Capítulo 8: Entre Sombras e Suspeitas

O sol mal tinha despontado no horizonte quando Gabriel acordou, ainda envolto no calor do corpo de Enzo. O silêncio no quarto era denso, quase cúmplice. Ele não sabia o que doía mais: o prazer da noite anterior ou o peso da realidade batendo à porta.

Enzo dormia ao seu lado, tranquilo, como se não fosse o chefe da máfia mais procurado do país.

Como se não fosse o homem que poderia destruir sua carreira.

Ou seu coração.

Gabriel se sentou na beira da cama, passando as mãos pelo rosto. Ele sabia que não podia continuar com aquilo. Sabia que aquela ligação — física, emocional, visceral — podia custar tudo. Mas, por mais que tentasse, não conseguia se afastar.

Ele olhou por cima do ombro.

— Eu ainda te amo, maldito.

— Eu também. — Enzo respondeu, com a voz rouca de sono. — Mesmo que você tente negar, isso entre nós ainda está vivo.

Gabriel o encarou.

— Não devia estar.

— Mas está.

Um silêncio carregado se instalou.

— Eu preciso ir. — Gabriel murmurou, levantando-se.

— Vai me entregar?

— Ainda não.

Enzo se levantou também, nu, com a confiança de quem não tinha nada a esconder. Caminhou até Gabriel e o puxou pela cintura, colando os corpos mais uma vez.

— Então volta pra mim. Do meu jeito.

— Você sabe que isso não é possível.

Enzo o beijou devagar, com a calma de quem estava marcado demais para desistir. Quando se afastou, disse:

— Silas vai fazer o primeiro movimento hoje. Se cuida. Eu tenho olhos nele.

Gabriel assentiu, sem dizer nada.

 

Na delegacia, Sofia o esperava com o semblante preocupado.

— Gabriel, o sistema da polícia foi invadido esta madrugada. Alguém acessou relatórios confidenciais.

— O que foi vazado?

— A localização de uma das nossas bases falsas. Aquela usada para vigiar a mansão Moretti.

O coração de Gabriel apertou.

— Merda. Se Silas entregou a localização...

— Já está em andamento um plano para pegá-lo no ato. — Sofia respondeu. — Mas precisamos de você lá. Ricardo quer que você participe da operação.

 

Horas depois, em uma rua escura nos arredores da cidade, Gabriel e Sofia estavam posicionados dentro de um carro descaracterizado. Observavam a movimentação silenciosa do galpão que usavam como fachada.

Às 22h em ponto, um carro preto parou diante do local. De dentro, saiu Silas Duarte, olhando em volta com cautela.

— Bingo. — Sofia sussurrou, ajustando a câmera para gravar.

Silas forçou a entrada, sem saber que tudo estava armado. Bastava mais um passo e seria pego com a mão no crime.

Mas antes que ele pudesse atravessar a porta, um tiro ecoou na noite.

Silas caiu no chão, atingido no ombro.

— Droga! — Gabriel gritou, saindo do carro com a arma em punho. — Foi um atirador!

Confusão.

Correria.

Gritos nos rádios.

Silas sangrava no chão, inconsciente. E o atirador? Sumiu como um fantasma.

Sofia correu até ele, tentando estancar o sangramento.

— Isso não estava nos planos! — ela gritou.

Gabriel olhou ao redor. Nenhum sinal do atirador.

Mas ele sabia. Aquilo tinha as digitais de Enzo. Não para matar, mas para proteger. Para impedir que Silas falasse.

 

Naquela mesma noite, Gabriel foi até o terraço de um prédio abandonado. Enzo o esperava lá, como se tivesse previsto tudo.

— Foi você, não foi?

— Ele ia te entregar. Eu agi primeiro.

— Podia ter matado ele!

— Mas não matei.

— Isso não justifica nada!

— Justifica, sim! Eu estou te protegendo porque você não enxerga os perigos ao seu redor. Silas era só o começo. Eles sabem que você se envolveu comigo. Eles estão observando você, Gabriel.

Gabriel respirava com dificuldade. A tensão entre eles era um fio esticado prestes a arrebentar.

— Isso não vai funcionar. Eu não posso continuar entre dois mundos.

— Então escolhe. — Enzo se aproximou. — Escolhe agora. A lei... ou eu.

Gabriel cerrou os punhos.

— Eu não posso escolher.

— Pode sim. Só não quer arcar com o que vem depois.

— E se eu escolher você, Enzo? Vai me prometer o quê? Que vai largar a máfia? Que vai mudar?

Enzo o encarou nos olhos, e pela primeira vez, houve hesitação.

— Eu não posso prometer o impossível. Mas posso prometer que não vou deixar ninguém te tocar. Nunca.

Gabriel sentiu os olhos arderem.

— Isso não é o bastante.

— Talvez não. Mas é tudo que tenho.

Eles se encararam por longos segundos.

E mesmo sabendo que o abismo era fundo demais, Gabriel caiu mais uma vez. Beijou Enzo com força, desejo e desespero.

O beijo não era só desejo. Era guerra.

E os dois estavam dispostos a lutar até o fim.

---------

O Primeiro Aviso

Enquanto Gabriel e Enzo se perdiam no beijo carregado de promessas e incertezas, um carro preto estacionava discretamente na rua abaixo do prédio abandonado. Dentro dele, um homem observava o casal através de um binóculo de longo alcance.

Ele pegou o celular e digitou uma mensagem.

Número desconhecido: "Confirmado. O policial e Moretti estão juntos. Aguardo ordens."

Segundos depois, a resposta veio.

Número desconhecido: "Mantenha a vigilância. Mas logo, vamos fazer um movimento que nenhum deles espera."

O homem sorriu de canto, guardou o celular e ligou o motor do carro.

Ao longe, Enzo e Gabriel continuavam presos um ao outro, sem perceber que a sombra da destruição já pairava sobre eles.

______

A Ameaça Invisível

Horas depois, Gabriel voltou para seu apartamento, sentindo o peso do mundo sobre os ombros. O cheiro de Enzo ainda impregnava sua pele, lembrando-o do erro que não conseguia deixar de cometer. Ele precisava tomar uma decisão, mas cada escolha parecia levá-lo a um abismo diferente.

Trancou a porta e caminhou até a cozinha, pegando uma garrafa de uísque. Serviu um copo, mas antes que pudesse beber, algo chamou sua atenção.

A janela da sala estava entreaberta.

Seu coração disparou. Ele tinha certeza de que a tinha fechado antes de sair.

Lentamente, puxou a arma do coldre e se aproximou. O silêncio era absoluto, mas seu instinto gritava.

Foi então que viu.

Um envelope preto sobre a mesa de centro.

Engolindo em seco, ele o pegou e abriu. Dentro, havia apenas uma foto. Uma imagem que fez seu estômago revirar.

Era ele e Enzo no terraço, no exato momento do beijo.

No verso da foto, uma mensagem curta, escrita em tinta vermelha.

“Escolha logo, policial. Ou escolheremos por você.”

Gabriel sentiu um arrepio na espinha.

Ele e Enzo não estavam apenas sendo observados.

Eles estavam marcados.

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