Capítulo 13: Verdades Ocultas

As horas na delegacia se arrastavam como chumbo derretido. A mensagem anônima ainda vibrava na mente de Gabriel: "Eles sabem sobre o seu passado com Enzo." Aquilo mudava tudo. A relação que ele escondia com tanto cuidado já não era mais segredo — e isso o tornava vulnerável.

Sofia entrou discretamente na sala dele, carregando um envelope pardo.

— Aqui está tudo o que consegui sobre o Matias.

Gabriel pegou o envelope com mãos firmes, mas sentiu o estômago revirar ao abrir.

— E então? — ele perguntou, enquanto folheava as folhas.

— Tem coisa estranha. A ficha dele é limpa... limpa até demais. Nenhuma rede social ativa, nada de histórico médico, e os dados da formação dele parecem ter sido inseridos nos sistemas recentemente. É como se ele tivesse sido criado do nada há três anos.

Gabriel parou numa página específica. Um passaporte italiano com outro nome, mas o mesmo rosto.

— Matias Leone… Ou melhor, Alessandro Vieri. — ele sussurrou. — Filho bastardo de Giuliano Vieri. O mesmo que tentou tomar o controle da máfia Moretti há dez anos.

Sofia arregalou os olhos.

— Isso significa que ele está infiltrado... na polícia, tentando acabar com os Moretti por dentro.

— E me usando pra isso. — Gabriel murmurou. — Me colocando entre o Enzo e a destruição.

Sofia hesitou.

— O que vai fazer agora?

Gabriel levantou-se, pegando a arma e o distintivo.

— Descobrir até onde ele está envolvido. Se ele sabe demais sobre mim, então talvez ele saiba quem vazou essas informações... e com quem está trabalhando.

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O estacionamento da delegacia estava quase vazio quando Gabriel entrou em seu carro. Em vez de ligar o motor, pegou o celular e enviou uma mensagem para Enzo:

> “Preciso falar com você. É urgente.”

A resposta veio minutos depois:

> “Local seguro. Armazém 12. Meia-noite.”

Gabriel jogou o celular no banco do passageiro. Aquela noite teria mais revelações do que ele estava pronto para encarar.

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Enquanto isso, Matias descia as escadas que levavam ao porão de um prédio abandonado no centro da cidade. Um homem o esperava, com o rosto parcialmente coberto por sombras.

— O policial está se mexendo. — disse Matias. — Ele descobriu meu nome verdadeiro.

— Era esperado. Ele é bom.

— Ele não vai parar até chegar em você. E se encontrar provas do vazamento, vai ligar os pontos.

O homem deu um passo à frente. Era Luca Moretti.

— Então está na hora de acelerar o plano. Gabriel não deve morrer. Ainda não. Mas podemos usá-lo contra Enzo... como ele usou o Enzo contra nós.

Matias o olhou com frieza.

— E se ele escapar?

— Então cuidaremos disso. — Luca respondeu, com um sorriso gélido. — Ninguém ameaça meu irmão... nem por amor.

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Meia-noite. O galpão abandonado do Armazém 12 exalava poeira e história. Gabriel chegou armado, atento, cada passo meticulosamente silencioso.

Enzo já estava lá, encostado em um dos pilares de concreto. Vestia preto da cabeça aos pés, o olhar intenso iluminado pela luz fraca de um único refletor no teto.

— Achei que não viria. — disse Enzo.

— Achei que fosse uma armadilha. — Gabriel rebateu.

— Ainda pode ser. — Enzo sorriu, amargo.

Gabriel se aproximou.

— Preciso saber uma coisa, Enzo. Você já desconfiou de Matias?

— Matias? — Enzo franziu a testa. — Não.

Gabriel entregou o envelope com os documentos que Sofia encontrou.

— O verdadeiro nome dele é Alessandro Vieri. Filho do homem que tentou destruir sua família. Ele está infiltrado. E está sendo protegido... por alguém de dentro da sua própria casa.

Enzo analisou os documentos em silêncio. Os músculos do maxilar se contraíram.

— Luca... — ele murmurou. — Filho da mãe.

— Ele te traiu, Enzo. Está jogando com o inimigo. E quer me usar contra você.

Enzo deu dois passos, até ficar perto demais.

— E você? Vai se deixar usar?

— Eu vim te avisar. — Gabriel respondeu, firme. — Mas isso não muda quem você é, o que representa.

— E mesmo assim, veio. — Enzo tocou o queixo dele com os dedos. — Porque uma parte sua ainda me pertence.

Gabriel hesitou... e depois cedeu.

O beijo veio quente, urgente, como se cada segundo pudesse ser o último. Enzo o empurrou contra a parede do armazém, as mãos explorando com fome, o corpo colado, sem espaço para dúvidas.

As roupas foram arrancadas com raiva contida, e os dois se entregaram ali mesmo, entre caixas velhas e promessas perigosas.

O calor do corpo de Enzo, o sabor do perigo, a tensão do toque — tudo explodiu em um momento de prazer bruto e desesperado. Eles sabiam que estavam à beira de uma guerra, mas naquela noite, escolheram se perder um no outro.

Quando tudo acabou, Gabriel ofegava, encostado à parede, ainda nu sob o casaco jogado por cima.

— Isso não muda nada. — ele sussurrou.

— Muda tudo. — Enzo respondeu, ajoelhado à frente dele, olhos fixos nos seus. — Porque agora, se eles quiserem te alcançar... vão ter que passar por mim.

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Enquanto o relógio marcava 2h da manhã, Luca recebia uma ligação.

— Ele foi até o armazém. — Matias informou.

Luca fechou os olhos, os dedos apertando o celular com força.

— Então está decidido. Amanhã à noite... Gabriel Costa morre.

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