— Qual a posição dele?
Perguntei e Nestor respondeu com um sorriso. Imediatamente dei um tapa atrás de sua cabeça.
— Você não acabou de dizer que sabia a posição dele!?
— Ai! Eu disse isso, mas eu não quis dizer que sabia a exata posição! — Ele massageou sua nuca e me deu um olhar ressentido.
— Então, o que você sabe?
Nestor suspirou.
— Só sei que é uma alta posição no palácio imperial e alguém de confiança do imperador.
— Oh... isso é muito inútil.
— Não, a gente pode tentar trabalhar com isso! Qualquer informação é bom o suficiente. — Nestor falou pegando outro papel. — Deixa eu dizer como as coisas acontecerão se tudo seguir como no meu rascunho.
Olhei para o papel com textos e setas incompreensíveis para qualquer outra pessoa que não fosse Nestor.
— Bom, tudo começa quando o império, este aqui. — Ele apontou para o desenho de um disco voador na horizontal. — Entra em conflito com este aqui. — Desta vez ele apontou para um desenho de batata.
O desenho era um mapa do continente. O império tinha o formato de um disco voador na horizontal, do Nordeste ao Sudeste eram terras inteiramente costeiras. O Norte e o noroeste faziam fronteira com o dito reino batata. O Sul e o Sudoeste faziam fronteira com outro reino que tinha um formato de uma minhoca gorda. O Oeste não fazia fronteira com nenhum reino, mas sim com uma grande floresta, do outro lado da floresta tem mais um reino com um formato de meio disco.
Todos os quatros reinos faziam fronteira com essa floresta.
— No meio desse conflito, o príncipe Daniel é sequestrado pela capitã do exército dos cavaleiros do reino Doba...
— Você é horrível para dar nomes. — A interrompi.
— O quê? Que mentira. — Ele protestou. — Lara é um nome bonito! Todos o meus filhos tem lindos nomes.
— No máximo o primeiro! O que raios é Vont Devier?
— Livre como o vento! Vont-Vento e Devier-Livre!
— De onde você tirou isso? E Rosário? — Perguntei.
— Ah.. Sei lá, mas pelo menos eu me dediquei em criar nomes com significados. — Ele coçou a cabeça. — Rosário não significa o rosário que a gente conhece, quão estranho seria se fosse? Rosa a flor e Ário-Vermelho. Basicamente significa Rosa Vermelha. Sabe com o negócio das cores dos olhos e tal.
— Sempre pensei que você simplesmente não era criativa na hora de criar os nomes. E Doba?
— Batata doce.
...?
— O nome de um reino é batata doce?
— Você não estava errada em pensar que eu não sou criativo para nomes.
— Como o esperado... Não, deixa isso para lá. Continua a explicação. A capitã cavaleira faz o quê mesmo?
— Ah sim, é mesmo. Daniel se infiltra no exército do reino Doba para conseguir informações, mas ele é pego, torturado, sumido por dias... O de sempre. Bianca e Bernardo vão resgatar ele e tudo parece correr bem, até que BOOM! — Nestor estava se empolgando. — A capitã cavaleira aparece. Forte como uma tempestade, rápida como o vento...
— Só conta logo o que aconteceu! — Interrompi de novo.
Nestor pigarriou e continuou.
— Sem escolha, o Bernardo fica para trás para lutar com a capitã dando tempo para Bianca fugir com o ferido Daniel. Infelizmente a força da capitã era muito grande e Bernardo perdeu a luta e a vida nessa batalha, mas pelo menos Bianca e Daniel conseguiram escapar.
— Você realmente ia matar um dos meus personagens preferidos! — Exclamei indignada.
— Era preciso! — Ele se defendeu.
— Como que era preciso?! Era só fazer aquela capitã não chegar a tempo! Ou fazer ele ganhar a luta!?
— Mas e o clímax?
— Quem se importa com o clímax?
— Os leitores? Além disso, como eu ia acender a chama de vingança no coração da Bianca?
— Matava o Daniel. — Respondi como se fosse a coisa mais óbvia.
— Por que você odeia tanto o meu filho? Ele nunca fez nada de rui... Ele é tão bebê! — Veja como até mesmo você não pode defender!
Bufei dando como resposta dois pares de olhos revirados.
— Sabe o que é isso? Pro-je-ção. — E Nestor ataca o ponto fraco.
— Que projeção o quê Louca? Não gosto dele e pronto.
Tudo bem, em pensamentos eu posso admitir que Nestor não está totalmente errado sobre isso.
— Você está projetando sim! Tu se prendeu totalmente ao início da história e o fato de ele está noivo da Lara e esqueceu de prestar atenção no resto!
— Oh! Falando em início da história. — Mudei de assunto. — Bianca e Daniel mataram uma fera mágica, né?
— Sim. — Respondeu franzindo o cenho.
— Mas isso não é um crime?
— Olha só! Realmente não prestou atenção em nada, né? É muito simples: duas pessoas se encontram em uma situação complicada, coisas acontecem e eles agora compartilham um segredo. E então, com medo do segredo vir a tona, os dois que antes eram estranhos começam a se notar e a se aproximar. Quando percebem então perdidamente apaixonados.
— Ah.
Foi tudo o que consegui dizer.
— Eu sou adepto a clichês românticos.
— Hum.
Silêncio.
— Enfim! Voltando aqui. Depois da chama da vingança ser acendida, Bianca entra na guerra com um desejo voraz pela vida da capitã e depois de um tempo a vitória vai para as mãos de Bianca.
— Esse é o fim?
— Claro que não. Quando o rio pareceu se acalmar o verdadeiro vilão aparece para voltar a jogar pedras na água. Do nada o império é traído e invadido pelo reino que fazia aliança. Esse reino não é ninguém mais do que o reino Miosé. — Ele apontou para o reino que parecia uma minhoca gorda. — Com todas as estratégias de defesa e ataque falhando, só havia uma resposta para isto. Um espião de Miosé se infiltrou no império.
— Esse é o vilão que tem uma alta posição e é próximo do imperador?
— Sim, mas quem no mundo sabe disso além de nós? Ninguém sabia quem era o espião, então brigas internas começaram e o império se dividiu. Sem ter para onde correr, o império caiu e o imperador foi morto.
— Ah... — Essa foi uma notícia estranha, quero dizer, eu me senti estranha ao ouvir isso.
Bernardo, Bianca e Daniel. Eu estava bem ouvindo sobre eles, já que para mim, eles eram personagens de um livro.
Mas o imperador era uma pessoas que eu conheci quando já estava aqui. Não houve muita menção sobre ele além de sua existência no livro. Então, inevitavelmente eu o vejo como uma pessoa real.
E ouvir que uma pessoa que você conhece vai morrer... Não é um sentimento bom.
— O que acontece depois da queda do império?
— Bianca, Daniel e a princesa fogem para a Grande Floresta Mágica. — Ele apontou para a Floresta que fazia fronteira com o oeste do império. — E se refugiam no reino Disio. — Nestor terminou apontando para o reino em formato de meio disco.
— Eles atravessam a floresta? Qual o tamanho dessa floresta?
— Hum... A Grando Flores Mágica faz fronteira com os quatro reinos, então é bem grande. — Ele pensou. — Mas entre o reino Disio e o império é uma distância tranquila, não muito diferente da distância entre o território do marquês Vont Devier e da capital.
— E o que acontece depois?
— Então, nesse meio tempo o grande vilão se vira contra o reino Miosé e derrota o reino sozinho.
Arregalei os olhos. Esse vilão é humano?
— Como? — Perguntei engolindo em seco.
— Ele encontra um jeito de usar magia. Depois de aprender usar magia, ele escravizou todas as espécies de feras mágicas que conseguiu e destruiu o reino Miosé.
— Que pessoa terrível. Qual o objetivo dele?
— Destruir todos aqueles que estão no topo.
— Os nobres?
— E os ricos comerciantes e os templos religiosos. Todos que estão no topo.
— Por que? Passado trágico?
— Claro, que outra razão alguém teria para ser tão sanguinário?
— De alguma forma sinto que nada sobre passado dele vá justificar tudo o que ele fez... Ou vai fazer.
— Na realidade, o passado nunca é uma justificativa e sim uma causa. É muito diferente achar plausível o ódio de alguém e achar justo o que ela faz depois disso. É ainda mais diferente quando está inserido no meio e não apenas lendo algumas páginas.
— Então, ele tem o direito de odiar todos, mas não o de exterminar todo mundo.
— Sentimentos são livres para serem sentidos, mas as ações têm que ter suas limitações. Quão mais terrível seria o mundo se matassemos todo mundo que odiamos? As ruas iam cheirar a sangue e não existiria um dia em que não estaríamos lutando pela vida. Uma verdadeira guerra.
— A carnificina estaria pronta. — Concluí. — Tudo bem, conta aí o passado desse vilão.
Nestor coçou a garganta e deu uma leve tosse cobrindo a boca com o punho da mão.
— Na periferia da capital Jocit do império Uncyertu, uma mãe dava a luz a um bebê. O pai da criança estava exultante de felicidade assim como a mãe, mas assim que a criança nasceu uma briga ocorreu. A criança era muito diferente do pai e muito diferente da mãe. Eles eram muito pobres, então os dois trabalhavam dia e noite. O pai do bebê chegou a conclusão óbvia: adultério.
— Com o seu histórico, deixa eu adivinhar: o pai era realmente o pai do bebê e a mulher nunca traiu o marido.
Nestor sorriu.
— Não, a mulher não traiu o marido, mas o filho não era do pai. Como poderia ser isso? Você já adivinhou, certo? A mulher fazia vários trabalhos e um dia um nobre do sul se interessou por ela, mas ela já era casada. Ele não ligou para isso e fez ela dele. A força.
Claro, não precisa ser um gênio para saber como esse nobre fez a mulher ser dele a força.
— A parte triste é que o nobre perdeu o interesse na mulher logo depois do ato e a abandonou. Ela assustada, enojada e com muita vergonha não ousou contar ao marido.
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Atualizado até capítulo 58
Comments
Ezanira Rodrigues
O Bernardo não pode morrer. Ele será o par de Lara. Quanto ao vilão, pode ser qualquer um que tenha uma boa convivência com o imperador. E todo vilão que se preza, procura não deixar que quem saiba de sua identidade, fique vivo. Eles não. otimamente deixar pontas soltas.
2025-03-13
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Elis Alves
Bom minha tese que fosse o próprio imperador já caiu. Seria o filho, o tal Daniel ou a nora querida, afinal disseram que ela matou uma das criaturas.
2025-02-12
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Elis Alves
Eu concordo, até pq Bernardo parece ser bom e provavelmente apaixonado por Lara
2025-02-12
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