Miguel sentiu o coração badalar com força, enquanto ela sumia para dentro da casa. Mistura de desejo e ódio. Ele bufou:
— Essa mulher vai me causar problema!
Juca e Manoel nem ousaram comentar.
Minutos depois, Jane estava terminando de tomar café, quando Miguel apareceu na cozinha.
— Como prometi, depois do almoço levo você pra comprar roupas.
Os olhos dela brilharam.
— Graças a Deus! Não suporto esses vestidos horrorosos!
Ele a olhou com indiferença.
— Não acho feios.
Jane o fitou em desafio.
— Tá! Assim que eu comprar as roupas, dou os vestidos pra você usar.
França estava ouvindo a conversa e não se aguentou. Caiu na risada e Jane a acompanhou.
Ele continuou sério, encarando aquela golpista de uma figa.
Para tirar o foco de sua esposa irritante, dirigiu-se para França.
— Ô França, pede pra seu marido falar comigo, tá? É bom ter agua encanada no banheiro de Jane. Ela está sentindo dores nas costas.
— Tudo bem, chefe.
Jane ficou calada. Havia gostado de tomar banho no rio. Que invenção era aquela de dores nas costas? Será que ele estava fazendo isso para não permitir que fosse até lá?
Depois do almoço, os dois foram para o centro comercial do vilarejo. Surpreendeu-se com a variedade de artesanatos feito pelos moradores locais, descendentes dos índios marajoaras. Por cada canto, Jane avistava os bois búfalos e o clima movimentado do ambiente, trouxe-lhe uma grande euforia. Adorava conversar com as pessoas. Por onde passava, queria saber sobre a cultura do lugar.
Miguel imaginava que não iam demorar, mas a mulher era rápida em fazer amizade e achou por bem levá-la logo até um pequeno brechó.
Aquilo a decepcionou.
Não que fosse contra, mas talvez ali não encontrasse o que estava precisando. Virou-se pra ele e desabafou:
— Miguel, aqui não tem roupa nova!
Ele deu de ombros.
— Vai se acostumando. Aqui ninguém liga pra roupas de marca. Compra aqui e pronto!
Jane olhou à sua volta. A dona da loja veio e cumprimentou os dois.
( Imagem meramente ilustrativa retirada da Internet. )
Ela os reconheceu e cumprimentou-os com simpatia. Passou a falar sobre o casamento.
— Não pude ficar na festa, mas a cerimônia foi emocionante. Estava linda!
— Obrigada! —Jane disse, sem jeito.
A moça chamava -se Ana e deu uma cadeira de plástico para Miguel se sentar. Depois confidenciou a Jane:
— Olha, tenho umas roupas aqui que foram usadas apenas uma vez e outras que consegui de doações. Ainda estão na etiqueta! Quer ver?
— Sério? Oh, que ótimo! Mostra pra mim!
Em pouco tempo, as duas conversavam como se fossem antigas amigas. Jane experimentou todas que se agradou, escolheu acessórios, bolsas e sapatos também.
Miguel tentava esconder o desconforto, sentado na cadeira. Observava discretamente cada vez a mulher desfilando com as roupas novas diante do espelho. Alguns trajes pareceram-lhe inadequados por serem curtas.
No íntimo, estava com raiva porque imaginava que ela não ia se agradar de estar num brechó, mas pelo visto, se enganou mais uma vez com a estranha mulher. Ela era diferente da sua ex-esposa ou será que tudo não passava de um disfarce?
Momentos depois, Jane apareceu com um short jeans e uma blusa com a estampa de uma das praias da ilha de Marajó. Trocou a sandália que usava por um tênis e Miguel se remexeu na cadeira com a Jane descontraída num traje bem jovial.
— O que achou, Miguel? — Ela perguntou, enquanto se mirava no espelho.
As pernas de Jane eram torneadas e vê-la no short colado ao seu corpo, atiçou o desejo de Miguel, que para disfarçar, disse:
— Prefiro os vestidos que usava antes.
Jane estava tão satisfeita com a sua imagem que não levou em consideração o comentário do marido.
"Se ele não gostou é porque está bonita."
— Vou voltar pra casa com esse aqui, o restante pode pôr na sacola.
— Tudo bem, linda!
Miguel resmungou. A dona do brechó, riu cúmplice.
— Você tem um corpo divino!
— Obrigada pela gentileza, Ana.
A mulher falou baixinho, enquanto teclava numa calculadora o valor e colocava as compras em sacolas:
— Ele deve morrer de ciúmes de você!
— Imagine! Impressão sua!
A mulher continuou:
— Percebi o jeito dele com aquele olhar de arrasar corações!
Jane sorriu sem graça. Estavam em público, então era difícil saber se ele estava fingindo ou não, mas ficou lisonjeada com o comentário.
Ao saírem do brechó, eles saíram com várias sacolas. Miguel, então, falou com firmeza:
— Creio que nem preciso dizer que é você quem vai pagar pelas suas compras!
Jane tomou fôlego, sentindo sua raiva crescer.
— O quê? Seu pão duro! Por que deixou então que eu comprasse tanta coisa? — Ela estava desolada.
Ele mostrou um sorriso de vingança
— Não sei por que está reclamando... Eram roupas baratas... Não vai fazer diferença na sua dívida!
Jane não perdeu tempo em dizer:
— Eu te odeio!
Ele deu um risinho debochado.
— Vamos, Cinderela, hora de voltar pra casa!
____________________
Assim...
Um mês passou rápido para o casal que por acaso continuava no mesmo teto, brigando feito gato e rato, porém alguém estava disposto a vigiá-los de perto.
Era um sábado e Miguel arrumava-se para ir ao trabalho. Ouviu o latido dos cachorros, anunciando a chegada de visita.
Curioso, espiou pela janela e ficou surpreso. Ouviu a voz do padre, que naquele instante já estava sendo recepcionado por França.
Lembrou-se de imediato da mania do padre em visitar os recém-casados para analisar como estava a vida após o casamento.
Em alerta, Miguel foi vestindo a camisa e, ao mesmo tempo, seguiu até o quarto de Jane. Chamou-a e ela apareceu na porta.
— O que fiz agora? — Ela perguntou em tom de desânimo.
— Não é nada disso, deixa eu explicar... É que o padre acabou de chegar.
Ela sentiu um impacto ao saber que o religioso estava ali, mas disfarçando disse:
— Ah, ótimo, ele vai ficar feliz em saber que vivo dentro de um cativeiro...
— Opa, mocinha, pare com as suas histórias. É muito exagerada!
— Não sou não, mas em todo caso: Espera aí...
Ela pegou o bloco de anotações que estava na cama. Rabiscou o valor para mentir ao padre.
— Esse é o meu preço.
Ele arregalou os olhos.
— É muito... Sua vigarista!
Ela riu, em vingança.
— Não sou a favor de enganar o padre, afinal isso pode me atrapalhar quando eu morrer e chegar lá no céu.
Ele deu risinho de descrédito.
— Até parece que é uma santa. Mentir é o seu talento principal. Aposto que o tinhoso está ansioso por ter você como moradora eterna.
Jane não ficou por baixo:
— Ha! Ha! Ele não é você não?
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Atualizado até capítulo 92
Comments
Rita Cassia
meninas ri muito essa Jane e muito espera cara kkk
2024-12-05
1
Priscila França
🤣🤣🤣
2024-12-31
0
Cibele Wan Der Maas Moreira
/Joyful//Joyful//Joyful//Joyful/
2024-10-19
1