Meu ponto fraco sempre foi ver alguém chorando.
Ainda mais alguém como Lorenzo, que sempre parecia tão confiante e forte.
Quando vi aquelas lágrimas silenciosas escorrendo pelo seu rosto, sem que ele pudesse controlar, não pensei duas vezes.
Aproximei-me e puxei-o para os meus braços.
Ele hesitou por um segundo, como se não estivesse acostumado com esse tipo de conforto. Mas, então, algo dentro dele desmoronou, e ele se permitiu afundar no abraço.
Lorenzo chorou como uma criança, um soluço preso no peito há tempo demais.
Passei as mãos por suas costas, tentando transmitir alguma paz.
Eu sabia o que era perder alguém.
Mas eu era apenas uma menina quando aconteceu comigo.
A dor nunca foi embora, mas, com o tempo, cicatrizou.
Para ele, a ferida ainda estava aberta, sangrando sem controle.
Foi quando um som agudo e trêmulo ecoou pelo quarto.
Dayse estava chorando.
Lorenzo afastou-se de mim de imediato, limpando o rosto rapidamente, e eu me virei para a garotinha que agora estava sentada na cama, os olhos grandes e molhados de medo.
— Tia Ruby... — sua voz saiu fraca e trêmula.
Ela estendeu os braços para mim.
— Pensei que você tivesse me deixado.
Senti meu coração partir com aquelas palavras.
Sentei ao lado dela e segurei suas mãozinhas quentes.
— Nunca faria isso, meu bem. Estou aqui. E não vou a lugar nenhum.
Lorenzo aproximou-se, e percebi que ele ainda tentava se recompor.
Dayse olhou para ele, os olhinhos arregalados.
— Tio Enzo?
Ele engoliu em seco, tentando segurar a emoção.
— Estou aqui, minha princesa.
A garotinha fungou e olhou para os dois, confusa e assustada.
— Onde estão mamãe e papai?
A pergunta pairou no ar como uma tempestade prestes a desabar. Como se ela tivesse acabado de acordar de um sonho ruim.
Lorenzo respirou fundo e se sentou na beira da cama, pegando uma das mãozinhas pequenas de Dayse nas suas.
— Pequena... — sua voz saiu baixa, rouca. — Mamãe e papai... tiveram que ir para o céu.
Os olhinhos dela se encheram de lágrimas novamente.
— Isso não foi só um sonho? Eu não quero que eles vão para o céu! Eu quero eles aqui!
Lorenzo fechou os olhos, como se cada palavra dela fosse um golpe em seu coração já machucado.
Eu a puxei para um abraço apertado.
— Eu sei, minha linda. — sussurrei, acariciando seus cabelos cacheados. — Mas sabe de uma coisa? Seus papais te amavam tanto, tanto, que eles sempre vão estar com você. No seu coração, nas suas memórias. Eles nunca vão te deixar sozinha.
— Mas eu estou sozinha agora! — ela soluçou, enterrando o rostinho no meu ombro.
— Não está, meu amor. — Lorenzo disse, sua voz tremendo um pouco. — Eu estou aqui. E sempre vou estar. Prometo.
Dayse fungou, segurando-se em mim como se eu fosse sua âncora.
Ficamos assim por um tempo, enquanto ela chorava baixinho.
Até que, aos poucos, o cansaço venceu.
Seus olhinhos foram ficando pesados, e logo ela adormeceu novamente, aninhada em meus braços.
Lorenzo olhou para mim, e pela primeira vez vi algo diferente em seu olhar.
Era gratidão.
E talvez... um pouco de esperança.
Ele suspirou e passou as mãos pelo rosto.
— Não sei como vou fazer isso.
Eu olhei para Dayse, dormindo tranquilamente.
— Você não precisa fazer isso sozinho.
Lorenzo me encarou, como se tentasse entender o que eu estava dizendo.
E eu apenas sorri para ele.
— Se precisar de mim, estarei aqui.
Ajeitei os lençóis ao redor de Dayse, observando seu rostinho tranquilo enquanto dormia.
Era estranho como, em meio a tanto caos, uma criança ainda conseguia encontrar paz para descansar.
Inclinei-me levemente e deixei um beijo suave em sua testa.
Lorenzo, que estava sentado ao lado da cama, observava a cena em silêncio.
Eu me afastei devagar para não acordá-la e então me virei para ele.
— Me empresta seu celular.
Ele franziu a testa, confuso.
— Por quê?
— Só me dá.
Com hesitação, ele tirou o telefone do bolso e me entregou.
Peguei o aparelho e digitei rapidamente meu número.
Depois, mandei uma mensagem para mim mesma: Oi, esse é o meu número. Salva aí.
Devolvi o celular para ele.
— Pronto. Agora, se precisar de alguma coisa, me liga.
Lorenzo olhou para a tela, vendo o contato recém-adicionado, e depois voltou os olhos para mim.
— Ruby, você não precisa se envolver nisso.
Cruzei os braços e arqueei uma sobrancelha.
— Eu sei. Mas eu quero.
Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo bagunçado.
— Você já fez muito hoje. De verdade. Não sei nem como te agradecer.
— Não precisa. — Dei um meio sorriso. — Eu vou para o quarto meu pai agora, mas amanhã cedo estou de volta para ver como Dayse está.
Lorenzo abriu a boca para protestar, mas eu levantei a mão.
— Nem tenta me convencer do contrário.
Ele soltou um suspiro pesado, como se já soubesse que não adiantava discutir.
— Tudo bem.
Dei um último olhar para a pequena Dayse e depois para Lorenzo.
Seus olhos estavam carregados de exaustão e tristeza.
Um peso tão grande para carregar sozinho.
Coloquei a mão no ombro dele e apertei levemente.
— Vai ficar tudo bem.
Ele não respondeu, apenas assentiu lentamente.
E então, com um último olhar para os dois, saí da enfermaria.
Não sabia o que estava fazendo.
Não sabia por que me importava tanto com eles.
Mas sabia de uma coisa: eu não ia abandoná-los agora, nesse momento difícil.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Sonia De Fátima Cardoso
autora cadê vc com as atualizações?
aconteceu alguma coisa com vc?
2025-03-22
1
Izilda Dourado
por favor mais mais mais mais mais capítulo ela vai ajudar ele com a criança que casal perfeito más mas mas capítulo muito mais
2025-03-19
1
Helena
Lorenzo está arrasado.e precisa ser forte pra cuidar da Dayse.
2025-04-03
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