Sei que meu pai está mentindo para mim, porque encontramos ela quase toda semana, nós estamos indo e ela voltando, mas entendo o medo dele, tem medo que meu fascínio passe para o dono dela. Fui crescendo e amadurecendo, e aquela Scania se tornou uma amiga na estrada. Um dia, meu pai foi ao banheiro e eu desci do caminhão e cheguei perto dela. -Nossa, minha amiga, você está suja, seu dono relaxou esta semana e escrevi na sujeira.
“Qual é seu nome?”
E corri de volta para o interior do caminhão para meu pai não ver.
Na semana seguinte, não dá para eu ir com meu pai, tenho provas e fiquei para estudar.
Mas na próxima semana meu pai vem e me chama para ir com ele.
Como eu não tenho mais prova, minha tia deixa, como sempre, eu vou dormir e ele vai para o quarto da minha tia. Já pensei em falar para eles que não sou mais criança e que sei que ambos dormem juntos e que ele não precisa sair correndo antes que eu levante, mas e se eu falar e estragar o lance deles?
Saímos cedo e paramos no posto para tomar café da manhã. Quando estou descendo do caminhão, vejo a Scania azul parando do meu lado. Desço como se estivesse tudo normal e olho esperando o condutor descer, hoje o vejo ele. Meu pai vem e entra na minha frente.
— Vamos, Meg.
Ele desce e eu não consigo ver porque meu pai para na frente. Ouço uma voz grave cumprimentar meu pai.
— Oi, João, tudo bem? Meu pai me olha e vira cumprimentar.
— Oi, Biel comigo está tudo bem, me pega pelo braço e tenta me tirar dali. Paro e olho o dono da Scania, moreno, cabelos cacheados até o ombro, olhos negros, que estão me encarando sorrindo.
Há, e o último detalhe, um corpo escultural.
— Oi, filha do João.
E estica a mão para me cumprimentar, estiquei a mão e peguei a dele.
— Oi, dono da Scania azul. Ficamos de mãos dadas um momento até meu pai entrar no meio e me arrastar para o restaurante.
— O senhor disse que não o conhecia.
— E não conheço, e não quero você perto dele.
Fico quieta porque vejo que meu pai está de mal-humorado.
**Biel (dono da Scania azul)
Estou no restaurante em uma posição em que vejo “minha menina”, ninguém se atreve a chegar muito perto porque sabe que tenho ciúmes do meu caminhão, aí vejo uma criança olhando para ela, quase com devoção e toca, e vejo o João arrastando a criança para o interior do caminhão dele. Não estou acreditando no que vejo, ele está pegando uma criança, sempre achei que ele era um cara legal, uma hora dessa eu pego ele e falo umas verdades.
Os dias vão passando e cada vez que vejo ele com aquela criança, tenho vontade de arrebentar a cara dele.
Um dia, paro para almoçar e lá está ele com uma puta do posto, perco a boa e vou falar com ele.
— João, agora além de estragar a vida de uma criança, você está tentando passar uma doença para ela? Tinha o maior respeito por você, mas acabou quando te vi com aquela criança.
— Você não tem nada com isso, Biel, cuida da sua vida.
— Vou tirar aquela menina de você, me aguarde.
Em poucos passos, João está me pegando pelo pescoço.
— Não se atreva a se aproximar da minha menina, eu mato você.
— A sua menina sabe que você sai com a puta do posto?
— Você não tem nada com isso, mas ela é minha filha, e se você encostar um dedo sujo nela, eu te mato.
— Sua filha, nossa, João, que bom saber disso.
— Tira o olho e fica longe, ela só tem 15 anos e como você disse é uma criança.
— Mas ela vai crescer, e você vai ter muitos problemas, porque vai se tornar uma mulher linda.
— Acabou nosso assunto, fica longe dela, escutou?
— Escutei, João.
Esta conversa foi há três anos, venho acompanhando ela crescer e virar uma mulher linda e continua viajando com o pai, sinal que gosta da estrada, mas ele cerca tanto que não consigo me aproximar, dou uma risada.
Ela é esperta e está curiosa. Me deixou uma mensagem na “minha menina”. Nem lavei ela na semana passada para que a filha do João leia a resposta, mas ela não veio com ele.
Estou chegando no posto e vejo o caminhão do João parado e uma bunda linda descendo, não penso duas vezes, parei do lado.
Hoje conheço ela, o João até tentou impedir, mas não teve jeito, peguei a mão dela, parece que corre eletricidade na minha pele, seguro uns momentos, mas o João a puxa e leva embora. Não adianta, João, agora me apresentei.
“ Meg”
Saímos do restaurante e vejo a Scania ainda parada no mesmo lugar, onde será que ele está, procuro e acho encostado na mureta me olhando.
Finjo não ver, me separo do meu pai para ir abrir a porta do caminhão do meu lado, olho para ele e dou um sorriso, ele sorri de volta e entra no restaurante.
Seguimos viagem, fizemos a entrega e meu pai me deixou em casa. Está tão chateado com a história do Biel que nem ficou.
Será que ele acha que vou sair com o primeiro motorista que me paquerar? Deveria confiar mais em mim, eu não sou boba e para me conquistar vai ter que ter algo a mais.
No final de semana, meu pai dá uma desculpa esfarrapada e não passa me buscar para ir com ele.
Preciso falar com ele porque vou tirar carta e vou guiar o caminhão, e quero que ele me ensine tudo, da estrada já conheço, mas guiar é outra coisa. Falei com minha tia que vou tirar carta para guiar caminhão, ela quase teve um ataque, mas vai se acostumar.
“João”
Deixei a Meg de propósito para trás, porque sei que Biel com certeza vai estar no trecho, estou parando no posto de costume e lá está o caminhão dele. E lá vem ele todo feliz, pensei:
“Hoje não, meu amigo”
— Bom dia, João.
Ficou olhando o lado do passageiro, eu dou uma risadinha e vou andando.
— Bom dia, Biel. Você perdeu alguma coisa aí?
— Não adianta tentar escondê-la de mim, mais cedo ou mais tarde, eu acho.
— Não estou escondendo nada, ela só não quis vir hoje, disse que tinha uma pessoa que ela preferia não ver.
— João, você mente mal, eu e ela temos uma ligação e nem você e nem ninguém vai conseguir nos afastar.
— Quantos anos você tem, você não se acha velho para ela?
— Tenho 22 anos e você sabe bem que não sou velho, esperei ela por três anos até atingir a maioridade e não vou deixar você fazer com que eu me afaste, não vai rolar. Você, querendo ou não, vai ser meu sogro.
— Biel, fique longe da minha princesa, senão vou acabar cometendo uma loucura.
— Deixa ela decidir, se ela me disser para eu me afastar, me afasto.
— Você é teimoso, menino, mas vou fazer de tudo para vocês não se encontrarem mais.
— Quero só ver você conseguir esta proeza, estamos fazendo a mesma rota há anos, sei todos os seus caminhos e paradas.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Maria Oliveira Poranga
Que história linda , amando livro 😍
2025-03-28
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Adelia Cabral
Estou adorando 👏
2025-04-02
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