Capítulo 15: Entre Verdades e Desejos

O galpão portuário estava silencioso, exceto pelo som abafado da chuva batendo contra o telhado metálico. Gabriel estava sentado em uma poltrona velha, com uma toalha pressionada contra o ferimento na testa. Matteo costurava o corte com habilidade, mas o olhar de Gabriel estava fixo em Enzo, que andava de um lado para o outro, claramente furioso.

— Seu irmão tentou me matar, Enzo. — Gabriel murmurou, quebrando o silêncio.

— Eu sei. — Enzo parou, passando as mãos pelos cabelos. — E por isso mesmo... ele selou o próprio destino.

Matteo deu o último ponto e limpou o sangue seco no rosto de Gabriel.

— Vai ficar com uma cicatriz bonita. Vai te deixar mais... perigoso. — disse com um meio sorriso antes de sair, deixando os dois sozinhos.

O silêncio se alongou entre eles, denso, pesado. Gabriel respirou fundo e se levantou.

— Eu preciso de respostas. Tudo. Agora.

Enzo assentiu, se aproximando lentamente.

— Luca sempre odiou minha ligação com você. Desde a faculdade. Ele sabia... sentia. E quando você apareceu como investigador no nosso encalço, ele viu a chance perfeita de me quebrar. De tirar você da equação.

— Ele quer o controle total da família. — Gabriel concluiu. — E vai matar qualquer um que esteja no caminho, até você.

Enzo assentiu. Seu olhar era duro, mas havia dor ali também.

— Ele acha que amar você é uma fraqueza. Mas é o contrário, Gabriel. Você é minha força.

Gabriel engoliu seco.

— E ainda assim está na porra da máfia.

— Eu nunca quis isso! — Enzo se aproximou mais. — Eu lutei contra esse destino, mas quando meu pai morreu, não tive escolha. Assumir foi a única forma de proteger os poucos que me restavam. Inclusive você.

Gabriel sentiu o chão girar sob seus pés. A proximidade, o calor de Enzo, a intensidade nos olhos dele... era demais.

— Você me deixou. — Gabriel sussurrou, a voz falha. — Quando mais precisei, você foi embora.

— Porque se eu ficasse, ia te arrastar pra esse mundo. Eu fiz o que achei certo.

— E agora?

Enzo parou à frente dele, tão perto que Gabriel podia sentir o cheiro do perfume amadeirado misturado com sangue e adrenalina.

— Agora... não vou te deixar de novo.

Um silêncio carregado se instalou. Os olhos de Gabriel encararam os de Enzo com raiva, dor e desejo. E então ele cedeu.

As bocas se encontraram com urgência, um beijo carregado de tudo o que foi reprimido por anos. Mãos ansiosas exploravam cicatrizes, pele quente e músculos tensos. Gabriel empurrou Enzo contra a parede do galpão, prendendo-o ali com o corpo.

— Isso ainda é errado. — Gabriel murmurou contra os lábios dele.

— Mas é real. — Enzo respondeu, puxando-o para mais perto.

O beijo se intensificou. Gabriel desabotoou a camisa de Enzo com pressa, revelando o corpo tatuado. Cicatrizes antigas. Marcas de lutas que Gabriel não conhecia. Ele passou os dedos por elas, sentindo cada traço.

— Você mudou. — sussurrou.

— Você também. Mas ainda somos nós.

As roupas foram se perdendo entre beijos e toques. O desejo explodiu com a mesma fúria da tempestade lá fora. Gabriel o empurrou para o velho sofá encostado à parede, montando sobre ele, olhos fixos nos dele, como se precisasse provar algo.

Os corpos se moveram em sintonia, como se todos os anos separados não tivessem apagado a conexão visceral entre eles. Entre gemidos abafados, toques possessivos e olhares intensos, se entregaram a algo que era mais que sexo — era sobrevivência. Uma reafirmação de que estavam vivos, de que ainda se pertenciam.

Após o ápice, Gabriel caiu ao lado dele, ofegante. O suor escorria pelas têmporas, o peito subia e descia com força. Enzo estendeu a mão, entrelaçando os dedos com os dele.

— Nós precisamos acabar com isso. De uma vez por todas. — Gabriel disse, encarando o teto metálico.

— Concordo. — Enzo virou o rosto para ele. — Vamos expor Luca. Juntos. Mas você vai ter que confiar em mim.

Gabriel o encarou de volta.

— Confiança não se dá de graça. Se conquista.

— Então me deixa reconquistar. A começar por derrubar meu próprio irmão.

O som da chuva parecia a trilha perfeita para aquele novo pacto. Um pacto entre o policial e o mafioso. Entre as algemas e as cicatrizes.

Entre dois homens que, mesmo em lados opostos da lei, ainda encontravam um no outro sua única verdade.

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