Ouvindo aquelas palavras os pés que estavam presos ao chão se soltaram e eu fui embora.
Aquela foi a coisa mais idiota que eu já ouvi. Sim, era estranho Bernardo ter me visitado. Estava grata por ele ter feito isso e me dado a oportunidade de provar a minha inocência, mas romance? Aquilo era bobeira.
Tanto de um lado quanto do outro era impossível haver sentimento.
Apenas um estranho acontecimento com uma boa conveniência, eu não precisava pensar a fundo sobre isso.
Virando a esquina de um corredor eu vi Jorge parado conversando com alguns guardas ou talvez cavaleiros.
Endireitei minha postura e me aproximei.
— Senhorita. — Ele falou assim que me viu. — Onde estava? Quando fui buscá-la a senhorita já havia saído.
— Apenas dei uma volta. — Falei pedindo seu braço para uma escolta.
Ele me deu seu braço e sorriu. Saimos em direção ao meu quarto, eu espero.
— Já melhorou de sua agitação? Mais cedo a senhorita parecia muito nervosa. — Então você notou! Que belo amigo nem para me consolar.
Com o meu rosto eu devo ter transparecido algo porquê ele começou a se explicar.
— Embora tenha notado sua agitação... Não havia nada que eu poderia fazer, havia? Achei que seria mais consideração da minha parte se fingisse não notar.
Bom, não sei se palavras de consolo seriam úteis naquela hora, talvez me deixassem ainda mais nervosa e irritada.
Por isso perdoei Jorge desta vez.
— Tudo bem, o mordomo também estava tendo consideração? — Jorge balançou a cabeça.
— Creio que ele apenas não se importava senhorita Lara.
Soltei uma risada.
— É, imaginei.
Chegamos ao quarto e Jorge já estava se colocando em guarda ao lado da porta.
— Entre comigo. — Ele me olhou parecendo confuso.
— Quero companhia para o chá. — Falei e ele finalmente entrou.
Sentamos em uma mesinha redonda de frente um para o outro.
Doces de diferentes tipos estavam no centro da mesa e duas xícaras de chá quentes soltavam fumaça.
Jorge tirou seu capacete e colocou de lado junto com sua espada.
— Me diga, sir Jorge. — Falei sorrindo. — Este vestido não é lindo?
Ele franziu a testa.
— Puxando assunto de novo?
— Sim, me responda.
— É bonito, combina com você.
— Realmente. Eu fico linda com esse vestido. Ainda acha que pareço uma bruxa?
— A senhorita tem a estranha habilidade de não importar o quão bonita esteja, ainda parecerá uma bruxa com planos maquiavélicos.
— Sir Jorge é muito sincero. — Qual é? Uma vilã realmente não tem paz mesmo sendo uma beldade.
— A senhorita realmente se arrepende de ter maltratado a senhorita Bianca?
Bebi o chá, apesar de está soltando fumaça não era quente ao ponto de queimar os lábios ou a língua.
"Senhorita Bianca" é assim que todos a chamam. Uma prova da humildade da protagonista que não gostava de formalidades, mas ninguém ousaria ser desrespeitoso o suficiente para chama-la apenas de "Bianca". A solução é chamar de um jeito amigável sem perder o respeito.
— Você me ouviu naquele dia. — Eu disse olhando em seus olhos. — Fui muito infantil e me arrependo. É isso.
— A senhorita amadureceu bastante durante seu tempo presa.
— Tive tempo para refletir. — Sorrindo nós dois bebemos o chá e comemos os doces em uma atmosfera agradável.
— Sir Jorge tem irmãos? — Desta vez eu estava mesmo tentando puxar assunto.
— Sim, tenho dois irmãos mais novos. — Ele falou com os olhos iluminados.
Parecia que todos os personagens tinham boas relações fraternais. Talvez esse fosse o desejo de Sofia se materializando na sua escrita? As relações dela com a família era um assunto muito delicado e, com certeza, ela tinha o desejo de melhorar essa relação falhando todas as vezes que tentava.
— Me fale um pouco sobre a sua família. — Falei sorrindo.
— Bom, eu sou o filho mais velho. Naturalmente as responsabilidades vinham sempre para mim. — Ele falou, embora suas palavras parecessem estar reclamando seu sorriso mostrava que era exatamente o contrário. — Eu cuidava dos meus irmãos enquanto meu pai se ocupava na loja e minha mãe se ocupava em fabricar os perfumes. Minha família tem um comércio de perfumes. Todos eram muito ocupados no começo e era difícil ter a atenção deles as vezes. Eu me sentia um pouco solitário e sobrecarregado. — Ele bebeu um pouco de chá. — Mas depois que a perfumaria começou a se tornar popular as coisas mudaram. Com dinheiro o suficiente para contratar funcionários meus pais tinham tempo para dedicar a nós.
— Isso é realmente bom.
— Com toda a certeza, foi nessa época que comecei a treinar para me tornar um cavaleiro. Não tem como por em palavras como toda a família ficou feliz quando fui aceito. Eu tinha uns quatorze ou quinze anos na época.
— Quantos anos você tem agora?
— Eu tenho vinte. — Por pouco não cuspi o chá. Essa pessoa não é muito nova?! Até Bianca que era a personagem mais jovem da história tem 21 anos... Ta bem, não é tanta diferença assim.
Lara, Bernardo e Daniel todos tem 22 anos.
As diferenças de idade não eram realmente grandes. Então não havia razão para ficar tão surpresa com a idade de Jorge... Eu, Lorrane, não sou velha!
— Ah... Você é dois anos mais novo que eu... Hahaha. — Não, melhor mudar de assunto antes que eu fale algo estranho! — Como são seus dois irmãos?
— Meus irmãos são duas pestinhas! — O sorriso no rosto de Jorge aumentou. — Estão sempre bagunçando e grudando em mim quando estou em casa. São gêmeos, Leonor e Leopoldo. Eles teriam medo de você.
— Ei... Posso parecer uma bruxa, mas ainda sou bonita! Não tem como crianças terem medo de mim. — Me ofendi um pouco agora.
Suspirei, bebi um gole do chá e bufei em seguida.
— Não, definitivamente eles teriam medo de você. — Jorge estava rindo.
— Quantos anos eles tem agora?
— Vão fazer nove daqui a dois meses.
— Eles já estão um pouco grande... Não teriam medo de mim...
Jorge gargalhou.
Esse cara estava rindo da minha cara.
Como ex-professora do jardim de infância, eu realmente não me sinto confortável com a ideia de ser odiada por crianças... Seria o fim da minha profissão!
— Chega, chega. — Falei suspirando e balançando a mão. — Vamos mudar de assunto.
— Sim, tenho uma notícia para a senhorita.
— O quê? — Perguntei curiosa.
— A senhorita vai ficar feliz. Descobri que amanhã de manhã você será enviada de volta para casa.
— Sério?! Finalmente! — Bati palmas de felicidade.
— Sim, iam informar a senhorita apenas quando chegasse a hora, mas é estranho não contar a você sobre isso antecipadamente.
— Verdade, é estranho. Talvez estivessem planejando algo? — Jorge deu de ombros para dizer que não sabia.
— Não sei se planejaram algo, acho que a senhorita deveria se cuidar no caminho para casa.
— Sim, farei isso. Obrigada por me contar.
— Agradeça aos guardas por serem fofoqueiros. — Ele sorriu.
Terminamos nossa pequena festa do chá e organizei as minhas coisa, que eram basicamente nada. Então, na verdade peguei apenas as cartas que escrevi. Queimei os rascunhos e guardei bem a carta de desculpas.
A noite foi tranquila e acordei como sempre: esqueci de fechar a janela a noite e a luz no sol entrou nas primeiras horas da manhã.
Esperei alguma empregada vir me arrumar, mas elas não vieram. Cansada de esperar puxei a cordinha. Ninguém veio novamente.
Uma ideia surgiu na minha cabeça. Essas pessoas no palácio eram todas tão ridículas.
Querem me fazer atrasar? Logo eu? A pessoas que mais quer sair desse lugar? Ninguém fica humilhado só porque atrasou! Bom, com a reputação na lama como a minha, as críticas seriam massivas.
Mas se a minha reputação fosse impecável aconteceria a mesma coisa...
Eu sou brasileira! Brasileiros são mestres em encontrar saídas em situações difíceis com o que tem na mão!
Quem precisa de ajuda para tomar banho? Quem precisa de ajuda para se vestir? Não sou um bebê!
Voei para o banheiro e fiz tudo o que as empregadas deveriam fazer. Calmamente terminei meu banho e fui me vestir. Eram roupas complicadas e difíceis, mas era só descobrir onde vai o quê. Me vesti com dificuldade e fui arrumar o meu cabelo. Usando as técnicas de penteados que aprendi na internet prendi meu cabelo em o coque alto e bonito. Maquiagem não era difícil, terminei bem rápido.
Assim que cuidei dos curativos em meus pés que já estavam praticamente curados ouvi alguém abrindo a porta violentamente enquanto gritava:
— Senhorita Vont Devier! Por que não nos chamou mais cedo! Agora está atrasada! — Provavelmente todos no andar podiam ouvir esse grito.
Meus ouvidos doeram e fiz uma careta para a mulher que parecia que não tinha me visto ainda.
— Não tem tempo para banho, nem para vestir uma roupa muito elaborada! Nem mesmo a maquiagem deve ser feita senhorita! Vai atrasar muito! Muito e será humilhante para a senhorita! — Ela continuou gritando.
Outras empregadas trausentes, assim como guardas se amontoaram para ver o espetáculo. Jorge estava no meio com - provavelmente - uma expressão sombria. Seus lábios estavam finos e retorcidos.
— Faça silêncio e pegue meus sapatos. — Sentada do outro lado quarto, as pessoas viraram suas cabeças para poder me olhar.
— O-O quê? — Os olhos da mulher pareciam querer sair de suas órbitas.
— Se estou atrasada, não enrole e pegue meus sapatos.
Esse tipo de intimidação barata. Suspirei mentalmente. Que tentativa mais idiota de ridicularizar alguém... Mesmo que seja Lara, ela ainda é uma nobre, um senhorita importante que será a madrinha da princesa.
Segurando o riso a multidão na frente do meu quarto desapareceu.
A empregada que estava gritando silenciosamente pegou meus sapatos.
— Estou pronta. Hora de ir.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 58
Comments
Ruby
uma professora que ótimo, as protagonista geralmente são advogadas, médicas.. isso me faz gostar ainda mais dela
2025-02-09
2
Elis Alves
São mestres no jeitinho, mas as vezes só funciona aqui, fará daqui às vezes dá ruim, viu.
2025-02-12
1
Ezanira Rodrigues
Está.ctiada queria que Lara se sentisse humilhada por não se apresentar bem vestida.
2025-03-13
0