Narrado por Lorenzo Moretti
Fui para o carro e, assim que me sentei no banco do motorista, meu celular vibrou. Uma mensagem do Lucca.
Lucca: Jantar aqui em casa hoje. Emilly fez lasanha. Dayse quer ver o tio favorito.
Sorri ao ler a mensagem. Eu precisava mesmo de um tempo com minha família.
Eu: Se tem lasanha e Dayse, estou a caminho.
Dirigi até o apartamento de Lucca e, assim que estacionei, mal tive tempo de bater na porta antes de ser atacado por uma bolinha de energia loira.
— TIO ENZO! — Dayse gritou, pulando nos meus braços.
— Pequena! Você tá mais pesada! O que a sua mãe tá te dando de comer?
— Brócolis. Mas eu jogo fora quando ela não tá olhando.
Emilly apareceu na porta, colocando as mãos na cintura.
— Dayse Moretti, o que eu acabei de ouvir?
— Nada, mamãe! Eu disse que AMO brócolis!
Soltei uma gargalhada e abracei Emilly.
— Boa noite, cunhada. Obrigado pelo convite.
— Boa noite, Enzo. Entre logo antes que a comida esfrie.
Assim que entrei, Lucca me recebeu com um tapa nas costas.
— Achei que ia se atrasar.
— Eu sou um homem comprometido com lasanhas, Lucca.
Nos sentamos à mesa e começamos a jantar. Tudo estava uma delícia, como sempre. Emilly cozinhava tão bem que eu sempre dizia que Lucca tinha dado sorte.
Mas então, no meio da conversa, Emilly jogou uma bomba.
— Então, Lorenzo… Lucca me contou sobre Ruby.
Quase engasguei com a lasanha. Olhei para Lucca, que ria de boca cheia.
— Filho da mãe, você contou para ela?
— Claro que sim. Você me conhece. Não guardo segredos dela.
Emilly sorriu, claramente animada.
— Quero saber tudo! Parece que ela mexeu mesmo com você.
— Não exagera.
— Lorenzo, você suspirou quando ouviu o nome dela.
— Eu não suspirei.
— Suspirou sim, — Lucca confirmou, rindo.
Dayse, que até então estava focada na comida, olhou para mim com curiosidade.
— Tio Enzo tá apaixonado?
— Não, Dayse. Seu tio não se apaixona.
Ela revirou os olhinhos de criança esperta e continuou comendo.
— Então me conta mais sobre ela, — Emilly insistiu.
Suspirei, dessa vez propositalmente e larguei o garfo.
— Ela é… diferente.
— Diferente como?
— Ela não leva desaforo para casa, é afiada no que faz e tem um olhar… — hesitei por um segundo.
Lucca arqueou uma sobrancelha, claramente se divertindo com a minha falta de palavras.
— Tem um olhar o quê? Encantador? Misterioso? Ou você só está apaixonado e não quer admitir?
— Eu não estou apaixonado. — Cruzei os braços, me encostando na cadeira.
— Claro que não, você só está aqui, jantando conosco, suspirando pelo nome dela e olhando para o nada como se estivesse revivendo cada segundo que passou ao lado dela. — Emilly provocou, piscando.
Dayse, com a boca suja de molho de tomate, ergueu o garfo e decretou:
— O titio tá amando.
— Não estou amando, coisa pequena.
Ela me encarou com aqueles olhinhos espertos.
— Então por que você tá vermelho?
Lucca e Emilly começaram a rir, e eu passei a mão pelo rosto, sentindo o calor subir. Ótimo. Agora até minha sobrinha de cinco anos estava contra mim.
— Falando sério, Lorenzo, por que você não manda uma mensagem para ela? — Emilly sugeriu.
— Porque eu dei o meu número para ela. Se ela quisesse, já teria entrado em contato.
— Ou talvez ela esteja esperando você dar um passo.
— Ou talvez ela só tenha aproveitado a noite e seguido em frente.
Os três ficaram me encarando, como se minha resposta fosse absurda.
— Tio, você é burro? — Dayse perguntou com a maior naturalidade do mundo.
Engasguei com a água e Lucca caiu na gargalhada.
— Dayse, onde você aprendeu essa palavra? — Emilly perguntou, tentando segurar o riso.
— Na escola. O Harry chama o irmão dele de burro o tempo todo.
— Bem, dessa vez ela usou no contexto certo. — Lucca zombou.
— Ótimo, até minha sobrinha acha que estou sendo idiota.
— Porque está. — Emilly apontou o garfo para mim. — Se você está interessado, corra atrás. Mulheres como Ruby não aparecem todo dia.
Fiquei em silêncio por um momento.
Ruby realmente era única. E talvez Emilly tivesse razão.
Talvez eu devesse correr atrás.
Ficamos mais um pouco conversando depois do jantar, e eu acabei sendo puxado para o chão por Dayse, que insistia para eu brincar com as bonecas dela.
— Tio Enzo, essa aqui é a princesa Serena. — Ela segurou uma boneca loira de vestido rosa. — E esse é o príncipe Max. Ele é meio bobão, mas ela gosta dele assim mesmo.
Olhei para os bonecos e depois para ela, desconfiado.
— Você acabou de chamar seu tio de bobão disfarçadamente?
Ela riu.
— Se a carapuça serviu...
Lucca explodiu em gargalhadas e Emilly tentou segurar o riso, mas falhou miseravelmente.
— Ótimo. Agora até minha sobrinha está me zoando. — Balancei a cabeça.
— Eu só falo verdades, tio. — Dayse disse, com a cara mais inocente do mundo.
Suspirei dramaticamente.
— Eu era feliz antes de você aprender a falar, sabia?
Ela me ignorou e continuou brincando com as bonecas, fazendo vozes diferentes para cada uma. Eu me deixei levar e entrei na brincadeira, dando vozes ridículas para os personagens. No fim, todos estávamos rindo como idiotas.
Depois de um tempo, Lucca olhou para o relógio e bateu palmas.
— Bom, acho que já podemos ir dormir. Temos que acordar cedo amanhã.
— Acordar cedo para quê? — perguntei, curioso.
— Vamos viajar. Dayse quer ir a um parque que fica a uma hora e meia de Londres.
Dayse pulou animada.
— Vai ter montanha-russa, tio Lorenzo! Eu sou corajosa!
— Ah, então você gosta de aventura?
Ela assentiu com entusiasmo.
— Mais que eu gosto de lasanha!
— Nossa, então deve gostar muito.
Ela riu e me abraçou.
— Queria que você fosse com a gente.
— Gostaria, pequena, mas tenho trabalho. Mas me promete que vai se divertir o dobro por mim?
— Prometo! — Ela ergueu o mindinho, e eu entrelacei o meu no dela.
Me despedi de Emilly e Lucca, desejando uma boa viagem, e então fui dar um beijo na testa da minha sobrinha.
— E nada de chamar ninguém de burro no parque, ouviu?
— Só se ele for mesmo.
— Dayse! — Emilly ralhou, mas estava rindo.
— Brincadeirinha, mamãe.
Minha sobrinha definitivamente era uma Moretti.
Saí do apartamento com um sorriso no rosto. Antes de ir, dei um abraço apertado em Lucca.
— Tchau, irmão. Boa viagem. Tenta não perder a paciência com a Dayse quando ela quiser ir na mesma montanha-russa vinte vezes seguidas.
— Ela que lute, eu e Emilly vamos fingir que sentimos um mal súbito e deixar ela com os monitores do parque.
— Que pai maravilhoso.
— Realista.
Rimos e nos despedimos.
Caminhei até meu carro e segui para casa, ainda com a cabeça cheia das provocações de Lucca e Emilly.
Ruby.
Droga.
Eu precisava fazer algo sobre isso.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Sônia Ribeiro
Ah que pena que acabou os capítulos 😞 queria ++++😁 autora amando essa história ♥️♥️👏👏👏👏🥰
2025-03-16
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Helena
kkkkk que figurinha é essa Dayse.linda e esperta.
2025-04-03
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Juliana Barboza
que eles sejam muito felizes Ruby ir enzo
2025-03-16
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