Narrado por Lorenzo Moretti
Se alguém me dissesse que eu estaria sentado em uma cafeteria no centro de Londres, devolvendo dinheiro para uma mulher que praticamente me pagou pelos serviços não profissionais da noite anterior, eu teria rido na cara dessa pessoa. Mas ali estava eu, empurrando o bolo de notas para Ruby Evans, enquanto ela me olhava como se eu fosse um lunático.
— O que é isso, Moretti? — ela perguntou, franzindo a testa.
Cruzei os braços e joguei o corpo contra a cadeira, tentando parecer sério.
— Seu dinheiro.
Ela piscou algumas vezes, como se não tivesse ouvido direito.
— O quê?
Empurrei as notas um pouco mais para frente.
— O dinheiro que você me deu naquela manhã. Eu não sou gigolô, Evans.
Foi aí que ela explodiu em uma gargalhada tão alta que algumas pessoas na cafeteria viraram para olhar. Ruby segurou a barriga e bateu a mão na mesa, ainda rindo, enquanto eu a observava, incrédulo.
— Você tá falando sério? — ela perguntou, limpando uma lágrima no canto do olho.
— Muito.
— Meu Deus, Lorenzo! Eu dei esse dinheiro para você!
— Eu sei. E estou devolvendo.
Ela me olhou, ainda com um sorriso nos lábios, e pegou o café, dando um gole antes de responder:
— Isso é uma ofensa? Você acha que eu te contratei?
— Tecnicamente, sim.
Ela riu de novo, balançando a cabeça.
— Moretti, querido, eu só queria te agradecer por me ajudar naquela noite. Não foi um pagamento, foi um presente.
— Bem, eu não aceito presentes em dinheiro. Faz parecer que sou um…
— Gigolô?
— Exatamente.
Ruby revirou os olhos e empurrou o dinheiro de volta para mim.
— E se eu me recusar a pegar de volta?
— Então eu vou doar para a caridade.
— Ótimo! — Ela sorriu. — Doe para um fundo de ajuda para advogados abandonados por ex-noivos babacas.
Dessa vez, fui eu quem riu. Essa mulher tinha um senso de humor afiado, e eu gostava disso mais do que deveria.
— Certo, certo, eu fico com o dinheiro. Mas só porque você insiste.
Ela sorriu satisfeita e apoiou o queixo na mão, me observando.
— E você, Moretti? Vai me contar mais sobre você ou só vai continuar me olhando com essa cara de quem quer me devorar viva?
Apoiei os cotovelos na mesa e encostei o queixo nas mãos, imitando-a.
— Depende. Se eu te contar mais sobre mim, isso significa que você vai me ligar mais rápido da próxima vez?
Ela deu de ombros.
— Talvez.
Suspirei, fingindo rendição.
— Certo. Nasci e cresci na Itália, em uma família… influente, digamos assim.
— Influente como?
— Influente o suficiente para que meu sobrenome abra portas… ou cause problemas.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Agora você me deixou curiosa.
— É melhor não se aprofundar demais. Minha família gosta de manter as aparências, mas a pressão de seguir o caminho que eles queriam para mim era insuportável. Quando completei 26 anos, decidi vir para Londres, buscar novos horizontes. Vim com meu primo Lucca, que é como um irmão para mim. Juntos, montamos nosso próprio escritório de advocacia, o Moretti & Associados.
Ruby sorriu.
— Então você não é só um rostinho bonito e um corpão de perder o fôlego?
— Ah, então você acha meu corpo irresistível?
Ela revirou os olhos.
— Não se empolga.
— Tarde demais.
Ela riu e deu outro gole no café.
— E seus pais aceitaram bem sua mudança para cá?
Soltei um suspiro pesado.
— Nem um pouco. Eles ficaram furiosos. Achavam que eu estava desperdiçando minha vida, deixando para trás tudo que eles haviam construído. Mas eu e Lucca estávamos cansados daquela vida. Queríamos algo nosso, algo que fizéssemos por nós mesmos, sem sermos apenas ‘os filhos de alguém importante’.
Ruby me observou por um momento, como se estivesse me analisando.
— Sabe o que é engraçado?
— O quê?
— Você tem o tipo de vida que parece perfeito por fora, mas que, no fundo, não te fazia feliz. E eu passei anos tentando construir algo do zero, vindo de uma família humilde, sempre lutando para provar meu valor.
Assenti, entendendo perfeitamente o que ela queria dizer.
— Talvez seja por isso que a gente se dá tão bem. Você lutou para ter um nome, e eu lutei para não ser apenas um sobrenome.
Ela sorriu, e por um momento, apenas ficamos ali, nos encarando.
Então, Ruby se levantou de repente, pegou o dinheiro da mesa e colocou no meu bolso.
— Pronto. Agora você tem um presente meu. Usa pra pagar o café.
Soltei uma gargalhada.
— Você é inacreditável.
Ela piscou para mim e pegou sua bolsa.
— Eu sei. Agora, se me der licença, tenho que trabalhar.
— Nos vemos em breve, Evans?
— Se você tiver sorte, Moretti.
E com isso, ela saiu da cafeteria, me deixando para trás com um sorriso bobo no rosto e uma certeza na cabeça: eu estava completamente bobo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 36
Comments
Helena
kkkkk ah briga não.me passe esse dinheiro..eu não.me sentirei ofendida não viu.kkkkkk
2025-04-03
0
Helena
eu pensei que o Lorenzo e o Lucca seriam.parentes do Dante e do Leandro
2025-04-03
0
Claudia
Enzö e Lucca são da Itália tem grande influência?? A vida deles não é fácil 🥰🥰♾🧿
2025-03-17
0