Depois de chegarem ao consenso, deram-se as mãos.O padre Bello os avistou unidos e exibiu um largo sorriso.
— Ora, se não são os pombinhos mais lindos por essas bandas!
— Padre, que surpresa! Seja bem- vindo. — Miguel exclamou.
Jane fez questão de acrescentar:
— Estávamos com saudade. Já tomou café?
O inesperado visitante explicou:
— Não, resolvi tomar café com vocês e saber como vai meu casal preferido.
Os dois se entreolharam e sorriram sem graça.
— Apaixonados, padre! — Jane disse, provocando um falso suspiro.
— Ah, que notícia maravilhosa...— O padre olhava de um para o outro.— Mas é só o começo da caminhada! Lembrem -se sempre dos juramentos diante do altar, que fica mais leve ultrapassar os obstáculos.
— Pensamos do mesmo jeito, não é amor? —Jane deu uma sutil cotovelada em Miguel, que disfarçando a careta, voltou-se para Jane e beijou sua bochecha rapidamente. Depois disse, fitando a esposa:
— Sim, até que a morte nos separe!
O homem juntou as mãos num gesto de "amém" e ficou satisfeito com as respostas do mais recente casal das redondezas.
— Vamos à cozinha, padre. França preparou o café. — Miguel o convidou.
—Vamos!
Enquanto se acomodavam, o padre ficou admirado com o cavalheiro Miguel, que afastou a cadeira com gentileza para a esposa sentar e depois fez um cafuné em sua cabeleira castanha.
Ainda mais quando ela agradeceu com carinho, afagando a mão do marido, assim que ele sentou.
Os dois fingiam se amarem e o padre, feliz da vida.
França retorceu os lábios e revirou os olhos em desaprovação. Considerava a encenação dos dois um sacrilégio.
— É... Posso ver que estão muito bem.
Jane e Miguel se olharam com a atuação digna de um "Oscar" e mais uma vez trocaram um selinho.
Logo depois, enquanto tomavam o café, o clérigo perguntou:
— E os negócios da propriedade do seu pai? Quem está tomando de conta?
Miguel não queria tratar desse assunto na frente de Jane, que ao ouvir a pergunta do homem, ficou muito atenta à conversa.
— Tem um administrador lá... Homem de confiança que tem dirigido o trabalho.
— Muito bem. E quando vai voltar? Não está demorado demais? Sua esposa precisa de mais conforto e aqui... — Ele olhou à volta. — Quase nem tem móveis...
— Claro...— Miguel concordou pouco à vontade.— É que estou ajudando em outras lavouras. Este ano foi um desafio para os pequenos agricultores e o senhor sabe que gosto de dar suporte para quem precisa.
— Verdade. Você tem um bom coração, meu filho. — A frase foi dita com uma mistura de admiração e respeito.
Jane franziu a testa, não entendendo nada. Nem imaginava que Miguel tinha interesses altruístas. Pouco peculiar a um bárbaro.
— E a mandioca? Deu pra fazer bastante farinha?
— Sim! A safra deste ano tem sido um sucesso. Estou muito satisfeito com o trabalho de minha equipe.
— Bravo! Sua farinha é a melhor da região! — E olhando para Jane, disse: — Seu marido é excelente nos negócios...
— Ah... Sim... Inclusive vou separar uns quilos para o senhor! —Jane prometeu.
— Agradecido, minha filha.— O padre cada vez mais simpatizava com ela.
Miguel interrompeu:
— Mas padre, mudando de assunto, você veio para ficar mais tempo por aqui?
— Quem dera, meu filho! Tenho outros municípios da ilha para dar conta. É travessia de barco pra cá e pra lá. Já imagino o tempo de chuva que fica tudo alagado.
— Muito trabalho, né padre, mas ainda bem que as comunidades podem contar com seus sermões.
O padre concordou.
Eles continuaram a conversar até terminar o desjejum. Depois o visitante, levantou-se e disse:
— Vou indo, mas antes ainda preciso dar uns conselhos a você, Miguel.
O rapaz nem teve coragem de negar.
— Ótimo, padre!
— E você, minha filha, foi bom revê-la.
— Agradecida, padre. Apareça mais vezes, será sempre bem-vindo! Além da farinha, vou aqui no galinheiro juntar ovos frescos para o senhor.
O clérigo sorriu com tanta bondade e disse:
— Deus te dê muitos filhos, Jane!
O casal trocoi olhares de desconforto. Jane, percebendo que ele aguardava que dissesse algo, exclamou automaticamente:
— Amém!
Os dois homens deixaram a cozinha. Miguel o acompanhou até o extenso terreiro que levava até o portão de madeira para conversarem com mais privacidade.
— Filho, estou preocupado com uma coisa...
— O que foi, padre?
— Os moradores têm comentado que vocês quase não são vistos juntos e isso é estranho... Vim aqui para saber se isso procede...
— Quê? Padre, você sabe como é na roça... É serviço pesado e quando chego, estou muito cansado pra sair.
— Isso então confirma o que andam falando... — A fala do padre saiu arrastada, enquanto ele refletia.
— O que falam, padre? — Miguel ficou curioso.
— Você trabalha demais e não tem tempo pra a esposa!
O rapaz disse num tom desaprovador:
— Esse povo fala demais!
— Pode ser, mas você precisa regar a plantinha do amor constantemente, Miguel! Se não, definha. Ela pode está empolgada agora... Só que você é responsável por manter sua esposa feliz, então tenha mais tempo com ela... Vá a missa hoje à noite, amanhã que é domingo, leve-a para conhecer o vilarejo, passeie de barco pelo mangue, tomem banho no rio...Procure ser criativo, homem!
Miguel coçou a cabeça, prevendo o perigo naquelas palavras.
— Vou providenciar tudo isso. O senhor tem razão.
O padre ficou em silêncio. O olhar era interrogativo em direção à ele.
— Diga-me Miguel, Jane já está esperando filho seu?
Ele levou um novo impacto ao receber a pergunta. Isto porque na cozinha o padre já tinha abençoado Jane com filhos.
—O quê?! Não, padre, ainda é muito cedo...
O clérigo levantou as mãos para o alto e balançando-as, disse:
— Não diga besteiras!
Pegou ele pelo ombro e continuou:
— Homem que se preza tem que pensar no futuro! Os filhos são bênçãos! Creio que cinco ou mais filhos vão fazer sua mulher ser a mais aventurada desta ilha.
— Meu, Deus, padre! Estamos em outros tempos! — Ele se sentia encurralado.
— Escuta aqui, Miguel, você não aprende nunca? Esse é seu segundo casamento! — Falou o padre, exasperado. — Por que você acha que a sua ex-esposa deixou você por outro? As mulheres querem filhos!
— Com todo o respeito, padre, mas ela me deixou porque só pensava em dinheiro ...
" E o outro tinha mais que eu." Miguel quase externava sua vergonha de ter sido traído.
O clérigo não se deu por vencido.
— E que mal há nisso? Elas sabem usar o dinheiro melhor que nós! Compram roupas e jóias para agradar o marido...Não seja tolo!
Miguel, a contragosto, respondeu:
— Certo, Padre! Os gostos de Jane vão ser minha prioridade!
— Agora botei fé! Não perca tempo! — O padre desviou o olhar para Jane que trazia os ovos e a farinha. — Essa mulher tem braços fortes para carregar os seus filhos e, além disso, é bonita e honesta! Não é fácil encontrar mulher assim.
Miguel observava o gingado de Jane transportando cuidadosamente os itens. Engoliu em seco, preocupado com tudo o que tinha que fazer para manter o disfarce.
" Tô ferrado!"
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Atualizado até capítulo 92
Comments
Rita Cassia
Miguel se lascou com o padre kkk
2024-12-05
1
Elisabete Penela
lascou-se kkkkkkkkkk
2025-02-13
0
Elizabeth Fernandes
Padre enxerido, fofoqueiro
2024-11-01
1