Gabriel me olha e ia dizer mais alguma coisa, mas os meninos chegam e me levam para dentro, tomamos o café da manhã juntos e, na hora que saímos, Gabriel não está mais lá.
Passa o mês de dezembro e entra janeiro, sem mais problemas. Gabriel se mantém distante e meus amigos do trecho estão sempre por perto.
Mas agora tenho que resolver o problema do caminhão.
Preciso de alguém de confiança, estou perto do posto de costume, poderia pedir ajuda para o Gabriel, mas não vou, de repente o rádio amador começa a soar.
— Amigos do trecho, alguém na escuta? Câmbio.
— Em poucos minutos, todos respondem, na escuta, quem está precisando de ajuda?
— O caminhão do Tubarão fundiu o motor, ele está procurando trabalho, precisa estar na nossa rota porque ele não quer ficar longe da família.
Respondo à chamada:
— Linguiça, pede para ele vir falar comigo, estou no posto 125, acho que tenho a solução para o problema dele.
— Vou falar com ele, sereia e já te dou um retorno.
— No aguardo, câmbio.
— Sereia, você continua aí. Câmbio.
Ouço a voz dele e tenho vontade de ignorar, mas respondo.
— Estou ouvindo predador.
— Se você precisa de ajuda, eu estou disponível, deixa o tubarão para lá.
— Cuida das suas coisas, predador que consigo encantar e destruir os homens, então o tubarão que tem que tomar cuidado para não virar ensopado.
Câmbio final.
Cheguei no posto e, como sempre, fui almoçar. Quando voltei no caminhão, o radioamador estava piscando.
— Câmbio, quem me chamou?
— Sou eu, sereia, o tubarão pediu para te avisar que daqui à meia hora estará aí no posto para falar com você.
— Obrigado, minhoca, estarei aguardando.
Fiquei ali esperando, vi Gabriel chegar e vir na direção do meu caminhão, bateu na porta, abaixei o vidro e perguntei:
— O que você quer?
— Desce, vem conversar comigo.
Abri a porta e desci, parei na frente dele e esperei ele começar com suas ofensas.
— Meg, não se envolva com o tubarão, o apelido dele diz tudo.
— Já te disse, não se mete nos meus problemas.
— Não vou perder você para um tubarão.
— Só tem uma coisa, você nunca me teve, então não tem como me perder.
Ele vai embora bravo, eu fiquei pensando, por que será que ele se sentiu ameaçado? Ouvi me chamar, me virei e fiquei um momento sem ação.
Na minha frente, tem um homem de 1,90, loiro, dos olhos azuis, quase um modelo, resolvi confirmar:
— Sim, sereia, sou eu, quem me procura?
— Sou Maurício, mais conhecido por tubarão, muito prazer.
— Pode me chamar de Meg, vamos conversar.
— Meu amigo, minhoca, disse que você pode ter a solução para meus problemas.
— Sim, vou te contar a minha história, aí você vê se quer trabalhar comigo ou não.
Nos sentamos e eu contei tudo o que aconteceu até então. Ele pensa e diz:
— Como vamos fazer nos finais de semana?
— Você me traz a safira aqui no posto e eu assumo, e você vai para sua casa na segunda-feira, trago ela aqui e você segue viagem, combinado?
— Combinado, quando eu começo?
— Vem amanhã às 05:00 aqui no posto e vamos começar, tenho duas semanas para te passar tudo.
— Amanhã cedo estarei aqui.
— Não atrasa Tubarão, odeio atrasos.
— Fica tranquila, não vou.
Peguei meu caminhão e fui para casa contar a novidade para meu pai e esperar a reação dele contra a ideia de eu estar no caminhão com outro homem que não seja ele.
Cheguei em casa e os dois me receberam de braços abertos, sentei com eles na sala e contei a novidade.
— Filha, não conheço o tubarão, mas se você está dizendo que gostou dele, eu acredito em você.
— Pai, ele me parece um cara honesto, meus amigos do trecho dizem ser ótimo motorista e responsável, vou avaliar ele esta semana e vamos ver o que dá, mas estou botando fé.
— Você perguntou ao Gabriel? Ele conhece todo mundo na estrada, vai saber te falar sobre o tubarão.
— Pai, não falo com Gabriel, faz algum tempo, tivemos uma briga e cortei relações com ele.
— Nossa, filha, por que você não me contou?
— Porque é assunto meu, te disse para confiar em mim que sei resolver meus problemas.
Tia Ema entra na sala e chama para jantar, jantamos juntos e me despeço deles, vou dormir.
Levantei cedo, me vesti e fui à cozinha tomar o café. Minha tia fica me olhando e pergunta:
— Me fala do tubarão?
— Já falei tudo ontem, tia.
— Você falou a parte que seu pai precisava ouvir, e a parte que você está escondendo, qual é?
— Não estou escondendo nada, por que a senhora acha isso?
— Porque te conheço bem, e você em momento algum falou como ele é fisicamente, e vi você dar um suspiro de alívio quando seu pai disse que não o conhecia.
— Tá bom, ele é lindo, se eu encontrasse ele na rua e alguém me dissesse que ele é motorista, eu ia rir da cara da pessoa.
Loiro, alto e olhos azuis, mas por favor, tia, não fale para meu pai, porque senão ele vai começar a ter ideias tortas e vai querer voltar para a estrada.
— Fica tranquila, não vou falar nada, mas cuidado para não se perder.
— Sei me cuidar, e não estou atrás de homem.
— Sei, porque seu coração já tem dono, né?
— Claro que não, meu coração é um espírito livre, não aceita ser aprisionado.
Ela me abraçou, me deu um beijo na testa e eu segui meu caminho, vamos lá encontrar meu novo amigo.
Cheguei no posto, Maurício já estava lá, desci do caminhão e venho cumprimentar ele, vi o rosto dele inchado e roxo.
— O que aconteceu com você?
— Fui atacado por um Pitbull, mas não foi nada grave, já tomei vacina anti rábica e vou ficar bem.
— Então vamos tomar nosso café e começar o dia.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Rosângela Dias Lopes
Quero estar enganada mas acho que realmente ela vai entrar numa fria com esse tal Tubarão
2025-03-29
1
Maria Oliveira Poranga
predador tá tão ciumento q atacou tubarão kkkkkk
2025-03-28
1
Vanildo Campos
kkkkkkk
2025-04-02
0