Capítulo 15. Vovô e Vovó

Quando, enfim, o casal tomou coragem e entrou na confeitaria, foi logo avistado por Mário, que fechou a cara, chamando a atenção de Lili, que se virou para ver quem entrou e também ficou apreensiva por sua filha. Não sabia o que esperar de sua sogra, por tantas investidas contrárias que fez a ela. Viu-os se aproximarem, um pouco encolhidos, parecendo temerosos.

— Boa tarde, desculpem nossa chegada surpresa, mas gostaríamos de conhecer nossa neta. — disse Nestor, observando o rostinho sapeca de Mag.

— Sei que a tratei muito mal por todos esses anos, mesmo que Mag não fosse filha de Mário, eu não tinha esse direito e peço que me perdoe. — pediu Elise, dirigindo-se a Lili.

Lili percebeu que as pessoas à volta estavam prestando atenção neles e resolveu ceder, convidando eles para sentarem-se à mesa. Nestor puxou cadeiras da mesa ao lado, para se juntar a eles. Sentaram-se e logo Raquel veio perguntar o que queriam, Elise resolveu experimentar a torta de frango e Nestor apenas um cupcake.

— Mag, esses são meus pais, seus avós: Elise e Nestor. 

A carinha que Mag fez foi impagável. Ela analisou os dois e franziu as sobrancelhas, analisando se eles mereciam ser seus avós. Pela fala da avó, percebeu que ela não tratou bem sua mãe e não gostou disso. Só não chutou sua canela, porque sua mãe brigaria com ela e por fim falou:

— Minha mãe disse pra não chutá, que é feio.

Os avós não entenderam nada, mas os pais sim e arregalaram os olhos, olhando para a filha.

— Por quê você chutaria seus avós, Mag? — perguntou Lili.

Só então, o casal entendeu que a menina queria chutar eles e também arregalaram os olhos, fazendo Mag rir divertida das caretas que todos fizeram.

— Ela fez mau pa você, mamãe.

— Perdoe a gente, querida. Não sabíamos que você era nossa neta. Fui má, mas peço perdão. Quero tanto um abraço de neta. — pediu Elise, com varinha de cachorro molhado.

Mag olhou para a mãe, pedindo permissão. Lili acenou positivo com a cabeça e Mag, que estava entre os pais, se abaixou, passando por baixo da mesa e saindo entre as pernas da avó, que riu e a suspendeu, sentando-a em seu colo.

— Oi, vovó, sou a Mag, e ele é o meu papai. — falou, apontando para Mário.

— Sim e você parece um pouco com ele e comigo, pois sou a mamãe dele.

— Você é bonita, vovó. 

— Obrigada, querida e você também é. Este é seu avô, pai do seu papai. O nome dele é Nestor.

Mag observou ele e estendeu a mão para passar em sua barba grisalha.

— Parece o irmão do papai noel.

Todos riram, pois jamais imaginariam tal coisa. Mag era bem original, sua mente imaginava as coisas de forma inusitada e Mário admirava muito a filha. Ficou quieto observando a interação dela com seus pais, não podia impedi-la de ter essa interação, era importante para seu amadurecimento. Os pedidos chegaram e ele pediu à filha que voltasse ao seu lugar e Mag abraçou os avós e voltou, por baixo da mesa.

Elise olhou para Lili e não conseguiu deixar de perguntar:

— Por quê nunca nos contou?

— Para não atrapalhar a vida de Mário, nosso futuro dependia de seu sucesso. Infelizmente, meu pai fez o que fez…

— Você foi muito mais correta e honrada do que nós. Obrigada. Se permitir, passarei os meus anos futuros remediando o que aconteceu.

— Está tudo bem, nunca me considerei um mártir e soube aproveitar muito bem as oportunidades.

— É verdade, esse lugar é maravilhoso e esse cupcake, uma delícia! — elogiou Nestor, se deliciando com mais um pedaço do bolinho.

— Obrigada.

— Nossa casa está quase pronta e assim que Lili concordar, nos casaremos. A dúvida dela era quanto a aceitação de vocês, creio que não há mais dúvidas, não é, amor?

— E seu irmão?

— Ele está muito arrependido, não imaginava que Mário a tinha tomado, antes de partir. Estava querendo proteger o irmão. — explicou Nestor.

— Proteger, de mim, a vadia com uma filha bastarda. — disse Lili, não resistindo.

— Você está certa, se não soubéssemos que Mário é o pai de Mag, talvez continuássemos sendo preconceituosos. — concordou Elise.

— Creio que é a mentalidade arcaica do povo. As pessoas tendem a cobrar um comportamento moral muito justo dos outros e às vezes esquecem suas próprias mazelas.

— O que é macelas, mamãe? Eu tenho um titio que não gosta de mim? 

Só então se deram conta que ela estava prestando atenção em tudo.

— É mazelas e são coisas ruins feitas pelas pessoas. Seu tio não te conhece, então não pode gostar ou não de você. Entendeu?

— Meu tio fez coisa ruim?

— Bom, é melhor mudarmos de assunto, ou essa menininha curiosa, não vai mais parar de fazer perguntas. — disse Mário, batendo com o indicador no nariz da filha.

Todos riram mais uma vez. Nestor olhou para a menina esperta e ficou com pena dos seus outros netos, cairiam direitinho na lábia da menina.

— Só fico imaginando quando ela encontrar os primos. — sorriu Nestor.

— Tenho priminhos, vovó?

— Sim, três.

— Ebá!

— Pelo visto, não tenho escolha, pois Mag já escolheu por nós.

— Então não perderemos mais tempo, casaremos assim que os papéis estiverem prontos. O que acha, Mag, quer conhecer a casa onde vamos morar?

— Uma casa só nossa?

— Sim, só nossa. Com um quarto só seu, jardim e quintal com balanço.

— Obááá!

— Tudo é festa para ela. — disse Lili.

— Então é certo, teremos um casamento no mês que vem? É muito pouco tempo para organizar tudo.

— Nem adianta mamãe, a senhora não vai organizar nada, se não a cerimônia simples que queremos, será uma festa de arromba.

— Quando nós conversarmos sobre isso, comunicaremos a senhora, está bem, dona Elise.

— Só Elise, querida. De qualquer forma, podem contar comigo para o que precisarem.

— E o que não precisarem, também. — concluiu Nestor.

Continuaram conversando, mas Lili tinha que voltar ao trabalho e pedindo licença, retirou-se e levou Mag consigo. Déia já esperava, para levá-la para casa. Mário se despediu da filha e continuou conversando com o pai, precisava prevenir os dois.

— Vocês pisaram muito na bola e deixaram minha mulher e filha, sofrerem por vários anos, sem sequer uma notícia minha. Agora não pensem que vão comandar tudo, como se nada tivesse acontecido. Não sou mais um menino e exijo todo o respeito para com a minha família.

— Não fale assim conosco. Ainda somos seus pais. — disse Nestor.

— A escolha é de vocês, aceitem minhas condições ou sequer entrarão na minha casa. — nem esperou resposta, levantou-se e saiu. 

Conhecia bem sua mãe, se lhe desse um dedinho, ela tomaria o corpo todo, isso sem falar de seu irmão, que era outro assunto a ser resolvido.

Mais populares

Comments

Celia Chagas

Celia Chagas

Eita que o homem voltou homem com H maiúsculo kkkk 😁

2024-05-08

5

Márcia Jungken

Márcia Jungken

gostei da atitude do Mário em relação a Elisa, ele precisa colocar um limite neles, já que por conta do preconceito dela Lili foi até chamada de vadia e a Mag de bastarda

2023-10-30

3

Fatima Monjane

Fatima Monjane

é isso Mario 🙋‍♀️

2023-09-24

3

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!