eles e também arregalaram os olhos, fazendo Mag rir divertida das caretas que todos fizeram.
— Ela fez mau pa você, mamãe.
— Perdoe a gente, querida. Não sabíamos que você era nossa neta. Fui má, mas peço perdão. Quero tanto um abraço de neta. — pediu Elise, com varinha de cachorro molhado.
Mag olhou para a mãe, pedindo permissão. Lili acenou positivo com a cabeça e Mag, que estava entre os pais, se abaixou, passando por baixo da mesa e saindo entre as pernas da avó, que riu e a suspendeu, sentando-a em seu colo.
— Oi, vovó, sou a Mag, e ele é o meu papai. — falou, apontando para Mário.
— Sim e você parece um pouco com ele e comigo, pois sou a mamãe dele.
— Você é bonita, vovó.
— Obrigada, querida e você também é. Este é seu avô, pai do seu papai. O nome dele é Nestor.
Mag observou ele e estendeu a mão para passar em sua barba grisalha.
— Parece o irmão do papai noel.
Todos riram, pois jamais imaginariam tal coisa. Mag era bem original, sua mente imaginava as coisas de forma inusitada e Mário admirava muito a filha. Ficou quieto observando a interação dela com seus pais, não podia impedi-la de ter essa interação, era importante para seu amadurecimento. Os pedidos chegaram e ele pediu à filha que voltasse ao seu lugar e Mag abraçou os avós e voltou, por baixo da mesa.
Elise olhou para Lili e não conseguiu deixar de perguntar:
— Por quê nunca nos contou?
— Para não atrapalhar a vida de Mário, nosso futuro dependia de seu sucesso. Infelizmente, meu pai fez o que fez…
— Você foi muito mais correta e honrada do que nós. Obrigada. Se permitir, passarei os meus anos futuros remediando o que aconteceu.
— Está tudo bem, nunca me considerei um mártir e soube aproveitar muito bem as oportunidades.
— É verdade, esse lugar é maravilhoso e esse cupcake, uma delícia! — elogiou Nestor, se deliciando com mais um pedaço do bolinho.
— Obrigada.
— Nossa casa está quase pronta e assim que Lili concordar, nos casaremos. A dúvida dela era quanto a aceitação de vocês, creio que não há mais dúvidas, não é, amor?
— E seu irmão?
— Ele está muito arrependido, não imaginava que Mário a tinha tomado, antes de partir. Estava querendo proteger o irmão. — explicou Nestor.
— Proteger, de mim, a vadia com uma filha bastarda. — disse Lili, não resistindo.
— Você está certa, se não soubéssemos que Mário é o pai de Mag, talvez continuássemos sendo preconceituosos. — concordou Elise.
— Creio que é a mentalidade arcaica do povo. As pessoas tendem a cobrar um comportamento moral muito justo dos outros e às vezes esquecem suas próprias mazelas.
— O que é macelas, mamãe? Eu tenho um titio que não gosta de mim?
Só então se deram conta que ela estava prestando atenção em tudo.
— É mazelas e são coisas ruins feitas pelas pessoas. Seu tio não te conhece, então não pode gostar ou não de você. Entendeu?
— Meu tio fez coisa ruim?
— Bom, é melhor mudarmos de assunto, ou essa menininha curiosa, não vai mais parar de fazer perguntas. — disse Mário, batendo com o indicador no nariz da filha.
Todos riram mais uma vez. Nestor olhou para a menina esperta e ficou com pena dos seus outros netos, cairiam direitinho na lábia da menina.
— Só fico imaginando quando ela encontrar os primos. — sorriu Nestor.
— Tenho priminhos, vovó?
— Sim, três.
— Ebá!
— Pelo visto, não tenho escolha, pois Mag já escolheu por nós.
— Então não perderemos mais tempo, casaremos assim que os papéis estiverem prontos. O que acha, Mag, quer conhecer a casa onde vamos morar?
— Uma casa só nossa?
— Sim, só nossa. Com um quarto só seu, jardim e quintal com balanço.
— Obááá!
— Tudo é festa para ela. — disse Lili.
— Então é certo, teremos um casamento no mês que vem? É muito pouco tempo para organizar tudo.
— Nem adianta mamãe, a senhora não vai organizar nada, se não a cerimônia simples que queremos, será uma festa de arromba.
— Quando nós conversarmos sobre isso, comunicaremos a senhora, está bem, dona Elise.
— Só Elise, querida. De qualquer forma, podem contar comigo para o que precisarem.
— E o que não precisarem, também. — concluiu Nestor.
Continuaram conversando, mas Lili tinha que voltar ao trabalho e pedindo licença, retirou-se e levou Mag consigo. Déia já esperava, para levá-la para casa. Mário se despediu da filha e continuou conversando com o pai, precisava prevenir os dois.
— Vocês pisaram muito na bola e deixaram minha mulher e filha, sofrerem por vários anos, sem sequer uma notícia minha. Agora não pensem que vão comandar tudo, como se nada tivesse acontecido. Não sou mais um menino e exijo todo o respeito para com a minha família.
— Não fale assim conosco. Ainda somos seus pais. — disse Nestor.
— A escolha é de vocês, aceitem minhas condições ou sequer entrarão na minha casa. — nem esperou resposta, levantou-se e saiu.
Conhecia bem sua mãe, se lhe desse um dedinho, ela tomaria o corpo todo, isso sem falar de seu irmão, que era outro assunto a ser resolvido.
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Atualizado até capítulo 28
Comments
Celia Chagas
Eita que o homem voltou homem com H maiúsculo kkkk 😁
2024-05-08
5
Márcia Jungken
gostei da atitude do Mário em relação a Elisa, ele precisa colocar um limite neles, já que por conta do preconceito dela Lili foi até chamada de vadia e a Mag de bastarda
2023-10-30
3
Fatima Monjane
é isso Mario 🙋♀️
2023-09-24
3