Já fazia dois dias desde a última vez que vi Ruby. Dois dias que pareciam duas eternidades. Eu estava ficando louco.
Na minha mente, tentei justificar minha visita ao escritório dela como algo profissional, mas a verdade? Eu só queria vê-la. Entrei lá fingindo que precisava resolver algo e, no final, deixei meu cartão com o meu número.
Mas até agora, nada. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação. Nenhum sinal de vida.
Olhei para o celular pela milésima vez naquele dia. Nada.
— Cara, você tá esperando alguma ligação importante ou tá só obcecado mesmo? — perguntou Lucca, enquanto revisava um processo ao meu lado.
Bufei, largando o telefone na mesa.
— Eu não sou obcecado.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Não? Então por que você está olhando para esse celular como se estivesse esperando o rei te ligar?
Revirei os olhos e fechei minha pasta.
— Deixa pra lá. Tenho um julgamento agora, preciso ir.
— Boa sorte! E vê se para de agir como um adolescente apaixonado.
Ignorei o comentário dele e saí do escritório, peguei meu carro e fui direto para o Fórum.
Assim que entrei na sala de audiências, fui direto para a mesa do meu cliente, pronto para revisar os últimos detalhes do caso. Mas então, olhei para a outra mesa… e meu coração parou por um segundo.
Ruby.
Ela estava ali, de pé, organizando seus papéis com aquela postura impecável. Vestia um terninho azul-marinho ajustado, que acentuava suas curvas de um jeito nada profissional. O cabelo estava preso em um coque, com alguns fios soltos, e os óculos realçavam ainda mais seu olhar determinado.
Eu já tinha visto muitas mulheres bonitas na vida. Mas Ruby? Ela era outro nível.
— Droga. — murmurei para mim mesmo.
Meu cliente olhou para mim, confuso.
— O quê? Acha que vamos perder?
Endireitei a postura e pigarreei.
— Não. Não é nada.
Mas era tudo! Porque agora eu teria que passar as próximas horas tentando me concentrar no caso… enquanto minha mente gritava "RUBY!".
A audiência começou. Eu estava no modo advogado: focado, argumentando com firmeza, fazendo meu trabalho com excelência. Mas toda vez que Ruby falava, meu olhar ia automaticamente para ela.
E, claro, a desgraçada sabia disso.
Em determinado momento, ela percebeu que eu a encarava e ergueu uma sobrancelha, me desafiando. Depois, ajeitou os óculos lentamente e sorriu de canto, como se dissesse "Te peguei, Moretti".
Desgraçada.
Respirei fundo e continuei.
Depois de duas horas intensas, a audiência acabou. Saímos da sala e eu precisei puxar o ar com força, tentando aliviar a tensão, meu cliente saiu pisando firme.
Foi quando ouvi uma voz atrás de mim.
— Espero que tenha aprendido a lição, Moretti.
Me virei e encontrei Ruby parada ali, segurando a pasta contra o peito.
Cruzei os braços e sorri.
— Que lição? A de que você gosta de provocar? Já sabia dessa.
Ela soltou uma risada curta.
— Não, a lição de que, no tribunal, eu sou sua pior inimiga.
Coloquei as mãos nos bolsos e dei um passo mais perto.
— Engraçado, porque fora do tribunal, eu adoraria ser tudo menos seu inimigo.
Ruby rolou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso.
— Você não tem jeito mesmo, né?
— Depende do ponto de vista. Você poderia ter me ligado, sabia?
Ela ficou sem graça por um segundo, depois recuperou a compostura.
— E estragar sua tortura psicológica? Nem pensar.
— Sádica.
— Realista.
Eu ri. Deus, como eu gostava dessa mulher.
— Que tal um café? — perguntei.
Ela fingiu pensar por um momento.
— Se você pagar.
— Feito.
Seguimos para uma cafeteria ali perto do Fórum. E, por mais que eu estivesse tentando bancar o charmoso, uma coisa era certa: Ruby Evans estava bagunçando completamente minha cabeça.
O lugar tinha uma vibe clássica, com móveis de madeira escura, uma iluminação aconchegante e o aroma irresistível de café recém-passado.
Ela escolheu uma mesa perto da janela, onde a luz do sol iluminava seu rosto de um jeito quase cinematográfico. Eu estava praticamente babando.
— Então, Moretti, como foi sua experiência perdendo para mim no tribunal? — Ruby provocou, cruzando as pernas e me lançando um olhar divertido.
Revirei os olhos, mas sorri.
— Primeiro, eu não perdi. Segundo, você também não ganhou. Foi um empate técnico.
Ela ergueu a sobrancelha.
— Se isso te faz dormir melhor à noite, tudo bem.
Ri e chamei o garçom. Pedimos dois cafés, e ela aproveitou para escolher um croissant de chocolate.
— Então, Ruby… — comecei, apoiando os cotovelos na mesa. — Você ainda não me explicou por que não me ligou.
Ela deu de ombros.
— Estava ocupada.
— Ocupada ou fugindo de mim?
— Ego inflado detectado.
— Vem cá, você sempre foi assim, ou só gosta de me ver sofrendo?
Ela sorriu de canto, partindo o croissant com os dedos.
— Moretti, se eu gostasse de te ver sofrendo, teria te deixado esperando a ligação por mais uma semana.
— Ah, então você pensou em me ligar?
Ela parou por um segundo, como se tivesse sido pega no flagra. Depois, deu um gole no café e mudou de assunto.
— E você? Além de passar os últimos dois dias esperando uma ligação minha, fez alguma coisa produtiva?
— Tentei sair com outra mulher.
Ruby arqueou uma sobrancelha.
— Sério?
— Sim.
— E?
— E foi um fracasso. Passei a noite toda pensando em uma advogada irritantemente charmosa que meu usou como motorista, depois como namorado falso e para finalizar o dia ela usou e abusou do meu corpo — Fiz uma pausa dramática — No dia seguinte jogo dinheiro na minha cara e fugiu.
Ela quase cuspiu o café de tanto rir.
— Ah, Lorenzo… Você tá mesmo ferrado.
— Eu sei.
Depois de um momento em silêncio, ela ficou séria e disse.
— Sabe… Eu não estou pronta para nada sério.
Assenti.
— E eu pareço estar?
Ela suspirou, girando a xícara entre os dedos.
— Você parece perigoso.
— Ah, claro. Porque sou um homem incrivelmente atraente, irresistível e misterioso.
Ela riu.
— Não. Porque você parece alguém que poderia me fazer quebrar meu coração.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, estudando seu rosto. Então, me inclinei um pouco para frente.
— E se eu disser que não quero que você quebre seu coração? Só quero que você pare de fugir de mim.
Ela mordeu o lábio inferior, pensativa.
— E se eu fugir mesmo assim?
Sorri.
— Então eu corro atrás.
E, naquele momento, tive certeza de que Ruby Evans era a bagunça mais linda que já entrou na minha vida.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Helena
kkkkk os 2 são ótimos.bem humorados,não escondem o jogo...
2025-04-03
1
Claudia
Rubý está magoada e sendo forte para todos, então não está sendo fácil se entregar por inteiro é compreensível ♾🧿
2025-03-17
1
Cristiane F silva
Espero que sejam. Aquele casal que mesmo que cai tudo estão sempre juntos pra tudo
2025-03-16
2