Na fuga, Jane estava na garupa da moto de um jovem desconhecido, indo para um abrigo. Com olhos semicerrados, suspirou aliviada, enquanto recordava como encontrou Luan, o rapaz que a livrara daquele terrível casamento.
Ela lembrou de como estava apavorada e como as lágrimas turvaram os seus olhos, mas num ímpeto de lutar pela sua própria liberdade, correu para longe do homem que de forma declarada a odiava.
Assim que saiu da capela, avistou Luan que passava por ali de moto. Atravessou-se na frente dele.
O rapaz com habilidade, equilibrou a moto e parou, entre assustado e curioso.
Ela simplesmente subiu na garupa e implorou por ajuda.
No caminho foi explicando o que lhe acontecera desde então.
Depois que desabafara todo o seu infortúnio, o rapaz exclamou:
— Nossa! Parece filme essa sua história!
— Contando nem dá pra acreditar! Só não sei como sair da ilha... — A voz saiu triste.
— Olha, se pudesse eu ajudaria! Pena que a única coisa que posso fazer é levar você a um abrigo.
— Um abrigo? Ah! Tudo bem... Fico agradecida! — Jane foi se animando lentamente.
O rapaz continuou:
— Beto é um cara legal, vai ver!
Ele foi freando a moto e por fim, estacionou em frente a um casarão. O jovem disse:
— Só um momento. Vou falar com ele.
Luan bateu na porta e um homem alto, careca e de óculos, abriu.
( Beto. Imagem meramente ilustrativa. )
Os dois começaram a conversar. Eles, enquanto se falavam, gesticulava e olhavam em sua direção. Depois o rapaz a chamou:
— Venha. Jane! Pode ficar aqui!
Ela deu um sorriso de alegria e andou rapidamente até se aproximar dos dois.
O homem ajeitou os óculos e olhou-a com gentileza.
— Vamos, minha filha, seja bem-vinda!
Luan fitou-a passando confiança. Ela agradeceu mais uma vez o rapaz.
— Graças a Deus que você apareceu na hora certa! Obrigada mesmo!
— Não há de quê! Boa sorte, Jane!
Ela acompanhou Beto até um cômodo que parecia uma recepção.
— A história que o garoto me falou é verdade?
— Sim.
— Olha, sendo assim é um crime! Se quiser posso ajudar você a denunciar!
Jane ficou pensativa. Até que poderia fazer isso, mas o que a impedia é que apesar de tudo Miguel tinha razão de estar magoado. Ele perdeu alguém que amava. Não ia conseguir ter paz se o colocasse na cadeia.
" Droga! Sou uma manteiga derretida! "
— Não! Só quero voltar para Belém!
— Ok! Se mudar de ideia amanhã, posso ajudar. Em todo caso, vou providenciar a sua viagem de volta!
— Nem sei como agradecer! — Os olhos dela estavam úmidos.
Ele a olhou com ternura
— Está com fome? Tem ainda um restinho de sopa. Aceita?
Naquele momento, Jane percebeu que a última refeição foi no almoço.
— Puxa! Nem pensaria em recusar, obrigada!
Ele levou-a para um lugar bem espaçoso. Era um refeitório.
— Aqui abrigo todos que precisam e já estão dormindo, mas amanhã você vai ver. É bastante gente! São pessoas que não têm onde comer ou dormir. Do lado direito ficam as mulheres e do esquerdo, os homens.
— Parabéns! O seu trabalho é maravilhoso!
— Obrigado! Agora conta-me, de onde veio e o que faz?
Jane relatou praticamente toda a sua vida para o homem. Nem se conheciam direito, mas conversaram como se fossem velhos conhecidos. Quando olharam o relógio da parede, a surpresa. Já estava tarde e precisavam dormir.
— Bem, minha jovem, foi bom conhecer você. Vou mostrar o lugar que vai dormir.
Ele a levou para a ala das mulheres. Ela se acomodou e pela primeira vez depois de muito tempo dormiu em paz.
Na manhã seguinte, acordou de supetão, ao ouvir a voz de Beto, que exaltado, gritava com dois homens.
Jane reconheceu de imediato as vozes.
Olhou à sua volta, mas as janelas, assim como o quarto da casa de Miguel, tinham grades.
O homem abriu a porta.
Jane já estava encolhida, quando Juca e Manoel entraram violentamente e a agarraram. Ela passou a gritar por socorro. Alguns abrigados vieram ver o que estava acontecendo. Ficavam de longe, pois os homens estavam armados.
— Por que estão fazendo isso, seus brutos! Larguem a moça!
— É melhor você não se meter! — Manoel bradou. — Ela pertence ao meu patrão!
— Miguel enlouqueceu? Nunca imaginei que fosse pegar uma mulher à força!
— Não se trata disso! — Juca respondeu ríspido
— Então prove! — Beto desafiou.
Juca, sem hesitar, pegou o seu celular e ligou para Miguel.
— Tome! O chefe disse que se fosse necessário, ele falaria com você!
Beto pegou vagarosamente o celular. Jane já sabia que ele ia mentir com o nome dela.
Miguel falava e falava. Aos poucos, o homem mudou o semblante, enquanto olhava sério para Jane.
Alguns minutos depois ele devolveu o celular para Juca.
— Jane...— Ele parecia decepcionado. — Sinto muito, mas você precisa ir...
Jane, implorando com os olhos por ajuda, apelou:
— Seja lá o que disse, ele está mentindo! Sou inocente! Por favor, ajude-me!
Ela estava dando trabalho, querendo se libertar, então Manoel encostou o cano da espingarda nas costas dela e disse:
— O chefe disse que se não colaborasse, podíamos matar você!
Beto, então, falou com cautela:
— A melhor forma de sair daqui é pagar a sua dívida.
— Acredite em mim... A dívida não é minha!
Beto travava uma luta interna. Queria acreditar, mas Miguel conseguiu convencê-lo a não se envolver. Se fizesse algo para ajudá-la, ele cortaria a verba que mandava para o abrigo e corria risco de não conseguir suprir as necessidades dos seus abrigados.
— Por favor, não me envolva... Miguel é meu amigo e não posso fazer isso.
Os olhos de Beto eram de sofrimento. Jane compreendeu que era em vão insistir mais. Amolecendo o corpo, deixou-se levar pelos homens. O seu pesadelo recomeçara.
Eles a colocaram na caminhonete e saíram do lugar. Depois em um certo trecho, Juca quebrou o silêncio:
— Envergonhou Miguel!
— Ah, é? Não me diz que ele vai ter que fazer terapia por causa disso...—respondeu, irônica.
Já sem paciência, Manoel resolveu usar a velha tática de pôr a família como possíveis vítimas. Num tom de ameaça, disse:
— Escuta aqui, mulher, se você não casar, vai se arrepender...Ou você casa ou teremos que ir pessoalmente ao Maranhão fazer uma " visitinha" à sua família! Vai se arrepender pela sua imprudência!
Jane mudou de cor. Pelo visto, antes de sequestrá-la, vasculharam tudo sobre a sua vida. Sem alternativa, disse:
— Eu... Eu me rendo, mas deixem minha família fora disso! Agora prestem atenção... Vou encontrar um jeito de colocar todos vocês na cadeia!
Os homens pareceram ouvir aquelas palavras com alívio.
— Tanto faz! O que nos interessa agora é o casamento! Miguel está esperando por você!
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Atualizado até capítulo 92
Comments
joana Almeida lima
Ela não deve ter contado a verdade a esse senhor, do contrário ele não diria pra ela pagar sua dívida.
2024-05-02
9
💚Socorro Miranda🍀
Torcendo para que ela infernize a vida do Miguel 🤭😁😂
2024-03-09
3
💚Socorro Miranda🍀
Morri de rir com essa fuga dela 😂😂
2024-03-09
1