Mais tarde, Miguel encarava Jane com os olhos estreitos e as narinas dilatadas, bufando de raiva.
Com o dedo em riste, ameaçou:
— Sua golpista de uma figa! Você nunca mais me envergonhe desse jeito!
Jane ficou imóvel, o semblante assustado. Ia deixá-lo desabafar primeiro. Era necessário cautela para não piorar a sua situação.
— Já avisei pra você: casará comigo nem que eu tenha que levá-la amarrada pra o altar!
"Isso é um absurdo!" Ela pensou.
Abaixou a cabeça e tentou se controlar para não explodir. " Você não me conhece, demônio!"
Infelizmente, não podia mais se recusar a casar com ele. Não após saber que ele como vingança podia, quem sabe, matar a sua família.
Mesmo assim, com voz baixa, defendeu-se.
— Foi por instinto... Eu não imaginei que fosse casar assim e sem ter feito nada para merecer isso!
Essas palavras foram uma ofensa para ele.
— Mentirosa! Se não fosse você, o meu pai estaria... Vivo! — A última palavra foi dita com tristeza.
Ele se virou para que Jane não o olhasse no seu momento de fraqueza.
Ela compreendia a dor dele, mas Miguel precisava entender:
— Sinto muito pelo seu pai! Eu… Eu vou pagar essa dívida... Mas continuo a afirmar: a minha prima foi quem enganou o seu pai.
Miguel se voltou para ela novamente, sem nenhum tipo de compaixão.
— Não acredito em você e por conta da sua fuga idiota peguei um sermão do padre! Para ter uma ideia hoje serei obrigado a casar numa igreja lotada! Sabe o que isso significa agora?
— N-Não.
— Teremos que fingir estar apaixonados perante o padre e todos deste vilarejo!
— Oh, não! — Jane gemeu, derrotada.
— É isso! Então nada de choros e nem de sumiços! Eu até tive que gastar com você! — Ele falou revoltado.— Vai ser um casamento caro e claro, isso só aumenta a sua dívida!
— Você está sendo injusto! Não pedi para você fazer nada!
— Não, você não pediu, mas é a responsável por todo o tipo de desgraça que está acontecendo comigo, então, de agora em diante, Juca e Manoel serão meus olhos quando eu não estiver por perto. Será vigiada até quando estiver dormindo!
— Seu imbecil obsessivo! Eu te odeio! — Ela não se conteve.
Ele aproximou-se, ameaçador.
— Bom saber que temos uma coisa em comum, porque te odeio mesmo antes de ter visto você pessoalmente!
Os dois trocavam farpas com os olhares enfurecidos.
Nesse instante, alguém os interrompeu, batendo na porta.
Olhando os dois tão perto como se fossem se beijar, Juca apareceu meio sem jeito, desculpando-se.
Miguel respirou profundamente antes de deixar de encarar Jane e deu um passo para trás.
— Pode entrar, Juca. Alguma novidade?
Ele olhou para Jane, que deu de ombros e afastou-se.
— Sim, a capela já está pronta, o bolo sendo feito e as mulheres estão aí preparando o banquete.
— Que desperdício! — Ela reclamou, indignada.
Os homens a ignoraram completamente.
— E o vestido? – Miguel retomou.
— Bem, a sua noiva tem que experimentar pra ver se precisa fazer ajuste. Se quiser eu a acompanho até a loja.
— Faca-me esse favor! —Ele disse, com a intenção de irritá-la.
— Hum! —Jane exclamou, com desprezo.
— Além disso, a equipe do salão de beleza vem à tarde!
Ele só para provocar mais uma vez, disse entre risos!
— Nem maquiagem dá jeito nessa aí!
"Agora ele queria briga! "Jane pensou, irritando-se.
— Você está me chamando de "feia"? Já se olhou no espelho? Parece um gorila cheio de pelos!
Ela se sentiu vitoriosa, ao ver o sorriso dele dando lugar à raiva de novo.
Juca interviu:
— Parem os dois! Lembre-se que tem gente de fora aqui. Se escutarem essa gritaria, o que vão dizer? Vamos se aquietar aí!
Os dois continuaram a se olhar com raiva. Depois, Jane virou a cara e resolveu ir para o seu "quarto-cativeiro".
À noite, era a hora do casamento.
Pela vida da sua família faria o sacrifício de casar com aquele odiável homem.
Diferente da noite anterior, havia várias lâmpadas decorativas, enfeitando a frente da capela.
Suspirando, lembrou das palavras de Juca, enquanto escolhia o vestido.
Teria que parecer feliz.
Não era boa atriz como a bandida da Vivian, mas tentaria fazer o melhor possível.
Levantando a cabeça, escolheu um falso sorriso e entrou na igreja.
Com surpresa, observou que dessa vez havia marcha nupcial e Manoel acompanhou-a até o altar.
O local estava todo ornamentado de flores. Pessoas desconhecidas levantaram-se de seus assentos e suspiravam ao ver a linda noiva que entrava "triunfante".
Miguel teve um desconfortável impacto ao ver Jane entrar na capela como uma verdadeira noiva.
O vestido estilo sereia, dava a dimensão exata de como ela tinha um corpo desejável. Devia ser uma mulher perfeita na cama.
( Imagem meramente ilustrativa. )
" Nossa, mãe! O que foi que eu fiz?"
Odiou-se por vê-la de outra maneira que não fosse apenas uma mera golpista e repreendeu-se mentalmente ao pensar em fazer amor com ela.
"Jamais! Ela é a assassina do meu pai!" Esforçou-se em lembrar.
O clérigo, satisfeito, deu uma piscadela cúmplice para ele e em pouco tempo a noiva chegou ao altar para ser entregue ao seu futuro marido.
Ele começou a cerimônia.
Jane e Miguel tentavam a todo custo esconder o incômodo de estarem tão próximo.
Era possível ouvir as suas respirações aceleradas além do normal.
Momentos depois, após a troca das alianças e o tradicional "sim", a cerimônia finalizava com a palavra final do padre:
— Pode beijar a noiva!
Jane olhou para Miguel.
Mais uma vez, teve vontade de escapulir, mas na entrada, Juca estava de plantão para evitar qualquer incidente.
Voltou -se para o noivo.
" É o jeito beijar esse repugnante vingador! "
Os braços de Miguel puxaram-na pela cintura e ela apoiou as suas mãos nos ombros dele.
Os rostos foram se estreitando e em seguida sentiu os lábios firmes de Miguel tocarem os seus lábios macios.
De início, estavam hesitantes, mas em segundos, Jane percebeu estar entregue nos braços de Miguel, que numa maneira incrivelmente gentil selava o matrimônio com um beijo...Hum...Maravilhoso!
As palmas dos presentes ecoaram na capela e nem assim, importaram-se.
Naquele momento "o ódio foi dar um passeio" para que se entendessem na forma mágica de pela primeira vez sentirem "um desejo" que até então surgiu sem pedir licença.
O beijo estava crescendo para proporções já não adequado a uma capela cheia de gente. O padre, sem graça, interrompeu com a voz grave:
—Tá bom, meu jovens, depois vocês continuam.
A risada foi geral, enquanto os noivos voltavam a disfarçar os seus impulsos ocultos. Ai, ai!
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 92
Comments
Rita Cassia
o ódio foi passear kkkk
2024-12-04
1
Rita Cassia
ele precisa investiga pra saber a vdd
2024-12-04
1
Elizabeth Fernandes
Esse cara é um crápula tinha que investigar pra não se arrepender
2024-11-01
1