Passei na faculdade

Ouvir ele falar meu apelido soou sexy e eu estremeci, tentei sair dele, mas me impede.

— Agora que você tem um monte de amigos, eu não mereço nem um oi?

Senti uma alfinetada na alma, ele que se afastou, nem falou mais comigo, agora vem querendo me ofender.

Falei:

— Vou fingir que você não falou isso, porque se eu levar em consideração, você está me ofendendo.

— Eu te ofendi, Meg? Quem anda com um bando de homens é você, quem sujou sua moral foi você.

 — Porque você tem uma mente suja e podre. Não te devo satisfação, mas eles são meus amigos e só isso.

Virei as costas para sair dali logo, porque estou a ponto de chorar. Como ele pode achar que estou dando para os meninos, bem se vê que não me conhece.

Sinto ele me pegar pela cintura e me virar para ele, me abraçar e me beijar. 

Um beijo de punição me machucando, tentei me soltar, mas quanto mais me mexo, mais ele aperta o abraço. Então, mudo de atitude, fiquei parada e deixei ele me beijar. Depois de alguns minutos, ele para, me solta e passa a mão no cabelo.

E diz:

— Sou tão ruim que você não sente nada em meus braços, com eles você sorri e brinca, na cama deles você também é assim? Por que comigo não, e com os outros pode?

Ergui a mão e dei um tapa na cara dele, e falei:

— Porque não tem ninguém, seu idiota, se um dia você perceber a verdade e eu ainda estiver disponível, a gente conversa, pensa!! Quem sabe teus neurônios te ajudam.

Como ele é idiota, sem consideração, grosso, mente suja, eu não sei como imaginei que poderia ter algo com alguém assim.  

“Gabriel”

Fiquei olhando Meg indo na direção do show, o que será que ela quis dizer, o que eu não estou vendo? Ela quer que eu acredite que ela anda no meio daquele bando de caminhoneiros e não sai com ninguém? Toda noite, ela está com eles, como vou acreditar em uma coisa dessas?

Entrei no meu caminhão e fiquei lá, tentei ir embora, mas não consegui, vou ficar aqui e vou desmascarar Meg, na hora que ela entrar no caminhão com qualquer um deles, vou lá e mostro para ela que não sou idiota.

Ela, sim, que é uma safada, mas é uma safada gostosa e eu ainda vou provar.

“Meg”

Acabou o show e viemos todos na direção dos caminhões. Dei boa noite para todos e cada um seguiu seu rumo. Para não arriscar ver a cara do Gabriel, eu entrei pela porta do passageiro. Estou me ajeitando para dormir, escutei bater na janela do caminhão, abri e lá está ele.

— O que você quer, Gabriel?

— Quem está aí com você?

— Você enlouqueceu de vez, não que isso seja da sua conta, mas não tem ninguém.

Tentei fechar a janela, ele enfia a mão, destrava a porta e entra, passa por cima de mim e olha na boleia.

O espaço é tão pequeno ou ele é grande? Estou me sentindo sufocada, não posso sair porque estou de calcinha e sutiã, fiquei ali parada esperando ele parar de procurar.

Quando ele para e me olha, vejo a respiração dele mudar, me olha de cima a baixo e eu tento me esconder, mas aonde? Estou sentada na cadeira do motorista e ele na do passageiro, não tenho para onde ir, tentei falar normalmente.

— Gabriel, se você já acabou com a loucura, dá para você sair, quero dormir.

— Meg, você é linda.

Estica a mão e me puxa para o colo dele e me beija.

— Me larga, Gabriel, e sai daqui senão vou gritar e meus amigos virão me socorrer.

— Só vou soltar porque não quero que nenhum deles veja a beleza que você é, mas antes desce a mão no meu braço e tenta tocar meu seio, eu dou um tapa na mão dele e um soco no nariz.

— Nossa, Meg não precisava me agredir desse jeito.

— Sai agora daqui, seu tarado, o único maluco aqui é você.

Ele me olha e sai do caminhão. Sei que não vou conseguir dormir, me troquei, liguei o caminhão e fui embora dali.

Ele só consegue me afastar cada vez que faz esse tipo de coisa, será que não vê que não sou como as mulheres com quem ele sai?

“Gabriel”

Agora pego, ela entrou pela porta do passageiro para eu não ver, espera, só vou pegar o pião no pulo, na boleia com ela.

Bati na porta do caminhão, ela abre o vidro e olha com a maior cara de inocente e ainda pergunta o que eu quero. Vai fechando o vidro, mas não vai, não enfiei a mão, abri a porta e entrei. Estou tão cego de ciúmes que passei por cima dela e nem vejo que ela está só de calcinha e sutiã.

 Olhei tudo e não tem ninguém. Quando ouvi ela falando comigo e me voltei, cheguei a perder o fôlego, que coisa mais linda que está na minha frente.

 Eu não resisti e puxei Meg para meu colo e beijei. Ela grita comigo, me dá um soco no nariz, me manda sair e eu voltei a me controlar, desci da boleia dela, quando cheguei no meu caminhão ela liga o dela e vai embora.

Eu não consigo acreditar que ela estava sozinha, será que…. Não, é impossível!

“Meg”

Parei no posto da frente, porque a intenção era levantar cedo e ir em casa ver minha família, então fui tomar meu café e fui para casa.

Quando cheguei, minha tia vem toda feliz com as cartas das faculdades, passei em duas, consegui bolsa integral em uma delas, agora é pensar no que fazer, estamos em novembro, as aulas começam em fevereiro.

Até lá, tenho que arrumar a situação, não posso deixar meu pai perder a linha de entregas e tão pouco voltar para a estrada sem se curar totalmente.

— Meg, eu vou estar bem logo e volto para o trecho.

 — Pai, o senhor só vai voltar a viajar na hora que seu médico liberar, antes daremos outro jeito.

— Mas qual? Você não vai desistir da faculdade, vai?

— Não, pai, mas vou dar um jeito, até o fim de janeiro toco o caminhão, depois a gente resolve.

— Vou confiar em você, sei que vai achar a melhor solução.

— Nossa, que evolução em pai?

Me abraça e me dá um beijo na testa.

— Você é a única coisa que fiz certo na vida, te amo, minha filha.

— Também te amo, pai.

Fico com eles o final de semana e sigo meu caminho na segunda de manhã. Parei no posto de costume para tomar café da manhã, e logo vejo Gabriel parado na porta. Tentei passar por ele, mas ele me impede e fala:

— Preciso falar com você?

— Não tenho nada para falar com você, Gabriel, e não quero ficar ouvindo desaforo logo cedo.

— Quero te pedir desculpas, pelo jeito que te tratei, sei que estava errado.

— Sabe mesmo? Pois acho que você não sabe de nada, você falou e fez coisas que eu não posso aceitar.

As suas desculpas são pelo quê?

Por ter me grudado na marra, por entrar no meu caminhão sem ser convidado ou por me chamar de biscate?

— Pode-se dizer que, por tudo isso, prometo não fazer mais, por favor, vamos tentar de novo, posso ser um bom amigo.

— Olha, não quero ser sua amiga, mas também não quero ser sua inimiga. Vamos fazer assim, você fica no seu canto e eu no meu e vida que segue.

Não tem como sermos amigos, Gabriel, você sempre vai se achar no direito de querer mandar em mim e aí pensa bobagens porque sei cuidar de mim e me magoa com suas ideias tortas. 

— É que você é mulher no meio de um bando de homens e eu não consigo controlar meu ciúme.

— Por isso que não vai dar certo, é melhor ficarmos cada um no seu canto.

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