Minha vida voltou ao normal nos dias seguintes.
Bom, mais ou menos.
Porque, por mais que eu tentasse ignorar, Lorenzo Morreti não saía da minha cabeça.
Eu pegava o celular, pensando em procurar alguma coisa sobre ele, mas parava antes de apertar "pesquisar". Afinal, o que eu diria? "Oi, fui eu quem te pagou para fingir ser meu namorado e depois dormi com você"?
Não. Isso seria ridículo.
Então continuei minha rotina.
Até que, uma semana depois, Charlotte apareceu na minha sala com um sorriso malicioso.
— Você nunca vai adivinhar quem eu acabei de ver.
Levantei uma sobrancelha.
— O Papa?
— Melhor. Lorenzo Morreti.
Meu coração deu um salto.
— O quê? Onde?!
— Aqui no prédio.
Minha boca secou.
— Você tem certeza?
— Absoluta. Ele estava na recepção.
Fiquei parada por um momento, tentando processar a informação.
O que ele estava fazendo aqui?
Antes que eu pudesse decidir se ia fingir um desmaio para escapar ou sair correndo, meu telefone tocou.
— Senhorita Evans? — A voz da recepcionista soou do outro lado. — Tem um senhor Lorenzo Morreti aqui. Ele disse que tem um assunto importante para tratar com você.
Charlotte me olhou com os olhos brilhando de animação.
— Você vai atender?
Respirei fundo e apertei os olhos.
— Manda ele subir.
Porque, por mais que eu tentasse fugir dessa história, Lorenzo Morreti tinha voltado para minha vida.
E eu precisava descobrir o porquê.
O elevador parecia levar uma eternidade para chegar ao meu andar. Meu coração batia forte no peito, e eu odiava isso. Por que eu estava nervosa?
Charlotte estava sentada na minha mesa, assistindo meu desespero como se fosse entretenimento de primeira classe.
— Você está suando, Ruby.
— Cala a boca.
— Vai me dizer que não está ansiosa para ver seu amante misterioso?
— Ele não é meu amante. Foi uma noite. Uma.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Vamos ver o que ele tem a dizer.
Antes que eu pudesse mandar Charlotte sair da minha sala, um leve ding ecoou pelo corredor. O elevador havia chegado.
Engoli em seco quando a porta se abriu e Lorenzo Morreti saiu.
Usava um terno perfeitamente ajustado ao seu corpo alto e atlético. O cabelo castanho estava impecável, e a barba por fazer dava a ele um ar ainda mais perigoso e irresistível.
Droga.
Eu me levantei, tentando parecer no controle.
— Senhor Morreti.
Ele ergueu uma sobrancelha, divertido.
— Senhorita Evans.
Charlotte soltou um hmmm e se retirou da sala antes que eu pudesse mandá-la embora.
Lorenzo fechou a porta atrás de si e me analisou.
— Então, é assim que você me recebe depois de fugir do hotel sem nem dizer adeus?
Cruzei os braços e fingi desinteresse.
— Achei que estava claro que era apenas uma noite. Sem necessidade de despedidas.
Ele sorriu de lado.
— Interessante. Porque você parecia bem generosa, considerando que me pagar depois.
Meu rosto esquentou.
— Eu já pedi desculpas por isso!
— Não pediu.
Suspirei, exasperada.
— Tá bom. Desculpa por te pagar como se fosse um…
— Garoto de programa?
Eu fiz uma careta.
— Eu não disse isso.
— Mas pensou.
Bufei.
— O que você quer, Lorenzo? Por que está aqui?
Ele se aproximou, e eu me obriguei a não recuar.
— Tenho negócios nesse prédio. Mas, quando vi o nome Ruby Evans no painel da recepção, pensei que deveria vir dizer oi.
— Que gentil da sua parte.
— Sempre sou.
Nos encaramos por alguns segundos, e eu odiei o fato de que ainda sentia um arrepio na pele só de estar perto dele.
— Negócios? — perguntei, tentando me concentrar em algo que não fosse a maneira como ele me olhava. — O que você faz da vida?
Lorenzo inclinou a cabeça, como se estivesse decidindo se me contava ou não.
— Quer mesmo saber?
Assenti.
Ele sorriu.
— Sou advogado.
Meu queixo quase caiu.
— O quê?!
— Advogado. Como você.
— Você não pode estar falando sério.
Ele tirou um cartão do bolso e entregou para mim.
Lorenzo Morreti
Advogado Corporativo e especialista em direito familiar.
Morreti & Associados
Fiquei boquiaberta.
— Então… você não era motorista de aplicativo?
Ele riu.
— Não. Mas, pelo visto, sou convincente o bastante para você ter acreditado.
— Eu… como… por quê?
Ele se inclinou contra minha mesa, claramente se divertindo com minha confusão.
— Naquele final de tarde eu tinha acabado de sair de um julgamento, parei para poder responder uma mensagem, quando você entrou no meu carro e começou a dar ordens. Achei engraçado, então resolvi ver até onde aquilo ia.
Levei a mão à testa.
— Meu Deus.
— Relaxa, Evans. Foi a melhor carona da minha vida.
Olhei para ele, ainda tentando processar tudo.
— Então, quer dizer que… você tem um escritório de advocacia?
— Exatamente.
— E você esteve me ouvindo desabafar sobre meu ex, minha vida amorosa fracassada, e me deixou pensar que era um motorista de aplicativo?!
— Basicamente.
— Lorenzo!
Ele deu de ombros.
— Foi divertido.
Eu o encarei, incrédula.
— Você é inacreditável.
— E você é adorável quando está irritada.
Cruzei os braços, tentando ignorar o fato de que meu coração estava batendo ainda mais rápido.
— Então você só veio aqui para me zoar?
— Vim porque queria te ver.
Meu estômago deu uma reviravolta inesperada.
Lorenzo se aproximou, diminuindo a distância entre nós.
— Me diz, Ruby… você realmente acha que aquilo foi só uma noite?
Engoli em seco.
— Foi, não foi?
Ele sorriu de lado, como se soubesse algo que eu não sabia.
— Se você diz.
Antes que eu pudesse responder, Lorenzo pegou o cartão de volta da minha mão, puxou uma caneta do bolso e rabiscou algo nele.
— Meu número pessoal. Se algum dia quiser repetir a noite… ou só me chamar para um drink.
Ele piscou para mim e saiu da sala como se não tivesse acabado de bagunçar meu mundo inteiro.
Olhei para o cartão e depois para a porta.
Lorenzo Morreti era um problema.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu gostava da ideia de me meter em problemas.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Dulce Gama
Ruby vai nessa procura esquecer o desgraçado do teu ex e entra de cabeça nessa KKK 🌹🌹🌹🌹🌹🎁🎁🎁🎁🎁👍👍👍👍👍
2025-03-16
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Helena
kkkkkkk vai com tudo.cai de cabeça,boca,braços abertos nesse problema.uuiiiii
2025-04-03
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Cristiane F silva
Eu ingênuamente pensei que teria um beijão kkkkk
2025-03-16
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