Vamos deixar a vida seguir o curso

“Gabriel”

Quem sabe rola?

Pego uma marmita e dois pratos de plástico, dois sucos e vou lá na safira. Bati na porta do caminhão e esperei, bati de novo, até ela vir abrir o vidro.

— O que você quer, Gabriel?

— Vem jantar comigo?

— Não tenho fome, vai embora.

— Não me deixa sozinho, vem me fazer companhia.

Fica um silêncio, até pensei que ela ia me deixar ali do lado de fora, virei para ir para meu caminhão e ela me chama.

— Espera, Gabriel, vou aceitar.

Soltei fogos por dentro, finjo uma calma que não tenho, vou tomar cuidado para não estragar tudo, ela desce do caminhão com uma toalha e estende no chão, fiquei olhando sem entender.

— Mas você é meio lerdo, Gabriel, ou está fingindo? Vamos sentar aqui para comer.

— Nossa, nunca fiz um piquenique, Meg.

— Sempre tem uma primeira vez, o que você trouxe para a gente comer?

— Uma Marmitex e dois sucos.

Fiquei sem graça porque parece pouco.

— Ótimo, estou faminta, vem sentar, vamos comer.

Eu sentei, ela abre a marmita e divide a comida nos pratos e começamos a comer, resolvi puxar assunto.

 — E seu pai se recuperou bem do acidente?

— Minha tia cuida dele como se fosse um bebê, acho que não volta mais para a estrada.

— Nunca imaginei o João aposentado, dou uma risada.

— Ele e minha tia vivem bem juntos. Ela não gosta da estrada e sinto nele que não consegue ficar longe dela.

— Entendo o que ele sente, cada vez que fico sem ver você quase enlouqueço de saudades, se você fosse minha nunca ia te deixar sozinha.

— Por isso que não vai dar certo, eu não gosto que me prendam, sou livre, amo minha liberdade.

— Mas junto comigo você vai experimentar outro tipo de liberdade.

Acabamos de comer e continuamos ali conversando, ele tentando me convencer de que dá certo e eu tentando mostrar para ele que não.

Gabriel foi se aproximando e, quando percebi, Gabriel estava sentado ao meu lado, mas virado eu encostada no pneu e ele de frente com o pneu.

 O braço passando por cima de mim e quase rosto com rosto, abaixei a cabeça para não olhar nos olhos dele, ele pega no meu queixo e diz:

Olha para mim, Meg, estou aqui com você, por você.

Com a mão livre, ele tira uma mexa do meu cabelo que está no meu rosto e acaricia, desce a mão até meu lábio e passa o dedo como se quisesse marcar minha boca com o sabor dele.

Se aproxima mais e me beija. Ergo minhas mãos e toquei o peito, sinto os músculos reagirem ao meu toque, comecei a ficar sem fôlego, tentei escapar, mas o braço dele me impede.

— Meg não foge de mim, por favor.

— Gabriel, não posso fazer isso, me deixa ir.

— Por quê? O que os outros têm que eu não tenho.

— Que outros, Gabriel? É por isso que não posso, você não sabe nada de mim, não me vê.

Começo a chorar, ele fica me encarando e percebe que falou demais de novo.

— Me desculpa, é que perco a razão cada vez que você me rejeita, eu não consigo entender, sei que você sente atração por mim, mas mesmo assim me rejeita.

 É como se você fosse virgem e eu estivesse tentando tirar sua pureza. Claro que isso é impossível, você é uma mulher linda, nunca na vida estaria virgem.

Até hoje.

Ela só fica me olhando séria, não diz nada.

— Vai embora, Gabriel, me deixe em paz.

Meg sobe no caminhão e me larga ali sentado pensando, não pode ser……, será?

Se ela for virgem, isso significa que sou um monstro, acusei ela tantas vezes de não sair comigo e nunca saiu com ninguém, por isso a mágoa. Será que Meg está me esperando? Estou ficando maluco, vou ter que ter certeza, mas como? Preciso dar um jeito de ficar pelado na frente dela. Se ela for virgem, vai querer me matar ou quem sabe pula nos meus braços e acaba com essa vontade dela que sinto.

Vou para meu caminhão e começo a bolar um plano, tem que ser em um lugar onde estejamos sozinhos. Que ela não consiga fugir rápido para que eu possa ver a reação dela, mas como? Já sei, vou entrar, tomar banho com ela….isso ia ser bom, mas não dá, ela vai me chamar de tarado e vai ficar mais um ano sem falar comigo. Tem que ser de um jeito que ela pense que foi coincidência, tenho que arrumar direitinho porque, se ela descobrir, eu estou ferrado.

Durmo pensando em como pôr meu plano em prática, mas amanhece e não consegui resolver, mas é hora de ir tomar café da manhã com minha sereia.

Cheguei no restaurante, ela já está esperando o pedido ficar pronto, faço o meu e vou até ela. Me aproximo, dou um beijo e digo:

— Bom dia, minha sereia, dormiu bem?

— Você pode parar com isso, não sou sua e não quero intimidade com você.

— Já vi que não dormiu, se tivesse me chamado para dormir com você, te garanto que havia dormido melhor.

— Gabriel, você está muito convencido, eu dormi muito bem, só não quero que você fique me beijando, porque não temos nada, e você é um galinha.

— Meg prometo que se você namorar comigo, não vai ter mais ninguém, meu coração e o resto todo vai ser só seu.

— Claro, até eu virar a esquina com a safira.

— Nossa! Meg, eu sei ser fiel, e vou ser, claro, se você me quiser.

— Vou voltar para a rota normal.

— Não faça isso, está tão bom aqui sem seus amigos para nos atrapalhar.

— Fiz esta rota para ficar longe de você, mas fiquei ainda mais perto, então vou voltar para a outra.

— Deixa assim até o fim de semana, deixa eu te curtir mais um pouco, lá com eles eu não tenho vez.

— Gabriel, você me está saindo um bebê chorão, mas tá bom, vou deixar assim mais uns dias, mas se você

aprontar alguma coisa, eu te mato.

— Prometo me comportar, vou trabalhar e te vejo no jantar, tchau, minha sereia.

Dou um beijo nela e vou embora antes que mude de ideia. Tenho até o final de semana para pôr meu plano em prática.

“Meg”

O que estou fazendo? Ontem à noite, quase contei para ele que sou virgem, não posso deixar ele descobrir, senão vou ficar na mão dele.

Aí cai na besteira de prometer para ele ficar nesta rota, sozinha com ele. O que vou fazer? Como vou conseguir resistir a Gabriel? Na realidade, nem sei se quero resistir, adoro a sensação que os beijos dele provocam em meu corpo. Nossa, o que vou fazer? Quer saber, vou deixar a vida seguir o curso e vou resolvendo os problemas conforme forem surgindo.

E assim sigo meu caminho, voltei a ligar o rádio amador e matei a saudade de alguns amigos. O dia acabou, estou chegando de volta no posto e me sinto ficando ansiosa, quase passei direto, mas no último instante resolvi entrar e seja o que Deus quiser.

Parei a safira e vejo ele vindo na minha direção, abre a porta e me pega no colo, me beija e eu quase me perco nos braços dele.

— Boa noite, minha sereia, senti sua falta e fiquei morrendo de ciúmes de você na hora que ouvi sua voz no rádio amador e não falou meu nome.

— Porque eu falaria seu nome, não estava te procurando.

— Nossa! Fiquei magoado, achei que você tinha sentido saudades de mim.

— Vou confessar uma coisa, Gabriel, mas não fica convencido, eu não via a hora do dia acabar. Para vir ver você.

Sinto meu rosto esquentar e sei que fiquei corada. Ele fica me olhando e me beija de novo.

— Meg, você é surpreendente, eu não consigo tirar meus olhos e minhas mãos de você.

— Preciso de um banho, Gabriel.

— Se isso é um convite, aceito.

Vejo ela corar de novo e se afastar de mim.

— Calma, minha sereia, foi só uma brincadeira.

 Preciso de um tempo para me acostumar com suas brincadeiras.

— Vai tomar seu banho e eu te espero aqui para a gente ir jantar, dou um beijo na bochecha dela e ela vai para o banheiro.

Mais populares

Comments

Juliana Barboza

Juliana Barboza

autora que eles sejam muito felizes autora eles merecem

2025-03-25

2

Jessica Carmo

Jessica Carmo

autora estou encantada com essa história maravilhosa, parabéns autora.

2025-03-26

1

Raimunda Morais

Raimunda Morais

Gabriel e uma figura ,só Jesus na vida dele

2025-03-27

1

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!