Sentada na cama de ferro eu passava e repassava as coisas que eu poderia dizer para revelar o crime de Judith. Pensei em pedir para Jorge, mas ele me odeia.
De jeito nenhum acreditaria em mim, porém não custava tentar. Levantei a cabeça, as velas já estavam sendo acesas. Minha barriga roncou. Os prisioneiros daqui só tinham direito a uma refeição por dia, e era apenas uma sopa branca.
Estava prestes a chamar Jorge quando o ouvi falar.
— Sua graça! De novo aqui? — Jorge realmente parecia um cachorrinho.
Levantei e fui cumprimentar o duque Rosário, também conhecido como: Bernardo.
— Sua graça, a que devo a honra? — Bernardo me olhou e veio até mim.
— Está pronta para admitir? — Meu sorriso morreu.
— Admitir um crime que não cometi? — Respondi com a raiva subindo a minha cabeça.
— Seria mais fácil se você apenas admitisse.
Sorri, mas era um sorriso que premeditava uma tempestade. O estresse estava me consumindo, logo eu explodiria. Para ser exata, eu explodiria agora.
— Se você apenas me ouvisse eu não teria que admitir nada! Não teria que morrer de forma injusta, enquanto a verdadeira culpada está se divertindo e se preparando para me incriminar! — Bati nas grades querendo está batendo no rosto de Bernardo. — E ninguém acredita em mim porquê eu sou a bruxa malvada, a vilã dessa história ridícula.
— Se acalme, senhorita Lara. — Bernardo falou surpreso, eu apenas chutei as grades da cela como resposta.
— “Se acalme", "Se acalme”. Eu não quero me acalmar! Como posso estar calma? Vou morrer daqui a cinco dias e não tem nada que eu possa fazer! — Atravessei minhas mãos nas aberturas das grades agarrando o colarinho de Bernardo o puxando para baixo, assim nivelando o nosso olhar. — Você, sua graça, não deveria ser alguém justo? Não quer que a pessoa que envenenou sua irmã pague? Se quer isso, então me ajude.
— Você sabe quem envenenou minha irmã? — Ele perguntou tirando minhas mãos e voltando a sua postura normal.
— Sim.
— Como?
Porque eu li. Era o que gostaria de poder responder, mas Bernardo veria como uma mentira. Ele acharia que enlouqueci de vez.
Suspirei tentando me acalmar.
— É apenas uma suspeita. — Falei. — Mas acredito que eu estou certa.
— Suspeita? É apenas a sua intuição? Achismo?
— Não é minha intuição. Você a conhece, certo? Judith.
Seus olhos se abriram.
— Judith? Isso é loucura. Ela nunca faria isso.
— Faria sim. — Não só faria, como ela fez. — As pessoas fazem loucuras para eliminar outras. Também fazem loucuras por fanatismo.
— Isso... — O interrompi.
— Judith tem as duas coisas, ela me odeia e me quer morta, além de que também é uma fanática pela sua irmã e o relacionamento dela com meu ex-noivo.
— É uma acusação séria. Você tem certeza? — Ri amarga.
É sério? Todo mundo me acusou sem nenhum peso na consciência, mas quando é Judith a reação é diferente?
— Eu acredito que sou a pessoa que mais sabe o quão séria essa acusação pode ser.
Bernardo suspirou.
— Talvez devêssemos ao menos checar o que a bruxa diz. — Bernardo e eu nos viramos para olhar Jorge que parecia tímido enquanto mexia as mãos.
Ele está me ajudando? Embora ainda me chame de bruxa.
— Não custa checar, certo? — Falei e dei um pequeno sorriso para Jorge.
— Tudo bem, vou dar uma olhada em Judith. — Bernardo se pronunciou.
— Faça isso direito. É minha vida que está em risco. — Falei e Bernardo foi embora.
Se passou um momento até eu ouvir Jorge falar.
— O que disse é verdade mesmo? — Jorge se aproximou de mim.
— Sim... E obrigada por me ajudar mais cedo. — Agradeci lhe dando um sorriso.
— Não precisa me agradecer. — Ele sorriu um pouco para mim pela primeira vez. — Acho que até as bruxas podem sofrer uma injustiça as vezes.
Era bom que pelo menos alguém estava começando a ficar do meu lado, mas é muito cedo para comemorar qualquer coisa. Judith vai esconder o frasco de veneno no meu quarto depois de amanhã.
Bernardo precisa encontrar esse frasco a tempo.
É horrível não poder fazer nada e só esperar. Quando eu sair daqui, devo manter distância de todo mundo.
Vamos evitar problemas.
Talvez eu me mude para o campo? Devo largar a vida social... Ou apenas fazer o que eu quiser? Talvez eu consiga melhorar a imagem de Lara.
Sim, antes de ir para o campo preciso melhorar a minha imagem para que acusações como essa não volte a acontecer e se acontecer, eu não ficar em tanta desvantagem.
Pedir desculpas para a Bianca seria um bom começo. Sim, é isso que vou fazer.
Vou escrever uma carta de desculpas e então sumir do mapa! É um ótimo plano.
Com um plano traçado fui dormir e acordei com o guarda do turno matinal passando a espada dentro da bainha nas grades. Era um despertador horrível.
Enquanto comia a sopa branca, repassei meu plano na minha cabeça. Escrever uma carta de desculpa e ir embora.
É muito simples e está muito fácil. Isso não vai ser o suficiente para melhorar minha imagem. Tem mais um problema, enquanto Bianca e Daniel forem um casal, qualquer problema no mundinho de arco-íris deles serei eu a primeira suspeita.
Acho que esse é o carma por ser uma vilã.
Preciso que esses dois terminem. Bom, pelo menos não vou ficar com peso na consciência. Daniel não é bom para Bianca mesmo. Ele é o típico personagem literário sarcástico e de caráter duvidoso que as pessoas amam.
Um passado trágico e uma bela aparência, tudo o que faz as pessoas se apaixonarem, mas vamos ser sinceros, na vida real ele é o tipo de pessoa que precisa de terapia e não um romance.
Sorri. Parece que Lara será uma vilã até o fim.
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Nesse meio tempo, enquanto Lara traça seus planos futuros, Bernardo estava no quarto de Judith abrindo a última gaveta da mesa de cabeceira, ele não se importou com o fato de precisar de uma chave para abrir.
Ele simplesmente pegou um grampo que encontrou jogado pelo quarto e o usou como substituto da chave. Era uma habilidade que ele aprendeu com Bianca, que gostava de invadir lugares proibidos no Palácio de Rosário quando criança.
Dentro da gaveta havia várias coisas estranhas. Bernardo franziu a testa e pegou uma caixa florida. Quando a abriu se deparou com várias fotografias de Bianca.
Eram fotos do seu dia a dia e pareciam ter sido tiradas sem o seu consentimento. Algumas em que Bianca estava com o príncipe Daniel havia sido desenhado corações vermelhos.
Bernardo fechou a caixa com um sentimento estranho. Ele pegou outra caixinha, uma menor desta vez. A caixa de vidro tinha vários fios pequenos de cabelos pretos. Na tampa tinha escrito: "Franja da senhorita Bianca"
Ele olhou dentro da gaveta ainda com a caixa de vidro na mão, lá restavam duas coisas. Uma mexa grande de cabelos pretos, que não restavam dúvidas que eram de Bianca. Bernardo lembrou que Judith é quem corta o cabelo de sua irmã.
A última coisa era um frasco de um líquido roxo suspeito. O frasco era elegante e facilmente se passaria por um perfume se não fosse pelo roxo púrpura que era o líquido dentro.
Veneno. Pensou Bernardo.
Bernardo sorriu.
— Parece que a intuição de Lara estava certa. — Ele falou guardando tudo e saiu levando apenas o frasco e a caixa de fotografias.
Bernardo deixou o palácio e foi direto para a masmorra real, onde Lara estava presa. Ele chegou lá no fim da tarde, o horário que ele já costumava ir.
Entrando no calabouço, o cavaleiro Jorge veio o cumprimentar como sempre. Jorge era um bom garoto, era habilidoso com a espada, subiria de cargo dentro dos cavaleiros rapidamente, mas como era um novato, estava fazendo o trabalho de um guarda.
Bernardo o achava parecido com um filhote de cachorro.
Dentro da cela estava Lara que já o olhava com expectativa. Seus olhos azuis oblíquos eram como os de um gato pronto para atacar.
Bom, na verdade, a maioria das pessoas comparam com olhos de raposa. Porém, Bernardo pensou que era mais próximo a um gato arisco.
Ele se aproximou dela e esperou que ela falasse primeiro.
— Você encontrou algo? — Ela perguntou apertando as grades grosas da cela com as duas mãos.
Bernardo pensou que Lara realmente não combinava com esta prisão. Ela tinha uma aparência bela que pertencia a salões de bales e lugares luxuosos.
Apesar de que, com certeza, seu rosto exalava um ar de antipatia que tornava difícil se aproximar, mas isso é apenas como um verdadeiro nobre deve parecer.
E mesmo assim, ele entendia porque Jorge e as outras pessoas a chamavam de bruxa, toda a sua presença fazia com que pensassem que ela está fazendo planos malignos sendo amigável enquanto afia a faca em suas costas.
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Atualizado até capítulo 58
Comments
Brennda Germany's
Não sei o que pensar dessa história, no início pareceu promissor, mas agora estou mais confusa sem entender o porquê a Lara é vista como vilã da história, e ainda não entendi se ela é de fato uma bruxa, ou as pessoas chamam de bruxa pelas coisas ruins que acham que ela fez?
2024-11-17
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Ezanira Rodrigues
A raiva.de Lorrane por causa da prisão injusta da Lara é compreensível. Morrer por um crime que você cometeu é uma coisa, mas, morrer sendo.inocente, deve ser horrível para quem se encontra nessa situação.
2025-03-13
0
Iara Drimel
Isso soa estranho e bizarro de várias formas: ela ter fotografias da Bianca em sua gaveta e já ter fotografias nessa época em que bruxas e calabouços existiam
2024-11-13
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