— Você pretende me processar por assédio? Margaret, você cheira tão bem que tenho vontade de morder para ver se seu sabor é tão bom quanto o cheiro.
Abaixa a cabeça e lambe meu ombro.
Estou entre os braços dele, meu corpo sem vergonha começa a reagir ao toque e sei que Edu já percebeu.
Preciso sair do abraço, sei que ele tem uma aura poderosa e me sinto atraída, mas odeio traição e não vou fazer isso com Gabriel, mesmo que ele faça isso comigo quase sempre.
Mas Eduardo parece que sabe onde me tocar, esse homem é o diabo em pessoa, sobe lentamente, pega minha orelha na boca e chupa, não consigo segurar e solto um gemido, volta e lambe meus lábios, me beija primeiro devagar e conforme deixo vai aprofundando o beijo.
Ai, meu cérebro me lembra que tenho namorado, empurro Edu e corro para o banheiro, estou me perdendo e acabei de fazer o que jurei que nunca faria, trair o Gabriel.
Troquei, prendi meu cabelo em um coque para parecer mais profissional, e voltei à sala. Preciso mantê-lo longe de mim, me sinto atraída por ele como abelha pelo mel.
Ele me olha e diz:
— Preferia a outra roupa, esta tampa demais.
Resolvi mentir para ver se ele fica longe, eu preciso colocar minhas ideias no lugar, e agora preciso falar com Gabriel.
— Pare com isso, Dr. Eduardo, eu sei que o senhor está achando engraçado me deixar desconcertada, estou aqui para trabalhar e vai ser só o que vou fazer. Sou comprometida, vou me casar assim que acabar meu curso.
— Eu não sou ciumento, Margaret Martins, pelo menos enquanto você não for minha. Quando aceitar que não consegue viver sem meus beijos, nós resolvemos o que você faz com seu noivo.
— O senhor me chamou aqui para isso? Me fez perder minha aula para ficar me assediando, se for, acho que vou embora.
— Não, é folga da Lisa e preciso de ajuda com esses documentos. Prometo me comportar, me dê um desconto, seus olhos azuis me hipnotizam e eu não consigo raciocinar.
Entreguei uma pasta cheia de papéis para ela revisar e sentei em minha mesa. Como bom estrategista, sei a hora de recuar, se pressionar demais ela vai fugir e vai ser bem capaz de me processar por assédio. Trabalhamos até perto do meio-dia, me levantei e chamei Margaret para almoçar, ela recusou e nem se mexeu da mesa. Sou mais teimoso que ela e agora que provei a boca dela, quero mais, voltei para minha mesa e pedi dois lanches.
Fiquei sentado esperando entregar, vejo-a por vezes me olhar de rabo de olho, mas não perguntar nada, até que o menino da lanchonete vem fazer a entrega. Pago-o e venho em direção à mesa que tem no centro da sala. Ajeitei e chamei Margaret.
— Vem comer Margaret, antes que esfrie.
— O senhor sabe ser teimoso, não é?
— Não sei por que você está falando assim comigo, só estou tentando alimentar minha colega de trabalho.
— Pois pode comer que eu não quero.
— Margaret, se você não vier aqui, vou pôr o lanche aí na sua frente, e você vai arriscar sujar um documento importante.
Troco um olhar medindo forças com ela e vejo a hora que Margareth desiste, levanta e vem sentar comigo na poltrona.
— O senhor se comporta, senão vou embora e não volto mais, e ainda aviso ao reitor o motivo por estar abandonando o estágio.
Coloco minhas mãos no lanche e falo para a sereia.
— Olha só, estou com as duas mãos no lanche.
Ela, mesmo ressabiada, começou a comer, eu sou bom de resenha, mas ela é dura na queda, tento puxar todo tipo de assunto, Margaret só me responde o necessário, aí comecei a falar da cor do meu cabelo.
— Hoje vi um homem na TV com o cabelo laranja, acho que vou pintar também, ficou ótimo nele. O que você acha, será que vou ganhar alguma causa com os cabelos laranja?
Vi-a segurando a vontade de rir e me fala.
— Pinta de verde, vai combinar com seus alhos.
— Boa ideia, Margaret, mas acho que azul é melhor porque já aproveito e faço uma homenagem para você, não é melhor?
Ela me olha e começa a rir e diz:
— Você é um idiota, Eduardo.
— Pelo menos consegui fazer você falar comigo com mais de uma palavra.
Escorre um pouco de maionese no canto da boca dela e, mais que depressa, pego o guardanapo para limpar. Quando levo a mão, ela levanta e sai de perto de mim.
— Já te falei e vou repetir, não chega perto de mim, sou comprometida e não vou me envolver com você.
— Está bom, mas você podia repensar sua atitude, nosso beijo foi ótimo. Vai me falar que você não quer repetir?
Ela vacila e responde:
— Não, não quero Eduardo, foi um erro e não vai se repetir.
“Meg”
Vou ao banheiro, lavei minha mão e boca e voltei trabalhar sem falar com ele, me concentro tanto que quando vejo já é hora de ir embora. Me levantei,
peguei minhas coisas e me despedi.
— Dr Eduardo, já deu minha hora, estou saindo, tchau, até segunda.
— Margaret, eu precisava que você ficasse mais um pouco.
— Não posso, tenho compromisso daqui a pouco e não posso me atrasar.
Sai sem olhar para trás, agora é ir para casa, pegar minha mochila e ir para o posto. Como vou encarar Gabriel? Fiz o que mais odeio, traí meu namorado e agora vou ter que me entender com esse sentimento de culpa.
Cheguei atrasada no posto e o tubarão já está esperando, peguei a chave da safira e ele vai embora. Sinto-me abraçar e sei quem é, viro de frente com Gabriel que me beija, mas estou tão tensa que não
consegui retribuir.
— Nossa, sereia, o que você tem?
— Não tenho nada, Gabriel, só estou cansada, me desculpa, amanhã a gente conversa.
Sai do abraço dele e fui para meu caminhão. Amanhã vou ter que resolver isso, senão vou enlouquecer.
E de madrugada e não consigo dormir, será que se bater na cabina do Gabriel ele acorda? Acho que vou tentar, assim conto para ele o que aconteceu e resolvo esse assunto. Ele vai ficar bravo, mas vai acabar me entendendo, foi só um momento, não vai acontecer mais.
Cheguei perto do caminhão e comecei a ouvir sons vindo de dentro, cheguei bem perto e agora posso ouvir os gemidos da vadia que está com ele.
Não consigo acreditar, como sou burra, eu me sentindo culpada porque dei um beijo no Eduardo e Gabriel, saindo com uma vadia bem embaixo do meu nariz.
Será que não dava para esperar eu não estar no posto? Encostei no caminhão e fiquei ouvindo ambos e chorando. Se Gabriel consegue me trair e ficar comigo como se nada tivesse acontecido, eu também vou conseguir, voltei para meu caminhão.
Amanhece e Gabriel está me esperando na porta como todo sábado, lá vou eu, a traidora, com o traidor, somos uma dupla perfeita, dei um beijo de bom dia nele e fomos tomar nosso café.
Preciso me controlar até entender o que estou sentindo por Eduardo, por enquanto vou deixar assim, vamos pensar positivo. Foi só um beijo,o…beijo, mas foi só um beijo. O que Gabriel estava fazendo no caminhão ontem à noite era bem mais que isso, sei que um erro não justifica outro, mas por enquanto vou deixar assim. Conversei com Gabriel e nos despedimos e segui meu caminho.
De noite, vou beijar o Gabriel para ver se meu corpo reage do mesmo jeito. Se reagir, é porque sou safada mesmo e sou mais parecida com Gabriel do que imaginava.
Cheguei no posto e Gabriel vem de encontro, me puxa e me beija. Sinto meu coração acelerado, mas minha cabeça está em outro lugar, sentindo o beijo de Edu e ouvindo os gemidos da vadia, não consigo, as mãos de Gabriel percorrem meu corpo, só sinto vontade de fugir, tenho nojo do toque dele, não vai dar.
Será que é uma ilusão? Ele me esperou por anos e agora eu não quero mais. Será que sou pior que ele por querer um relacionamento com uma pessoa que me respeite? Empurro-o e vou para meu caminhão sem dizer uma palavra.
Parei antes de entrar no caminhão e voltei, não posso deixá-lo sem uma explicação, ele já está indo, eu chamo.
Gabriel vira para mim, abre um sorriso e vem em minha direção.
— Por favor, me deixe falar, Gabriel. Quero um tempo.
Gabriel me olha por um momento, tentando entender o que falei. Fica nervoso, começa a gritar comigo.
— Meg, você está me deixando?
— Não. ….. Sim, eu preciso de um tempo, estou confusa.
— Após me fazer esperar dois anos, agora você está confusa? Você não pode me deixar, eu não vou permitir.
— Preciso de um tempo, Gabriel, não sei se quero continuar esse namoro. E ontem à noite vi o tanto que você me esperou.
— Eu estive todos esses anos aqui por você e para você, agora vai simplesmente me deixar, como um chinelo velho?
— Eu te disse desde o começo que a gente estava ficando, eu não sei se meu sentimento por você é forte o suficiente para continuar, preciso desse tempo, por favor, tenta me entender.
— O que aconteceu? Você arrumou outro babaca para enganar com sua virgindade? Por que é isso que você faz, não é? Acena com sua inocência e o babaca acha que vai ser o único, aí, quando você enjoa, joga fora e arruma outro idiota.
— Nunca disse a você que ficasse comigo, foi você que insistiu.
Sim, eu sou virgem e só vou me entregar para a pessoa que meu coração achar o certo no momento, não é você e sabemos muito bem que você não perdeu nada me esperando.
Estou tentando ser honesta com você e não correr o risco de te trair, porque não aceito traição, mas, como sempre, você me interpreta mal e me julga. Só te pedi um tempo, mas agora estou acabando com nosso relacionamento, se é que o que temos pode ser chamado assim.
_ Meg você vai se arrepender por ter me deixado assim, e quando você resolver voltar, já vou estar em outra e você vai ser só passado.
— Gabriel, você sempre esteve com o pé dentro de duas canoas, pare de se fazer de inocente, chama a vadia de ontem à noite para ocupar sua cama e me deixe em paz.
— Então é por isso? Você não pode cobrar exclusividade se não cumpre com sua parte. Sou homem e tenho minhas necessidades.
— Pois fique com suas necessidades e me esqueça, acabou.
Subi em meu caminhão e chorei, porque estive tanto tempo tentando acreditar que nosso relacionamento daria certo que agora me sinto vazia. Ele sempre conseguiu me convencer de que iria mudar, mas acho que faz parte da índole dele.
Mas vamos fazer a entrega porque o tempo não para e minhas verduras estragam rápido.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Maria Oliveira Poranga
Meg vc não perdeu nada , Gabriel escroto nojento , estou torcendo pra vc e advogado
2025-03-29
1
Juliana Barboza
tadinha autora ela merece ser feliz
2025-03-26
2
Jessica Carmo
autora posta mais capítulos !
A Meg merece ser feliz.
2025-03-26
1