Capítulo 12 - Meu Coração. (Ruby)

Narrado por Ruby Evans.

Já era noite Tomaz voltou para o quarto para ficar com o papai e a mãe dele.

Enquanto isso as enfermeiras que estavam de plantão agora eram nada gentis.

O choro desesperado de Dayse me partia o coração. Ela apertava minha mão com tanta força que seus dedinhos estavam vermelhos, e eu não tive coragem de soltá-la nem por um segundo.

— Por favor, Ruby, não me deixa sozinha. — Ela soluçava, o rostinho molhado de lágrimas.

A enfermeira, que já parecia impaciente, revirou os olhos.

— Se ela não quiser ir, vamos ter que da calmante.

Minha expressão endureceu.

— Isso não vai acontecer.

Acariciei os cabelos cacheados de Dayse dizendo.

— Princesa, eu vou com você, tá bom? Vou segurar sua mão o tempo todo.

Ela fungou, hesitante.

— Promete?

— Prometo.

Finalmente, ela concordou em ir para o exame, mas não soltou minha mão nem por um segundo. Durante todo o tempo, fiquei ao lado dela, contando histórias e distraindo-a enquanto a máquina fazia o seu trabalho. Eu queria protegê-la de tudo, mas, infelizmente, não podia mudar a realidade cruel que ela enfrentava.

Quando voltamos para a enfermaria, sentei na maca com ela no colo, ela ainda soluçava.

— Eu não gosto das enfermeiras.

— Por quê, princesa?

Ela abaixou a cabeça, brincando com a barra do lençol.

— Porque elas disseram que meus papais morreram.

Meu coração apertou.

— Eu sei o que isso significa. — A voz dela falhou, e lágrimas voltaram a escorrer pelo seu rostinho. — Significa que nunca mais vou ver eles.

Eu senti uma raiva crescer dentro de mim. Como alguém pode ser tão insensível a ponto de dizer isso para uma criança tão pequena? Isso era um absurdo!

— Dayse... — A abracei forte, sentindo seu corpinho pequeno tremer contra mim.

Ela chorava baixinho, sem forças, como se finalmente estivesse entendendo a imensidão da sua perda, para Uma criança tão pequena.

E então, no meio daquele silêncio doloroso, uma voz desesperada ecoou pelo corredor.

— DAYSE!

Ela levantou a cabeça e procurou pela voz. Seus olhos brilharam por um momento, antes de sussurrar:

— Tio Enzo...

Meu coração parou quando vi Lorenzo Moretti atravessando o corredor com passos apressados. Ele parecia devastado, o rosto tenso, os olhos vermelhos.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me ignorou completamente e correu até a maca, pegando Dayse nos braços.

— Meu amor, meu anjinho... — Ele a abraçou forte, passando a mão pelos cabelos dela.

— Tio Enzo, meus papais... — A voz dela se quebrou, e mais lágrimas escorreram.

Lorenzo fechou os olhos com força, engolindo em seco.

— Eu sei, minha pequena. Eu sei.

A cena me atingiu com força. A dor de Lorenzo era quase palpável. Ele segurava Dayse como se quisesse protegê-la do mundo, mas sabia que não podia apagar o que aconteceu.

Um médico se aproximou, se apresentando para Lorenzo.

— Senhor Moretti, Dayse precisa ficar em observação até os resultados da tomografia saírem. Até agora, ela não apresentou sinais de ferimentos internos, mas precisamos ter certeza.

Lorenzo assentiu, passando a mão pelos olhos.

— Obrigado, doutor.

Depois que o médico se afastou, Dayse finalmente adormeceu no colo de Lorenzo. Eu me levantei devagar e fiz um sinal com a cabeça para que ele me seguisse para um canto da enfermaria, onde poderíamos conversar sem acordá-la.

Assim que paramos, Lorenzo apoiou a testa na parede, respirando fundo.

— Meu Deus... Isso não pode estar acontecendo.

A dor na voz dele me fez sentir um nó na garganta.

— Lorenzo... Eu sinto muito.

Ele ergueu os olhos para mim, e pela primeira vez, vi um homem despedaçado.

— Meu primo... Ele e a esposa... — A voz falhou, e ele engoliu em seco. — Eu nunca imaginei que...

— Ninguém imagina uma coisa dessas.

Ele passou as mãos pelos cabelos, parecendo perdido.

— Eu sou o tutor legal da Dayse. Lucca e a Emilly tinham deixado isso claro no testamento. Mas eu nunca pensei que teria que assumir esse papel algum dia.

Fiquei em silêncio, absorvendo aquelas palavras.

Lorenzo Moretti, o advogado bem-sucedido, confiante, agora estava ali, sem chão, de luto e com a responsabilidade de criar uma criança.

— E agora? O que você vai fazer? — perguntei, suavemente.

Ele suspirou, olhando para a pequena menina adormecida na maca.

— Eu não faço ideia.

Foi então que um homem alto, de cabelos escuros e barba bem-feita, apareceu na porta da enfermaria. Ele vestia um terno impecável, mas seu olhar sério e cansado mostrava que aquele dia estava sendo horrível.

— Lorenzo.

Lorenzo ergueu os olhos lentamente e suspirou ao reconhecer o amigo.

— Samuel...

O homem se aproximou e tocou o ombro dele.

— Precisamos organizar o velório do deles. Já entrei em contato com os serviços funerários, mas tem muita coisa para resolver.

Lorenzo fechou os olhos por um momento, como se tentasse processar tudo. Então, olhou para Dayse e apertou os lábios.

— Eu não posso deixá-la sozinha.

Samuel suspirou.

— Eu sei, cara. Mas você é o responsável legal deles.

O dilema estava estampado no rosto de Lorenzo. Ele não queria sair dali. Não queria deixar a sobrinha, mesmo que por um segundo.

Foi então que eu, que até aquele momento observava a cena em silêncio, resolvi intervir.

— Pode ir, Lorenzo.

Ele virou o rosto para mim, os olhos demonstrando uma mistura de surpresa e hesitação.

— O quê?

— Eu fico com ela. — Cruzei os braços, determinada.

— Ruby, eu não sei se...

— Lorenzo, confia em mim. Eu prometo que vou cuidar dela até você voltar.

Ele ficou me encarando por alguns segundos, como se tentasse decidir se podia ou não confiar sua sobrinha a mim.

Então, finalmente, ele soltou um longo suspiro.

— Okay...

— Vai, resolve o que precisa. Eu garanto que ela vai estar bem quando você voltar.

Lorenzo assentiu lentamente.

— Obrigado, Ruby. De verdade.

Ele hesitou por mais um instante, então foi até a pequena se inclinou e beijou a sua testa e saiu.

Fiquei ali, observando a pequena menina adormecida e sentindo um aperto no peito.

Aquela criança havia perdido tudo.

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Comments

Izilda Dourado

Izilda Dourado

Que locura Lourenço agora você tá ferrado de vez duas mulheres em sua vida kkkkk mas mas mas mas mas capítulo por favor parabéns sucesso que Deus derrame chuvas de bençãos sobre você.

2025-03-18

0

Helena

Helena

tadinha dessa criança. e doloroso demais,perdeu os pais tão novinha.e que enfermeiras cruéis hein.ainda bem que a Ruby,estava ali

2025-04-03

0

Claudia

Claudia

Úall que capítulo foi esse tenso 😥😥♾🧿

2025-03-18

1

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Capítulos
1 Capítulo 1 - Falso Namorado. (Ruby)
2 Capítulo 2 - Fugir. (Ruby)
3 Capítulo 3 - Já se Apaixonou? (Enzo)
4 Capítulo 4 - Assuntos Inacabados (Enzo)
5 Capítulo 5 - Um Problema. (Ruby)
6 Capítulo 6 - Cliente Pagante. (Ruby)
7 Capítulo 7 - Bagunça Mais Linda. (Enzo)
8 Capítulo 8 - Presente Meu. (Enzo)
9 Capítulo 9 - Você é Burro. (Enzo)
10 Capítulo 10 - Nada Demais. (Ruby)
11 Capítulo 11 - Filhinha Temporária. (Ruby)
12 Capítulo 12 - Meu Coração. (Ruby)
13 Capítulo 13 - Momento Difícil (Enzo)
14 Capítulo 14 - Vai Ficar Tudo Bem! (Enzo)
15 Capítulo 15 - Meu Ponto Fraco (Ruby)
16 Capítulo 16 - Conversas de Família (Ruby)
17 Capítulo 17 - O Peso do Adeus (Enzo)
18 Capítulo 18 - Família (Enzo)
19 Capítulo 19 - O Retorno para Londres (Ruby)
20 Capítulo 20 - Não Estará Sozinha (Ruby)
21 Capítulo 21 - Eu Sempre Tenho (Ruby)
22 Capítulo 22 - Panquecas e Nhoque (Enzo)
23 Capítulo 23 - A Babá (Enzo)
24 Capítulo 24 - Entre casos e acasos (Ruby)
25 Capítulo 25 - Sr Carter (Ruby)
26 Capítulo 26 - O Aperto no Coração. (Enzo)
27 Capítulo 27 - Não se Acostume (Enzo)
28 Capítulo 28 - Tem Panqueca (Ruby)
29 Capítulo 29 - Livre ou Desempregada? (Ruby)
30 Capítulo 30 - Seguir em Frente (Ruby)
31 Capítulo 31 - Fraude (Ruby)
32 Capítulo 32 - Policial Corrupto (Enzo)
33 Capítulo 33 - Mudanças (Enzo)
34 Capítulo 34 - Alívio Interno (Enzo)
35 Capítulo 35 - Uma Grande Surpresa. (Ruby)
36 Capítulo 36 - Vai Fugir? (Ruby Evans)
Capítulos

Atualizado até capítulo 36

1
Capítulo 1 - Falso Namorado. (Ruby)
2
Capítulo 2 - Fugir. (Ruby)
3
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4
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5
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35
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Capítulo 36 - Vai Fugir? (Ruby Evans)

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