Bianca foi embora sem me perdoar, mas não está tudo perdido. Ela disse claramente para fazer o que eu quisesse. Vou acatar com suas palavras.
— No que está pensando tão profundamente?
— Bianca é claro. — Respondi a Nestor que entrou na carruagem.
— Ela já não deu passe livre para fazer o que quiser? Não fica remoendo o que já passou.
— Eu estou pensando exatamente no que deveria fazer.
— Isso não é óbvio? Grudar nela igual chiclete. Ir para onde ela for, se possível ajudar com alguns favores...
— Mais fácil falar do que fazer.
Suspirei e olhei para fora para ver Ramon se aproximando. Iremos para a cidade comprar roupas para a cerimônia da princesa e para o baile. Vou começar a passar bastante tempo no palácio depois disso, será quando vou tentar ganhar Bianca e de quebra talvez consiga investigar quem é próximo do imperador.
— Nervosa? — Ramon entrou e perguntou.
— Não, estou mais ansiosa. — Não é mentira, apenas o significado que é ambíguo.
— Não faz muito tempo que você saiu da capital e já vai ter que voltar. Você está bem com isso?
— Claro. — Que não.
Troquei um olhar com Nestor que entrou na conversa.
— Ramon vai comprar algo mais além de roupas?
— Não vou, você quer comprar algo?
— Sim, eu quero ir ao mercado das ruas!
O rosto de Ramon não mostrou nenhuma expressão, mas seus olhos ainda pareciam como se estivesse fazendo careta.
— Por que? Não é um local para nobres.
Nestor mostrou uma expressão piedosa que o verdadeiro Nestor teria vergonha de ver em seu próprio rosto.
— Não sente curiosidade pela vida dos plebeus?
— Você está curioso? — Perguntei, pelo que eu sabia Nestor estava mais interessado nos seus bem criados filhos do que em figurantes plebeus.
— De repente estou curioso sobre o mundo.
Ah, entendi. É claro que está interessado na vida dos plebeus, não é pelas pessoas, mas é a curiosidade de explorar o mundo que você mesmo criou.
— Se você quer ir, então vamos. — Ramon falou por fim.
A viagem a cidade foi tranquila, conversamos durante o caminho e a atmosfera dentro da carruagem era bastante confortável e relaxante.
Assim que chegamos desci da carruagem e questionei Nestor.
— O que você espera encontrar no mercado?
— Não sei, comidas típicas? Lembrancinhas?
— Antes nunca havia pensado em explorar nosso território por essa área, mas agora acredito que foi uma ótima ideia. — Ramon falou.
— De fato, seria interessante dar uma olhada com nossos próprios olhos a vida diária das pessoas que vivem em nosso território.
— Nestor está certo, como vamos saber se está tudo realmente bem se não vermos com nossos próprios olhos? — Concordei e Ramon riu.
— Papai é quem costuma vir, mas como o futuro marquês, eu deveria começar a vir também. — Ramon falou e pegou o chapéu que esqueci dentro da carruagem e me entregou. — Vamos, a butique fica logo ali.
A butique era chique com várias roupas a mostra, todos os vestidos que olhei eram lindos. Ramon e Nestor ficaram o tempo inteiro me dando mais e mais vestidos, que com o tempo, eu fiquei tão confusa que não sabia mais o que olhar.
— Que tal este? — Nestor mostrou um azul.
— Ou este? — Ramon mostrou um rosa.
— E aquele amarelo? — Nestor apontou para outro.
— Acho que roxo ficaria lindo em Lara.
E assim, a maior parte das três horas que ficamos na butique foram gastas olhando vestidos, para no final, não ser escolhido nenhum.
— Bom, seria um desperdício não olhar as outras butiques. — Nestor falou pensativo.
— Sim, tem várias por aqui. — Ramon nos guiou para a próxima loja.
— Eu sinceramente pensei que seria mais fácil.
Comentei e entramos na nova butique. Parecia muito igual a outra, até mesmo os modelos dos vertidos. Por isso depois de pouco tempo já estávamos a caminho da próxima.
— Esta parece diferente das outras.
Apontei para a vitrine que mostrava alguns vestidos diferentes do que víamos nas outras lojas.
— Vamos entrar? — Nestor falou já entrando.
A loja era igual as outras.
Apenas com o diferencial de alguns modelos de vestidos.
— O que exatamente a senhorita está procurando? — Perguntou a atendente.
— Hum... — Pensei um pouco e não consegui pensar em nada.
Com a mão no queixo pensativa, eu tive uma ideia.
— Ah, já sei! Me dê algo em que possa desenhar.
A atendente saiu e voltou com papel e uma caneta.
Desenhei o modelo do vestido que eu pensei.
— Vou querer assim. — Entreguei o papel para a atendente e continuei falando. — Vou querer esse da cor verde e nessa parte ponha borboletas.
— ... Certo. Alguma coisa a mais?
Nestor olhou meu desenho e comentou.
— Não seria legal pôr fitas?
— E um pouco de jóias aqui? — Ramon entrou na conversa.
Imaginei e decidi que ficaria bonito com o complemento da ideias dos dois e concordei.
— Entendido. Para quando? — A atendente perguntou pegando um bloco de notas.
Saímos da butique e percebemos que fui a única a comprar a roupa, então voltamos para dentro e os dois meninos escolheram seus ternos.
— Agora é ir para o mercado! — Nestor comemorou.
— Vamos lá! — Respondi empolgada.
Nós três caminhamos quase correndo e tropeçando nos pés um dos outro para a rua comercial que ficava duas ruas abaixo.
— Nossa... — Falei.
— É bem agitado. — Ramon falou observando a rua cheia de pessoas.
— Isso é... — Nestor falou emocionado. — Exatamente como imaginei!
— Vamos olhar mais de perto. — Puxei Nestor e Ramon pelos braços e entramos no meio da multidão.
— Ei, olha isso! — Nestor mostrou uma bonequinha. — Não se parece com Lara?
Nestor mostrou uma boneca de porcelana com cabelos loiros e olhos azuis penetrantes fantasiada de uma espécie de bruxa... Eu acho que é uma bruxa.
— Não, parece com você. — Respondi.
— Isso... Parece com vocês dois. — Ramon analisou a boneca de cima a baixo a rodando em todos os ângulos.
— Olhando melhor se parece com Ramon. — Nestor falou pegando a boneca.
— Sim, olha só o cabelo. — Confirmei balançando a cabeça.
— Mas o cabelos dela é longo. — Ele argumentou, e só então eu percebi que Ramon estava verdadeiramente analisando a boneca para saber com quem ela se parecia.
Nestor também percebeu a seriedade de Ramon e caímos juntos na gargalhada.
— Você realmente... — Nestor deu tapinhas no ombro de Ramon, mas não conseguiu terminar de falar e voltou a rir.
Ramon ficou sem entender porque estávamos rindo, mas sorriu para nós calmo e inocente do fato de ser a piada.
— Algum de vocês vão comprar a boneca? — A vendedora perguntou ríspida.
— Não.
— Sim.
Eu e Nestor respondemos não, mas Ramon disse sim.
— Vai comprar? — Perguntei incrédula, a boneca não era nem mesmo bonita.
— Por que? — Nestor que compartilhava da mesma opinião que a minha perguntou.
— Porque parece vocês. — Ramon sorriu sem saber que estava xingando seus pobres irmãos mais novos. — Vou quer dois, senhora.
Ele conseguiu fazer com que Nestor e eu abrissimos a boca por um tempo, mas logo gargalhamos de novo.
Caminhamos pelo mercado comprando alguns lanches de rua e algumas bijouterias. A tarde chegou e estávamos a caminho de um restaurante quando escutamos um grito vindo de um beco.
— O que foi isso? — Perguntei assustada.
— Não sei, veio dali. — Nestor apontou para um beco.
— Eu vou lá. — Ramon nos entregou suas coisas e correu para o beco, mas Nestor e eu o seguimos.
Quando entramos no beco ele estava vazio, olhando ao redor nós ficamos mais próximos um do outro. Quando Ramon estava prestes a se virar, um homem alto e corpulento apontou uma faca em seu pescoço.
Não muito depois seus companheiros sairam e vimos uma mulher sair do fim do beco sorrindo.
— Oh, que peixes grandes pegamos hoje. — Ela disse rodando uma adaga entre os dedos. — Passem tudo, meus heróis.
Estamos sendo assaltados em plena luz do dia! Não que isso nunca tenha acontecido comigo antes... Mas até aqui?!
— Não acredito que caí nesse truque. — Nestor murmurou.
— Somos dois. — Respondi.
— Quem é você? — Ramon perguntou pegando sua bolsa de moedas.
— Sou alguém. — Ela respondeu e deu um comando para seus amigos.
Eles começaram imediatamente a pegar tudo de nós três. Eles estavam quase pegando as duas bonecas quando Ramon interveio.
— Essas bonecas não.
— Você não entendeu a situação, meu amigo? Tudo é meu agora.
— Pode pegar tudo, menos as bonecas.
A mulher sorriu e pressionou a adaga na garganta de Ramon o fazendo sangrar um pouco.
— Deixe ela levar tudo! — Falei para ele.
Meu Deus o que tem na cabeça dele? São só bonecas!
— Na tenda tinha outras, podemos voltar outro dia e comprar mais. — Nestor lembrou Ramon.
— As outras não se parecem com vocês.
Ramon respondeu simplesmente.
O que há com ele?! Ramon estava firme em sua vontade, não consegui entender os motivos dele querer tanto essas bonecas.
Olhando para o rosto sério dele, lembrei de como era Ramon com seus dois irmãos mais novos. Ele não se expressava muito com palavras, mas suas ações sempre desmontaram seu grande carinho e apreço com Nestor e Lara. Sempre colocando mais das suas comidas preferidas em seus pratos, mimando com presentes aleatórios durante o dia e sempre ajudando mesmo quando não era solicitado.
Um irmão mais velho pior que uma mãe coruja.
Balançando a cabeça, tentei pensar em uma maneira de convencê-lo a entregar as bonecas, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, um homem pegou agressivamente as bonecas das minhas mãos.
Surpresa eu não entendi o que estava acontecendo quando vi esse mesmo homem voando e acertando a parede.
Logo senti ser puxada para trás com Nestor, que junto a mim, assistiu embasbacado Ramon cuidar do grupo de quatro homens e uma mulher armados de mãos vazias.
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Olá~ Quanto tempo, ainda lembram dessa história? Não? Então recomendo ler do início hehehe. Enfim, eu fiquei mais tempo do que o esperando sem postar nada (╥﹏╥) desculpem por isso. E mais desculpas porque agora não vou ter tempo para escrever dois capítulos por semana, minhas aulas começaram e eu quero me dedicar a universidade para poder ter um futuro haha. Então, o que mudou foi o dia que será postado e a quantidade de capítulos. Basicamente será postado todo domingo às 14:00 da tarde! Um beijão para todos vocês (ʃƪ^3^)
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Atualizado até capítulo 58
Comments
Ingrid Ferreira Rodrigues
se eu fosse a Lara, ficaria longe da Bianca e só observaria e me aproximaria de Bernado para colocar a sugestão do inimigo na cabeça dele a final ele é o duck.
Cuidaria da princesa como se fosse minha própria filha.
Até eu conseguir descobrir que é o vilão e bolar um plano para pegá-lo.
2025-01-22
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Ruby
borboletas? parece vestido de criança
2025-02-09
0
Ingrid Ferreira Rodrigues
tô ficando chateada com esse livro, a Lorraine parece tão inteligente, crítica e esperta, mas agora no corpo da Lara está agindo como burra.
essa outra amiga deveria dar bons conselhos mas é outra desajustada sem no ção.
2025-01-22
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