Manoel, um dos empregados, compadecido com Miguel, que havia ido mais uma vez visitar o túmulo do pai, chamou-o:
— Patrão, esse sol está de rachar! Hora de voltar pra casa.
— Tudo bem! Quero me despedir um pouco mais do meu pai!
Era difícil de acreditar que o perdera por um motivo tão abominável! As lembranças do pai em vários episódios da vida desfilavam em sua mente, tirando a sua paz.
Fitando fixamente o túmulo do pai, afirmou com os maxilares enrijecidos e a voz imperativa:
— Não vai ficar assim! Ela vai pagar! — E com os olhos lacrimejantes, voltou a falar: — Sabe, pai...Em breve terá notícias dessa golpista!
Juca e Manoel o aguardavam pacientemente até que ele entrou na caminhonete, em silêncio.
Enquanto a paisagem verde, com alguns búfalos pastando preguiçosamente pelo campo, passavam rapidamente diante dos seus olhos, decidiu, com sede de vinganca, maquinar seu plano de justiça para subjugar a sua inimiga.
( Imagem meramente ilustrativa)
Em alguns instantes chegaram na casa que antes era o refúgio de paz do seu pai. Voltando-se para seus homens, falou:
— Tenho uma missão para vocês!
— Opa, demorou! — Juca, disse.
— Estamos juntos! Do que se trata, Monteiro? — Manoel perguntou, empolgado.
—Quero que vocês descubram quem é essa Jane e não importa quanto eu tenho que gastar... Hoje mesmo quero essa infeliz aqui, porque vou fazer o que meu pai queria...
Eles se entreolharam com olhares raivosos também como se fossem contaminados pela mesma sede de vingança.
— Você quer que ela venha viva ou morta?
Miguel refletiu um pouco. Embora nunca tenha se envolvido com coisas dessa natureza, sabia que os dois homens a sua frente eram tão obedientes que fariam qualquer coisa para amenizar a sua dor.
Até que matá-la não era má ideia, mas queria fazê-la sofrer, humilhar-se, implorar por perdão... Depois, sim, quem sabe se não a faria ter o mesmo destino do pai.
— Traga-a viva! Vou casar com ela à força para que ela engula a mentira que criou e pague todo o dinheiro que o meu pai de boa vontade deu a ela.
Os homens se olharam de novo, achando que o chefe deles tinha enlouquecido. Manoel argumentou:
— Mas, chefe isso é meio arriscado no dia de hoje, ela pode denunciá-lo e tudo pode se virar contra você!
— Pois tratem de se certificar que isso não vai acontecer... O resto, deixa que é por minha conta! Amanhã mesmo ela será forçada a casar comigo e vai se arrepender amargamente por tudo o que fez a meu velho!
Eles aquiesceram e Juca respondeu sem hesitar:
— Pois pode contar conosco!
Enquanto isso em Belém...
Jane passou a tarde embalando suas coisas em caixas que conseguiu num supermercado. Ainda não sabia onde ia morar, mas estava criando coragem para pedir dinheiro para seu ex-namorado tentar abrigo na casa dele até que encontrasse outro emprego.
Era algo humilhante, mas pelo menos era a única pessoa com quem podia contar.
Jane abriu a geladeira e viu que não tinha mais nada. Sua barriga começou a roncar. Suspirando resolveu dormir cedo para enganar a fome.
Já estava se encaminhando para o quarto, quando ouviu algumas batidas na porta. Ficou surpresa já que não reconheceu de quem era aqueles toques.
— Já vai! — Gritou, ao ouvir que a pessoa insistia.
Abriu a porta e estranhou o fato de um entregador de pizza estar em sua porta.
— Boa noite! Você é a Jane ?
Ela ficou estática sem saber o que dizer. Ele tornou repetir. Ela então saiu do transe:
— Oh, desculpe, Boa noite! Sou sim!
— Pizza para você, Senhora!
Ela arregalou os olhos. Já ouvira falar em milagres e aquele veio em boa hora, mas não podia aceitar.
— Não...Deve ser outra Jane...
— Você é Jane Farias, não é mesmo?
Ela ficou impressionada. Seria um presente do ex-namorado?
— Senhor, não fiz pedido, deve ter algum engano... Quem fez o pedido?
— Nao se preocupe! É por conta da casa.
Realmente era um milagre. A barriga roncou novamente.
Antes que o homem mudasse de ideia, pegou a embalagem.
— Muito obrigada! — Disse já tentando fechar a porta.
O homem a interrompeu:
— Jane, peço um favor...
— Claro! — Sorriu com simpatia. O homem parecia de confiança.
— Só um copo de água. Estou com muita sede!
— Tá bom. Vou pegar!
Ela foi falando e abrindo a embalagem. O cheiro da pizza entrou em sua narinas, arrancando-lhe um longo suspiro. Entregou o copo d'água ao rapaz e sem resistir, meteu uma fatia quase inteira dentro da boca, suspirando cada vez que mastigava:
— Delícia!
O homem sorria.
Ela pegou o copo da mão dele. Em fração de segundos sentiu o corpo ficar dormente. Levantou a cabeça para perguntar algo para o homem, mas os pensamentos ficaram embaralhados, a vista pesada, e antes que gritasse por socorro, apagou.
Quando acordou, percebeu um balanço estranho característico das viagens de barco. Tentou se mover, mas percebeu que estava com as mãos e pés amarrados em uma corda.
Apavorada, olhou em sua volta e viu que realmente estava numa embarcação.
Já ouviu falar muito em tráfico humano.
Talvez foi sequestrada para tirarem seus órgãos ou virar prostituta em algum lugar no exterior.
Podia ter sido tudo planejado por Joana, como pagamento do aluguel.
Abalada, gritou por socorro. Não demorou muito, viu dois homens se aproximando. Um deles reconheceu imediatamente. O homem da pizza. Seu semblante mudara. De gentil, havia ali desprezo.
— Quem são vocês?! O que querem comigo?
Jane tentava se encolher no chão frio da madeira suja e cheirando a peixe da embarcação.
— Você tem uma dívida com o nosso chefe! — Juca disse, com frieza.
— Não! Não! Sou inocente! Deve ter algum engano!
— Cala a boca! — Manoel gritou e dirigindo-se para o parceiro, falou: — Juca, é bom amordaçar essa aí, se não teremos problema!
O homem truculento, pegou a mordaça e com força deixou-a também sem poder falar.
— Muito bem, agora escute, moça! Você não vai nos decepcionar! Então seja boazinha e comporte-se como uma noiva ansiosa pela lua de mel, pois amanhã você vai casar com Monteiro por bem ou por mal.
Jane estava com os olhos quase sacando de horror. Aquilo era uma notícia terrivelmente assustadora. Vasculhou na mente quem era aquele tal Monteiro e porque queria forçá-la a casar com ele.
Então a ficha caiu: Vivian!
Como um relâmpago, lembrou das conversas dela. Agora fazia sentido. O velho com quem iria se casar cumpriu com sua ameaça, só que para seu azar, ela seria a vítima. "Oh, Deus! Não quero casar!" gemeu, em choque.
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Atualizado até capítulo 92
Comments
Euridice Neta
Eita Jane aguenta que lá vem bomba, babado e confusão e casamento forçado...
2024-09-18
1
Simone Costa
No livro do o último virgem, não vi nenhum erro de português, mas esse já li vários. Será que é outra pessoa quem está digitando? O que está acontecendo?
2024-08-03
4
Gecilene Santos
coitada espero que ele se apaixone por Jane e não faça ela sofrer,Jane tem que falar a verdade pra ele
2024-05-15
4