Nestor terminou de contar o passado desse vilão e olhou firmemente para mim questionando.
— O que vamos fazer sobre isso?
— Tem algo que a gente possa fazer para impedir esses desastres? — Perguntei de volta, mas era uma pergunta retórica.
Claro que não havia.
Que poder nós temos para lutar contra alguém que pode usar magia e tem um exército de feras mágicas escravizadas?
Que poder político nós temos para evitar os conflitos entre os reinos? Para começar Sofia só fez um rascunho breve dos acontecimentos principais e até mesmos algumas características dos personagens foram deixadas de fora. O que levou e o que aconteceu depois eram uma incógnita.
Como e por quê nós duas fomos parar aqui era uma incógnita.
— Podemos simplesmente ir para Disio assim que a guerra começar. — Ouvi Nestor dizer me tirando dos meus pensamentos.
— Disio fica de fora de todo o conflito? Esse vilão não quer destruir todo mundo?
— Até onde projetei sim, mas quem sabe o que vai acontecer no futuro? De qualquer jeito é nossa melhor opção.
— Vamos simplesmente assistir as coisas acontecerem sem tentar impedir nada? Não sei se consigo viver de consciência limpa se fizer isso assim. — Suspirei cansada de pensar neste assunto.
— Temos escolha? Também não estou satisfeito. Se ao menos eu tivesse possuído o imperador... — Nestor disse encostando as costas no sofá ficando na mesma postura que eu.
— Você ia tentar impedir a guerra? E a traição dupla?
Nestor rolou no sofá e agitou as mãos na frente do corpo.
— Não sou inteligente o suficiente para sair dessa situação. Retiro o que disse, estou bem como um figurante.
Ri e balancei a cabeça.
— Bem, quanto tempo até a guerra?
Tempo era o mais importante agora. Quanto mais tempo melhor para se planejar.
— Hum, certo. Eu planejei que o segundo livro começasse mais ou menos dois anos depois do fim do primeiro.
— Dois anos. — Estimei que era um boa quantidade de tempo. — Bem, se pensarmos bem, não é impossível mudar o enredo que você planejou. Lara originalmente morre, mas eu estou bem viva.
— Implorar para Bernado realmente funcionou. Ele estava tão zangado que eu pensei que meus esforços foram inúteis.
— O quê?
— Quando cheguei aqui foi muito chocante. Então, me isolei e o resto é toda a história que você já sabe. A Lara me ajudou bastante, ela foi realmente boa comigo quando eu estava em um momento ruim.
A relação familiar de Lara é realmente boa, como ela terminou sendo a vilã que maltrata a protagonista? O poder do roteiro é realmente impressionante.
Mas se eu pensar bem, pessoas boas podem agir de forma cruel. Isso não necessariamente as transforma em alguém ruim. O ser humano tende a ter essas dualidades em suas personalidades quando se deparam com uma insegurança.
Ter alguém que sempre alfineta, mesmo que não intencionalmente, um ponto sensível faz com que a raiva e ódio tirem a lucidez e as pessoas acabam por fazer coisas estúpidas.
Agora, que ponto sensível Bianca afinetava em Lara e gerava insegurança? Não é importante para mim saber.
Lara era apaixonada por Daniel. Posso criar inúmeras teorias e todas vão parecer certas, mas também erradas.
Olhar as história do ponto de vista da Lara, faz com que eu realmente me identifique com ela. Embora se eu chegasse mais cedo e tomasse suas emoções como minhas, nossas ações seriam definitivamente diferentes.
— Eu me senti mal com o fim que dei a ela. A culpa bateu, sabe? — Nestor continuou a falar. — Então, tentei persuadir Bernardo a investigar mais antes de acusar Lara como a culpada.
Olhei para Nestor. Bernardo foi me visitar aqueles dias para investigar a minha culp- a culpa de Lara, mas o que ele fez não foi simplesmente tentar me obrigar a admitir o crime!?
A raiva deve ter nublado a mente dele. Devo agradecer ao Jorge por estar do meu lado naquela época.
Obrigada cachorrinho caramelo Jorge!
— Ah... — Cantei e falei pensativa. — Eu tenho que agradecer ao Jorge de novo quando a gente se ver... Talvez comprar um presente?
— Agradecer a quem? Meu nome agora é Jorge? — Nestor levantou uma sobrancelha.
— Obrigada a você também. — Falei e abracei Nestor. — Ei, escuta meus planos.
— Planos?
— De reparação de imagem.
— Uh boa ideia, a reputação da Lara não podia ser pior.
Franzindo as sobrancelhas contei a Nestor sobre meus planos.
— Esse plano é horrível.
— O quê? Qual parte? — Perguntei surpresa.
— A parte de tentar separar os protagonistas. Ta querendo paquerar a morte? Ótima ideia para um romance e péssima ideia para a vida real. Não ficou satisfeita em morrer uma vez?
— E você tem uma ideia melhor? — Perguntei de mal humor.
— Favores. — Sem resposta, ele continuou. — Seria melhor manter boas relações. O que eu quero dizer, é que você deve entrar no arco de redenção.
— Mas isso já está nos meus planos. — Falei e levantei para pegar a minha carta. — Aqui.
Entreguei a carta para Nestor.
— Pretendo criar uma boa relação com a Bianca.
Nestor balançou a cabeça.
— Do que adianta? Pedir desculpas por tentar acabar com o relacionamento dela e depois fazer a mesma coisa de novo?
— Na minha cabeça era uma boa ideia.
— Você foi cega pela raiva - infundada - pelo Daniel.
— Ei! Não é infundada!
— Tanto faz, o fato é que... — Nestor começou a ler a carta. — Você também é ruim em escrever cartas. Isso era para tentar se desculpar?
— O quê? Vai criticar até a carta? Se acha ruim faz você.
— Sim, é melhor mesmo. — Nestor afirmou com a cabeça, levantou e jogou meu pedaço de papel no fogo. — Deixa comigo.
Ele sorriu.
Nestor era um jovem bonito em seus dezenove anos. Seu temperamento era muito diferente do de Sofia. Enquanto o Nestor original era quieto, na maior parte do tempo frio e introvertido; Sofia era o oposto, ela era agitada, extrovertida e era como um dia de sol na praia.
Estranhamente, a aparência distante de Nestor combinava bem com a personalidade de Sofia. Fazendo com que o jovem na minha frente exalasse um charme refrescante.
— O trabalho é seu. — Falei por fim.
Logo fomos para nossos próprios quartos.
No outro dia de manhã, durante o café, um mensageiro chegou com uma carta do imperador.
O café da manhã foi interrompido e o marquês teve que se ausentar para tratar do assunto referente a carta. Mais tarde a responsabilidade caiu nos meus ombros. Claro que eu era o assunto da carta. Não era algo sério, no sentido de ser perigoso. Era apenas meu futuro como madrinha da pequena princesa.
O imperador chamou o marquês para discutir a data da cerimônia. Eu aproveitei esse tempo para descobrir como essa cerimônia funcionava. Lendo os livros foi fácil entender e estava bem preparada.
Então a ansiedade de não saber o que fazer não me atingiu.
A cerimônia era simples, mas as coisas que vinham com ela eram extravagantes.
Primeiro a madrinha e a princesa iriam para o templo receber a bênção de um sacerdote. As roupas usadas eram um fino tecido branco bordado em ouro. Muito parecido com os antigos vestidos gregos. Depois as duas seguiriam e fariam uma reza, como a princesa é muito pequena, a minha reza valeria por duas. E então, fim.
Eu seria a madrinha da princesa.
Saindo do templo aconteceria um baile para comemorar o fim da cerimônia no Palácio Imperial.
Enfim, tudo isso acontecerá em duas semana. Até lá, roubei alguns livros de etiquetas e com a ajuda de Nestor que conheceu a Lara original, eu me preparei para o evento.
A carta de desculpas ficou pronta e Nestor me chamou para ler.
— Tenho que admitir. É muito melhor do que a minha. — Falei.
Era realmente muito melhor. Ao ponto de eu considerar que Bianca deveria ser muito coração frio para não perdoar Lara.
A carta foi colocada no envelope e celada com cera no padrão do brasão da família do marquês.
A carta foi enviada.
E não muito tempo depois veio a resposta. Bianca respondeu apenas que viria para o território e conversar pessoalmente sobre a carta.
Não muito tempo depois, Bianca chegou.
Em uma sala de visita. Bianca sentava em um sofá e eu em outro na frente. Nós duas separadas por uma mesa.
Chás e biscoitos foram colocados sobre a mesa.
Peguei a xícara e bebi um gole de chá.
— Senhorita Bianca. — Disse com um sorriso.
— Senhorita Lara, vamos direto ao assunto.
Bianca não sorria. Era nítido que ela estava desconfiada dessa abrupta mudança de Lara.
— A carta que lhe enviei diz tudo o que penso. A senhorita Bianca tem alguma pergunta a mais?
— Por que? O que fez mudar a sua mente e decidir que se arrepende?
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Atualizado até capítulo 58
Comments
Ezanira Rodrigues
Ela pode dizer a Bianca que o fato de estar presa numa cela, podendo morrer por um crime que não cometeu a fez reavaliar sua atitudes.
2025-03-13
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Elis Alves
Agora pronto, ninguém pode mudar de ideia, o coisinha.
Ela simplesmente reparou que o tal príncipe não valia muita coisa, 🤷🏻♀️
2025-02-12
0
Elis Alves
Pq Sofia é meio maluquinha pra criar histórias 😅
2025-02-12
1