Eduardo, a tentação em forma de homem

E o mês voou, já vou voltar para a faculdade, hoje é sexta-feira e já estou no posto esperando para entregar a chave para o tubarão. Vejo ele chegando e abri um sorriso e fui ao encontro. Abracei-o e estamos nos cumprimentando e ouvi um rosnado.

Olhei e vi Gabriel, vindo como um vento, e falou:

— Tubarão, as coisas mudaram, solta minha mulher se não quiser ficar sem os dentes.

Entrei na frente e falei:

— Gabriel, estou em uma conversa particular, volta depois.

Ele me olha e fica pensando se vai ou me enfrenta, volta e encosta na carreta dele e fica nos olhando.

Tubarão me olha rindo e diz:

— As coisas mudaram em?

— Só um pouco tubarão, estou ficando com o Gabriel, mas ele tem muito o que aprender sobre respeito.

— Meg fico feliz por vocês, mas ele vai ter muito trabalho, com uma mulher tão linda e voluntariosa como você.

Comecei a rir e estendi a mão, entregando a chave.

— Toma Maurício a chave e até sexta-feira à noite.

— Tchau, Meg.

Vou em direção ao Gabriel, cheguei bem perto, mas não encostei.

— Você vai ficar emburrado e não vai me beijar?

— Que tal, Meg, você tomar a atitude só uma vez?

Balancei a cabeça concordando, respirei, ergui minhas mãos, toquei a barba dele e beijei primeiro na testa, depois na bochecha e por último na boca dele, comecei meio insegura.

 Mas, quando sinto o corpo dele reagindo, continuei, aprofundei o beijo, enfiei a língua na boca dele e, com isso, sinto as mãos dele me segurando pela cintura.

 — Quem está te ensinando a beijar assim?

— Um motorista gato que conheci faz alguns anos.

— Me fala o nome dele que vou arrancar a língua dele, porque se ela esteve dentro da sua boca, eu não posso permitir.

— Gabriel, vulgo predador. Você conhece?

— Minha sereia, com este eu não dou conta de brigar, ele é muito forte.

— Que pena, ele está me dando umas aulas ótimas.

— Vamos parar porque estou ficando com ciúmes de mim mesmo.

— Como você é bobo, Gabriel. Amanhã volto para as aulas e não vou estar aqui, mas você se comporta porque tenho espiões te vigiando, entendeu?

— Pode deixar, minha sereia, vou morrer de saudades até sábado.

Meu Uber chega, me despeço dele e vou começar minha semana.

Cheguei em casa, abracei meu pai e minha tia e fui para meu quarto.

Minha tia entra e me pergunta:

— O que mudou? Você está diferente.

— Nada, tia, só estou cansada.

— Está apaixonada, por quem?

— Nossa! Tia, não é nada disso, só estou ficando com o Gabriel.

— O tal da Scania azul? Seu pai vai surtar.

— Não fala nada por enquanto, de repente não vira nada, tia.

— Tá bom, mas me promete que você vai terminar seu curso, mesmo se der certo.

— Claro, tia, vou ser advogada, ninguém vai me tirar isso.

#Um ano depois.

Faz um ano desde o dia em que contei para minha tia que estava ficando com Gabriel, continua tudo igual, estudo a semana toda e nos finais de semana vou para a estrada, faço as entregas e janto com Gabriel.

Tivemos várias brigas porque ele quer que eu assuma o namoro e me afaste dos meus amigos. Já expliquei que, se eu assumir o namoro ou não, nada vai mudar.

 Trocamos uns beijos, ele vai embora bravo porque não chamo para subir na minha boleia, no domingo ele vem e pede desculpas e continuamos juntos.

Um dia, cheguei mais cedo no posto e peguei Gabriel com uma vadia, ele jogou a culpa em mim, disse que, se não satisfaço os desejos dele, não posso cobrar fidelidade, ficamos mais de um mês sem falar.

Mas ele veio todo carinhoso, me deu um pacote de batatas e um refrigerante e eu acabei cedendo e voltamos a ficar.

Eu não consigo me entregar totalmente ao Gabriel, tenho medo de que, se a gente transar, ele vai se achar no direito de me controlar, e isso não vou permitir, e tem o problema das tradições, eu não vou aguentar vê-lo me traindo.

Mas cada dia fica mais difícil de me manter firme no meu propósito, faltam dois anos para eu me formar.

Optei por direito criminal, no Brasil é uma área complicada, mas adoro os julgamentos.

 Devido aos estágios, estou indo assistir alguns julgamentos e tem um advogado de defesa ótimo.

Quero ser igual a ele quando me formar, já tentei falar com ele, mas tem uma aura intimidadora e não

consegui. 

Estou aqui sentada, observando ele trabalhar, deveria estar prestando atenção no que ele fala, mas hoje eu só consigo ver o quanto está bonito. Se eu não fosse comprometida, com certeza me apaixonaria, moreno, olhos verdes, 1,90 e vestindo aquele terno azul-marinho, que homem maravilhoso.

O julgamento acabou, eu não aproveitei nada, não consegui prestar atenção, hoje estou meio avoada, levantei e vou saindo, meu celular tocou, continuei andando e enfiei a mão na bolsa para pegar.

Aí a coisa aconteceu tão rápido que, quando vi, estava nos braços do advogado e ele me perguntando alguma coisa, mas não estou prestando atenção, estou mergulhada nos olhos verdes dele, balancei a cabeça e tentei clarear a mente e escutar.

— Senhorita, você está bem?

Voltei à realidade e me recomponho e respondi:

— Estou, sim, me desculpe por qualquer coisa, seu Eduardo.

Tentei sair e seguir meu caminho, mas ele me segura e fala:

— Espera! Estou em desvantagem, você sabe meu nome e eu não sei o seu.

Virei tentando controlar o nervosismo de fã, porque sou fã deste homem, e abri um sorriso.

 — Por que você quer saber meu nome? Vai me processar por estragar sua saída triunfal?

— Talvez? Ou por tirar meu foco várias vezes durante o julgamento.

— Não fiz isso, só estava te assistindo trabalhar.

Olhei em volta e todos já saíram, estamos só os dois no auditório.

— Se você me olhasse daquele jeito em outro lugar, juro que eu ia achar que está interessada em mim.

— Dr. Eduardo, me desculpa, mas como te olhei?

— Como se eu fosse uma comida e você estivesse com muita fome.

 E dá uma risada, fiquei sem ação, como ele pode ser tão lindo e confiante, me paquera sem nem piscar. O auditório estava cheio e mesmo assim conseguiu me ver.

— Não te olhei assim, só admiro seu trabalho, mas acho melhor irmos, senão vão nos fechar aqui.

Comecei a andar e Eduardo vem atrás.

— Me fala seu nome, para que na sua formatura eu possa te fazer uma dedicatória.

— Como você sabe?

— Faz um mês que você assiste meus julgamentos, ou você é aluna de direito, ou está obcecada por mim. Espero que seja a segunda opção, mas se for a primeira, tudo bem também.

— Você queria que eu fosse obcecada por você?

 — Assim seria mais fácil, eu te paqueraria e você cairia em meus braços e faríamos um sexo animal, depois eu deixaria você perceber como sou egoísta e chato e você iria embora.

Comecei a rir porque, além de lindo, é simpático e sabe brincar.

— Sou Margaret Martins, sou aluna do terceiro ano e vou ser criminalista, quer mais alguma informação?

— Não, o resto descubro sozinho Margaret. Quer almoçar comigo?

— Acho melhor, não. Posso querer comer você, mas obrigado pelo convite.

Vou embora quase correndo, não é bom brincar com o diabo, mas se eu achava ele lindo de longe, de perto.

Ele é esplêndido e a voz? Nossa, comecei a ter pensamentos estranhos com aquela voz, é Gabriel, você fica preocupado com os motoristas, mal sabe você. 

Esse, sim, pode te ameaçar sem nem se esforçar muito.

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