O som irritante do meu celular tocando me fez despertar de um sono maravilhoso. Peguei o aparelho tateando a mesa de cabeceira, sem nem abrir os olhos.
— Se não for uma emergência, eu juro que vou...
— Ruby! — A voz desesperada do meu irmão mais novo quase me fez pular da cama. — O papai caiu da escada!
Abri os olhos na mesma hora, sentando-me na cama.
— O quê?! Como assim caiu da escada? O que ele estava fazendo?
— Tentando pegar uma penca de banana.
Fiquei em silêncio por um momento, tentando processar a informação.
— Então você está me dizendo que o nosso pai, um homem de quase sessenta anos, achou que era uma ótima ideia subir numa escada e tentar arrancar uma penca de banana sozinho?
— Basicamente.
— Meu Deus do céu. — Passei a mão no rosto, sentindo o cansaço bater. Olhei para o relógio no criado-mudo. SETE DA MANHÃ em pleno sábado. Meu pai sequer esperava o dia começar para aprontar alguma coisa.
— Ele está bem? Onde ele está agora?
— Estamos levando ele para a cidade mais próxima a cidade de Banert. Você sabe que o hospital daqui não tem estrutura para atender direito.
Suspirei e já comecei a levantar, andando pelo quarto enquanto tentava organizar os pensamentos.
— Tá bom. Me mandem o endereço certinho. Eu estou indo.
Desliguei e corri para o banheiro, tomando um banho rápido antes de colocar uma roupa confortável. Peguei uma bolsa, joguei algumas coisas dentro e saí apressada.
Eu realmente precisava comprar um carro logo.
Chamei um táxi para a rodoviária e, assim que cheguei, fui direto para o guichê.
— Uma passagem para Banert.
A atendente olhou para mim com uma expressão entediada.
— O próximo ônibus sai em quinze minutos.
Ótimo. Tempo suficiente para eu comprar um café, porque eu definitivamente precisava de cafeína para lidar com essa manhã.
Quando finalmente entrei no ônibus e me sentei, fechei os olhos por um instante. Uma hora e meia de viagem.
Quase duas horas.
Cansaço só de imaginar.
E ainda tinha que lidar com o teimoso do meu pai quando chegasse lá. Isso se ele já não estivesse tentando fugir do hospital.
O ônibus deu a partida e eu encostei a cabeça na janela, tentando relaxar, mas minha mente estava a mil.
Primeiro, eu estava preocupada com meu pai. Ele era teimoso, orgulhoso e provavelmente já estava implicando com os médicos. Segundo, eu não podia acreditar que estava viajando até o interior de Londres porque um senhor de quase sessenta anos achou que era o Tarzan e resolveu subir numa escada para pegar bananas. BANANAS!
Suspirei, olhando o celular para ver se tinha mais notícias. Meu irmão tinha mandado uma mensagem.
Tomaz: Chegamos no hospital. Ele está fazendo exames.
Bom, pelo menos isso. Mas conhecendo meu pai, se não fosse nada sério, ele ia sair de lá dizendo que os médicos estavam exagerando e que ele estava "inteiro como um touro".
Olhei pela janela, observando a paisagem mudar conforme nos afastávamos da cidade grande. O tempo estava nublado, o que combinava com meu humor naquela manhã. Tentei cochilar, mas cada solavanco do ônibus me lembrava que eu estava numa missão de resgate ao meu pai agricultor que não respeitava a própria idade.
Depois de quase duas horas que pareceram quatro, finalmente chegamos à cidade. Peguei um táxi direto para o hospital e, assim que entrei na recepção, vi meu irmão encostado na parede mexendo no celular.
— E aí? Ele já tentou fugir?
Meu irmão riu.
— Três vezes. Os enfermeiros já estão de olho nele.
— Ótimo. — Revirei os olhos. — E como ele está?
— Com a perna enfaixada e reclamando de tudo. O médico disse que foi uma torção, mas que precisa de repouso.
— Repouso? Para o nosso pai? — Soltei uma risada sarcástica. — Esse homem não fica parado nem para assistir televisão.
Meu irmão riu e apontou para um corredor.
— Vem, ele está lá dentro. Mas se prepara, porque ele já está de mau humor.
Suspirei e segui para o quarto. Assim que entrei, encontrei meu pai sentado na cama de hospital, braços cruzados e cara emburrada.
— Ruby! Que diabos você tá fazendo aqui, menina?
— Ah, sei lá, pai. Só achei que seria legal viajar duas horas no sábado de manhã para ver você se fingindo de vítima depois de cair de uma escada.
Ele resmungou algo incompreensível e bufou.
— Isso tudo por causa de uma torçãozinha. Esses médicos gostam de drama.
— Drama? Você caiu da ESCADA tentando pegar banana, pai!
— E qual é o problema? Eu já fiz isso mil vezes.
— Sim, e agora olha onde você está. — Apontei para a cama do hospital. — Deitado, com a perna enfaixada.
Ele bufou, olhando para a perna como se fosse uma ofensa pessoal.
— Isso é exagero. Amanhã já vou estar no campo de novo.
— Amanhã você vai estar em casa, deitado, descansando.
Ele fez uma careta.
— Que chato.
Revirei os olhos e me joguei na cadeira ao lado da cama.
— Se serve de consolo, sua teimosia continua intacta.
Ele riu e bagunçou meu cabelo.
— E você continua uma pentelha.
Sorri, aliviada por vê-lo bem, mesmo sendo teimoso como sempre. Meu pai podia ser um caso perdido quando o assunto era se cuidar, mas pelo menos estava inteiro.
Agora, eu só precisava bolar um plano para mantê-lo longe de escadas e pés de banana. Missão impossível, parte dois.
O médico entrou no quarto segurando uma prancheta e ajeitando os óculos.
— Bom, senhor Evans, sua torção não é grave, mas precisa de repouso. Vamos deixá-lo em observação esta noite para garantir que não tenha complicações.
— Observação? Aqui?! — Meu pai arregalou os olhos, indignado. — Mas eu estou ótimo!
Cruzei os braços e encarei ele.
— Ótimo não cai de escada, pai.
Ele bufou, cruzando os braços como uma criança contrariada.
— Isso é exagero. Eu posso muito bem descansar em casa.
— Pode, mas não vai. — O médico sorriu, paciente. — Uma noite só, senhor Evans. Amanhã, se estiver tudo certo, pode ir para casa.
Ele resmungou algo incompreensível, mas não teve escolha. Tomaz, meu irmão, estava encostado na parede, de cara fechada. Ele odiava ver nosso pai assim, vulnerável.
Minutos depois, minha madrasta apareceu. Ela estava em outra cidade ajudando a irmã, mas correu para cá assim que soube do acidente. Assim que entrou, foi direto até meu pai e segurou a mão dele.
— Que susto você me deu! — Ela suspirou. — O que aconteceu dessa vez?
— Nada demais. — Ele fez um gesto desdenhoso. — Só uma torção.
— “Nada demais” uma ova! — Cruzei os braços. — Se dependesse de você, já estaria pulando cerca amanhã.
Minha madrasta balançou a cabeça, sem paciência.
— Homem teimoso.
Depois que meu pai finalmente aceitou que passaria a noite ali, ele se acomodou melhor e começamos a conversar. Ele perguntou sobre minha vida em Londres e eu disse que estava tudo perfeito.
— E o noivado? — ele perguntou, casualmente.
Suspirei.
— Terminamos.
Para minha surpresa, ele soltou um suspiro de alívio e sorriu.
— Graças a Deus! Eu sabia que aquele cara não era para você.
Fiquei boquiaberta.
— O quê?! Então por que nunca me disse nada?!
Ele deu de ombros.
— Você estava encantada, e eu não queria ser o chato que dizia ‘eu avisei’. Mas, sinceramente, Ruby, aquele rapaz era um amorfa… amorfa…
— Amorfadinha? — Tomaz arqueou uma sobrancelha.
— Isso! — Meu pai apontou para ele.
— Pelo amor de Deus, pai. — Passei a mão no rosto. — Da próxima vez, me avise antes de eu perder cinco anos da minha vida.
— Eu tentei, mas você não ia me ouvir. — Ele deu de ombros. — Mas agora que está livre, espero que tenha aprendido a escolher melhor.
Tomaz riu e minha madrasta suspirou.
— Se aprendeu ou não, pelo menos sabemos que esse não volta mais.
Soltei um suspiro dramático.
— Ótimo. Agora só preciso sobreviver ao interrogatório de vocês.
Meu pai sorriu, satisfeito, enquanto eu me perguntava como minha vida tinha virado esse caos.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Fernanda Rodrigues
amei essa família kkkk ela igualzinho o pai okkkkkk
2025-03-17
3
Helena
kkkkkkk família maluquinha,mas parecem ser unidos e amorosos.
2025-04-03
1
Helena
Tarzan de 60.anos pegando bananas.kkkkkkk
2025-04-03
1