Vejo ele andando meio duro, mas não é problema meu. Quando entramos no restaurante, o Gabriel está sentado em uma mesa com cara de poucos amigos, passei por ele e me sentei na mesa da frente.
Tubarão se senta junto comigo e conversamos, esperando o pedido sair. Vi a mão do Gabriel roxa e o rosto inchado.
Que coisa esquisita, será que foi atacado por um Pitbull também? Mas esqueci o assunto, nosso pedido chegou e fomos comer. Quando voltei a focar na mesa do lado, Gabriel havia ido embora.
“Gabriel”
Estou no caminhão vendo Meg conversar com aquele tubarão, não vou deixar ele se aproximar da minha menina, de jeito nenhum isso vai acontecer, eles conversam.
Meg vai embora e eu vou ao encontro com o tubarão. Parei na frente dele e falei:
— Você não vai trabalhar com ela, pode desistir.
— O que você tem com isso, Gabriel? Ela acaba de me contratar e você não tem autoridade para se meter nos meus assuntos.
— Estou me metendo nos assuntos dela e não nos seus, e não vou permitir que você fique dentro daquele caminhão sozinho com a Meg.
— Ela sabe que você tem esse poder? Porque, se sabe, não me disse e amanhã cedo vou subir na safira com a sereia e só tem uma pessoa capaz de impedir, é a própria sereia.
“Gabriel”
Perco o pouco de controle que tenho e saio no soco com o tubarão, nos acertamos mutuamente até os outros caminhoneiros nos separarem.
— Se você machucar a Meg eu te mato, se você tocar em um fio de cabelo dela, eu te arranco a mão, me ouviu?
— Você está perto dela há bem mais tempo que eu e não conseguimos conquistar, agora é minha vez e vou te dizer uma coisa, eu não vou desperdiçar nenhum momento com a sereia e se você vier me arrancar a mão, se prepara porque vou estar preparado.
“Gabriel”
Os motoristas nos soltam e vamos um para cada lado, estou com a boca sangrando e a mão doendo. Mas posso garantir que ele tem mais dor que eu, bati com força, descontei toda minha frustração nele. Nossa, amanhã, na hora que o tubarão contar para a Meg que bati nele, ela vem que nem uma caninana para cima de mim.
Eu estava no restaurante quando Meg chegou com o tubarão e passou por mim e nem me dirigiu a palavra, estavam conversando tão animados que saí antes que fizesse alguma besteira.
“Meg”
Saímos do restaurante e seguimos viagem. Maurício é ótimo de conversa e logo sei quase tudo da vida dele, mas tenho a impressão de que ele guarda um segredo, mas com o tempo, se ele quiser me contar, vai acontecer.
Conto uma boa parte da minha vida para ele, desde o acidente da minha mãe até agora, tento não tocar no nome do Gabriel, porque não temos nada um com o outro, mas de repente, Mauricio me pergunta:
— Você tem alguma coisa com o Gabriel?
— Não, Maurício, nem amigos conseguimos ser, ele é muito grosso comigo e não conseguimos nem conversar sem brigar.
— Isso está me parecendo amor, mas se você diz que não é nada, eu acredito em você.
— Se ele me amasse, tentava se aproximar de mim e não me afastar igual ele faz.
— De repente, ele não sabe lidar com você.
— Vamos trocar de assunto, Maurício.
— Certo, vamos. Já vi que esse assunto é proibido.
— Não que seja proibido, só fico estressada com o assunto Gabriel.
Foi a única vez que Maurício falou neste assunto, depois disso só trabalhamos, passei todos os detalhes da linha para ele e toda vez que paramos no posto para tomar café da manhã e Gabriel estava lá, ele saiu sem nem olhar para nós.
Fiquei magoada no começo, porque achei que ele iria vir brigar comigo devido ao Tubarão, mas pelo jeito nem se importou.
Semana que vem começam minhas aulas na faculdade, e preciso acertar com Maurício os detalhes, porque no final de semana quem vai tocar safira serei eu.
— Mauricio, precisamos combinar como vamos fazer com o caminhão na sexta-feira.
— Sereia, posso levar a safira na sua casa, aí você me traz aqui no posto e eu vou embora.
— Desculpa, não posso deixar meu pai ver você.
— Por quê?
Falo sem pensar:
— Se ele ver o tanto que você é bonito, vou estar em problemas.
Maurício começa a rir e fala:
— Quantos Pit bulls você tem te defendendo?
— Não entendi, como assim Pit bulls?
— Você não acreditou mesmo que aquele dia foi um cachorro que me atacou, né?
— Sei lá, você falou tão sério e achei invasivo perguntar.
— A noite em que você me contratou, depois que você foi embora, Gabriel veio falar comigo e me ameaçou de morte e saímos na porrada.
— Mas por que o Gabriel te ameaçou?
— Ora, Meg com ciúmes de você, queria me ver longe, mas eu disse para ele que meu acordo era com você e não com ele.
— Nossa, que coisa horrível, mas meu pai não é diferente, eles não confiam em mim, mas deixa para lá. Vou arrumar um jeito de pegar meu caminhão aqui no posto.
— Do jeito que você fizer para mim, está bom, graças a você estou conseguindo arrumar meu caminhão.
— Vou resolver e te avisar, a partir de amanhã só vou falar com você à noite, e por mensagem, quero fazer este curso direito. Vou ser advogada dos caminhoneiros.
— Combinado, boa sorte na sua faculdade.
— Obrigado, tchau.
Peguei um Uber e fui para casa, acho que assim vai dar certo, vou e venho de Uber.
É tão estranho depois de quatro meses de estrada, agora não estar indo viajar, mas estou começando meu curso de direito, vou ser advogada caminhoneira. Vamos ver no que dá.
Amanhece, estou tão ansiosa que nem consigo comer.
Minha tia tenta me acalmar, porque acha que, como sou caminhoneira, já vou superar as diferenças rapidamente.
Nada a ver, as profissões são diferentes e eu vou estar dentro das duas.
Conheço a turma e os professores, todos se encantam com minha profissão, querem saber como é na estrada.
Muitos romantizam a vida de motorista, querem entender como consigo largar a liberdade da estrada para conviver com a prisão da faculdade.
Tento explicar que não é tão livre assim, mas eles acham que estou mentindo, então resolvi deixar eles achando que vivo uma vida de aventuras.
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Atualizado até capítulo 38
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