Capítulo 6: Armadilhas e Mentiras

O toque do corpo de Enzo ainda queimava na pele de Gabriel quando ele voltou para sua base. O beijo, o desejo e a entrega nos braços do inimigo o marcavam mais do que qualquer missão anterior. Mas agora, de volta à realidade, o uniforme pesava como uma sentença. Ele sabia que estava caminhando em uma linha perigosa — e prestes a cair.

Sentado à mesa de reuniões, Gabriel revia os relatórios da operação, mas não conseguia se concentrar. A lembrança do toque de Enzo, da forma como ele sussurrava seu nome entre beijos urgentes, o deixava inquieto.

Sofia entrou apressada, os olhos carregando preocupação.

— Gabriel, temos um problema.

Ele ergueu os olhos, tentando afastar a confusão mental.

— O que houve?

— Um dos nossos informantes foi executado hoje. — Ela colocou uma foto na mesa. — Disseram que foi um recado da máfia. E não foi só isso...

Gabriel arregalou os olhos. A imagem mostrava o corpo de um homem com um bilhete cravado no peito. O bilhete dizia:

"Você está cavando a própria cova, detetive."

Gabriel engoliu em seco.

— Eles sabem...

— Sabem que alguém está se infiltrando. Mas não sabem que é você. Ainda.

Sofia se sentou à frente dele e falou com voz firme:

— Você precisa sair disso agora. Não só pela missão. Mas por você. Está envolvido demais.

— Eu sei... — ele murmurou. — Mas ainda não terminei.

 

Enquanto isso, no casarão dos Moretti, Enzo analisava as câmeras de segurança com Matteo ao seu lado.

— Alguém está vazando informações, — Matteo disse. — E tenho quase certeza que é alguém dentro do nosso círculo.

— Alguém próximo o suficiente pra saber dos horários de transporte das armas e dos nomes dos compradores. — Enzo passou a mão pelo cabelo, frustrado.

— Pode ser o Gabriel. — Matteo insistiu, estreitando os olhos. — Está se envolvendo demais com ele. Vai acabar nos ferrando.

— Eu controlo essa situação. — Enzo rebateu. — Confie em mim.

— A única coisa que você não consegue controlar é o que sente por ele.

O silêncio caiu entre eles. Enzo não respondeu. Sabia que Matteo tinha razão. Estava cedendo. E isso era perigoso — para ambos.

 

Na noite seguinte, Gabriel recebeu uma mensagem anônima em seu celular:

“Encontro às 2h. Armazém 17. Venha sozinho.”

Ele sabia que era arriscado, mas algo em seu instinto — ou talvez em seu coração — dizia que era Enzo. E mesmo que fosse uma armadilha, ele precisava ir.

Às 2h em ponto, Gabriel entrou no armazém vazio. A escuridão era densa, o silêncio cortante.

— Veio mesmo. — a voz conhecida ecoou do fundo.

Enzo surgiu das sombras, impecável, mas com os olhos cansados. Carregava uma pasta de couro nas mãos.

— O que é isso? — Gabriel perguntou, tentando manter o tom frio.

— Informações. Contratos falsos, depósitos, nomes. Tudo que você precisa pra destruir metade do sistema que meu pai construiu.

Gabriel franziu o cenho.

— Por que está me dando isso?

— Porque, de alguma forma doentia, eu ainda acredito que você possa fazer algo diferente. E... porque se tiver que cair, quero que seja pelas suas mãos.

Gabriel ficou em silêncio por um momento, encarando o homem à sua frente. Era o mesmo Enzo de anos atrás? Ou era um estranho que usava o rosto que ele amou?

— Você está me usando?

— Não. — Enzo se aproximou lentamente. — Estou te entregando o que posso. O que consigo. Porque te perder de novo... não é uma opção.

Gabriel pegou a pasta, mas antes que pudesse dizer algo, Enzo segurou sua mão.

— Eu sei que a lei está entre nós. Mas ainda acho que tem algo mais forte do que isso aqui.

O toque foi suave, mas carregado de tensão. Gabriel sentia a respiração dele, o cheiro da pele, o calor que sempre o desarmava.

— Se isso for uma armadilha, Enzo... eu juro que...

— Não é. — Enzo o interrompeu. — Mas mesmo se fosse... você viria assim mesmo, não é?

Gabriel não respondeu. Em vez disso, puxou Enzo pela camisa e o beijou com raiva. Um beijo que misturava desejo e frustração. Eles se agarraram ali mesmo, entre pilhas de caixas abandonadas, como dois homens que sabiam que o tempo era curto demais para arrependimentos.

As mãos de Gabriel exploraram o corpo de Enzo com fome. A camisa rasgada, os botões voando. Enzo gemeu contra sua boca, puxando a calça do policial para baixo com pressa. Os dois se perderam naquele momento, como se o mundo pudesse esperar.

Corpos colados. Línguas dançando num ritmo impaciente. Gritos abafados. E um clímax que explodiu como dinamite entre os dois.

Depois, ofegantes e suados, deitados sobre o chão frio do armazém, Enzo disse, com a voz baixa:

— Você ainda vai ser minha ruína, Gabriel.

Gabriel respondeu, com um sorriso amargo:

— Ou você vai ser a minha.

Mas nenhum dos dois estava preparado para o que viria depois.

Porque enquanto se tocavam com paixão, do lado de fora, alguém observava tudo.

E aquele alguém não tinha planos de deixá-los vivos por muito mais tempo.

___

O Assassino nas Sombras

A noite era fria, mas a tensão no ar era ainda mais gelada. Do alto de um prédio abandonado, um par de olhos cruéis observava cada movimento dentro do armazém.

Luca Moretti apertou os lábios ao ver seu irmão e Gabriel perdidos um no outro. O desejo proibido entre os dois era um veneno que estava contaminando tudo que os Moretti construíram.

Ele pegou o telefone e digitou uma mensagem curta:

"Hora de agir. Ele já foi longe demais."

Segundos depois, uma resposta apareceu na tela:

"Amanhã à noite. O policial não sairá vivo."

Luca guardou o celular no bolso, os olhos ainda fixos na cena abaixo.

— Você escolheu errado, Enzo.

E amanhã você, pagará o preço por isso.

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