Abro a porta da sala e lá está ele. Minha irmã tinha razão de se perder nos braços deste homem. Só os olhos azuis já justificavam a perdição, mas tem um corpo e uma voz que, pelo amor de Deus. Penso: “Pare de delirar, Ema” Você odeia ele, lembra? E cumprimento:
— Oi, João entra.
Ele passa por mim, parece que a sala encolheu, estou com falta de ar.” Idiota é seu cunhado e você não gosta dele”.
— Cadê a Meg, Ema? Achei que ela ia estar aqui me esperando.
Quando ele fala, dou um pulo, porque estou tão dentro dos meus pensamentos que esqueço a potência que esta voz tem.
— Senta, João, vou ligar para ela vir em casa. Eu nunca sei quando você vai aparecer, não falei para ela que você viria.
Liguei para a Meg e avisei que o pai dela está aqui. Não dá 5 minutos, ela está na sala nos braços dele. Isso porque ela diz que odeia ele, e blá blá blá.
— Minha filha, como você cresceu, já é uma mulher.
— Vai me levar com você, pai? E para de exagerar, o senhor me viu o mês passado, estou do mesmo tamanho.
— Vim te falar para obedecer à sua tia, ela só quer seu bem.
— Quero ir com você, eu já aguento a estrada e dá para eu continuar estudando pelo notebook.
— Filha, não quero arriscar sua vida, a estrada é perigosa.
— Se o senhor não me levar, vou fugir e vou sozinha, acho que não vai ser difícil achar um caminhoneiro que queira me levar com ele, como você fez com minha mãe, eu tenho quase a mesma idade.
— Menina, você vai arrumar problemas assim. A sua mãe foi diferente.
— Por que foi diferente? Pelo que tia Ema me contou, foi bem assim, o senhor veio, transou com ela, engravidou ela e levou-a para morar no caminhão.
— Ema, por que você contou a história distorcida para Meg?
— Distorcida? Me fala em qual parte eu menti?
— Tá bom, não mentiu, mas eu me apaixonei por sua mãe e busquei ela para morar comigo, vivemos anos muito felizes.
— Me leva com o senhor e cuida de mim, falei para minha tia que você me largou aqui como uma panela que não se usa mais, mas está na hora de pegar a panela de volta, senão você vai me ver passando em outro caminhão e não vai demorar muito.
— Mas, como você é teimosa, fica calma, Meg. Vou conversar com sua tia e resolveremos isso.
“Ema”
Quando ouço ele, fico louca.
— Te chamei para pôr juízo na cabeça dela, não para você levar Meg para essa vida de estradeiro.
— Calma, Ema, estou tentando resolver, mas está difícil. Acho melhor levar Meg comigo uns dias, aí trago de volta e ela vai te ver que a estrada não para ela.
— Nãaaaao, você levou minha irmã, e olha no que deu. Me devolveu ela em um caixão, agora vai levar minha sobrinha, não gosto da tua vida, não quero isso para Meg.
— Ema, me dê um tempo e vou mostrar para Meg que a estrada não é lugar para mulher.
— Vou te dar 15 dias que são os dias de férias dela, depois disso ela tem que estar aqui para votar na escola. Me estendeu, João?
— Sim, Ema, entendi.
Que linda que Ema está, minha mulher era bonita, mas minha cunhada é maravilhosa.
Brava desse jeito, parece que saem faíscas dos olhos verdes e estes cabelos vermelhos.
Desde que minha mulher faleceu, eu não me sentia atraído por outra, acho que é pelo jeito que defende minha filha, preciso ir embora logo daqui.
— Meg, arruma sua mala e vamos, tenho que estar na firma ainda hoje.
— Vou com você, pai?
— Só por 15 dias, e você volta a morar com sua tia.
— E se eu não voltar?
— Vai voltar, menina, e vamos logo que já estou ficando atrasado.
Ela correu para fazer a mala e eu virei para sair. Dei de topo com minha cunhada, segurei para ela não ir ao chão, nossa, que perfume, que mulher. Ponho-a em pé e saio quase correndo porta afora.
“Para João, ela te odeia, não vai causar mais problemas do que você já tem”
“Ema”
Me virei chorando para ir conversar com minha sobrinha, trombei em uma parede de músculos.
Que me segura para eu não cair, que homem... acho meus olhos verdes, bonito, mas o dele tem um tom esmeralda, e a pegada então me pôs em pé só com as mãos, me soltou e saiu quase correndo da sala, será que ele sentiu esta eletricidade também?
Não… estou delirando, nada a ver, é só meu cunhado, irritante, grosso, mal-educado.
Vejo Meg vindo de encontro comigo, não se cabe de felicidade, me abraça e me dá um beijo no rosto.
— Vou com meu pai, tia, fica tranquila, ele vai cuidar bem de mim, a gente se fala, vou te ligar todo dia.
Me deu um beijo e saiu pela porta correndo, feito, louca.
João já está com o caminhão ligado e vão embora.
*No caminhão.
Estou tão eufórica que não escuto meu pai falando, ligo o som, ele desliga, abro a janela, ele fecha.
— Nós dois vamos ter que se entender, pai.
— Sim!, aqui dentro quem manda sou eu, Meg, você só liga o som se eu deixar, você não põe o pé no painel, porque eu não gosto, e também não gosto que coma, nada aqui dentro.
— Acabou, pai? Posso ligar o som?
— Pode, mas tem que ser música sertaneja, estas músicas de hoje me dão dor de cabeça.
— Mas se me der fome, pai? Não posso comer nem u
ma batatinha?
— Espera chegar no posto, aqui dentro não.
— E por que não posso abrir a janela?
— Porque o caminhão tem ar, não pode abrir a janela.
— Você pode desligar o ar e abrir a janela, não pode?
— Posso, mas não vou.
— Como a mamãe aguentava você e todas as tuas regras.
— Porque ela me amava.
Começo a sorrir, porque Meg está ficando entediada, vai ser mais fácil do que imaginei.
— Estamos chegando na firma, você não desce e não fala com ninguém, entendeu?
— Que chato, desse jeito vou ficar entediada.
— Você achou o quê? Que ser caminhoneiro é muito gostoso, é só viajar e se divertir? Não é não, é muito trabalho e louca diversão.
Paramos na firma para carregar e estão todos curiosos, porque depois da minha esposa, não carreguei ninguém na boleia, não quero dar satisfação e não vou dar.
A secretária vem com os documentos de liberação da carga e me avisa:
— João vai demorar uma hora para a sua carga estar pronta, se quiser descer sua amiga e trazer no escritório, fique à vontade.
— Muito obrigado, mas ela vai ficar no caminhão.
— Você quem sabe, João.
“Meg”
Estou do caminhão como mandou meu pai, preferi não o enfrentar, ainda estamos muito perto de casa, ele pode me levar de volta, mas quando estivermos longe, mostro para ele que ninguém manda em mim.
Parou uma Scania azul linda do nosso lado, fico olhando para ver o motorista, mas ele não desce. No vidro tem uma frase engraçada:
“20 buscar, 100 demora, 60 aqui e vamos embora”
Logo meu pai chega e “pomos o pé na estrada”, dou uma risada comigo mesma. “Sempre quis dizer isso."
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Atualizado até capítulo 38
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