Capítulo 10: Armadilhas e Conflitos

Na manhã seguinte, Gabriel acordou com o celular vibrando incessantemente. Ainda estava no hotel reservado pela delegacia para missões disfarçadas. A noite passada ecoava em sua mente como um sussurro perigoso, quente demais para ser esquecido, doloroso demais para ser ignorado.

Ele atendeu.

— Fala, Sofia.

— Você enlouqueceu? — a voz dela era urgente, quase furiosa. — Gabriel, você transou com o alvo da missão? Eu ouvi tudo. Tudo. Microfone, lembra?

Gabriel fechou os olhos e respirou fundo.

— Eu sei. Eu… perdi o controle.

— Perdeu o controle? Gabriel, você estava literalmente enfiado na cama do chefe da máfia! Isso pode acabar com sua carreira. Com a missão. Com você.

Ele se sentou na cama, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Eu não consegui evitar. Você sabe o que ele significa pra mim.

— E o que isso significa agora? Vai proteger o Enzo? Vai deixar ele escapar de novo?

— Não. — a voz saiu firme. — Eu ainda sou policial. E vou cumprir meu dever. Mas, Sofia, isso é mais complicado do que parece.

— Então é bom que você decida de que lado está... antes que seja tarde demais.

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No outro lado da cidade, Enzo caminhava pela varanda de sua mansão enquanto Matteo o seguia com uma expressão carregada.

— Foi um erro, Enzo. Você se deixou levar.

— Eu precisava. — Enzo disse, parando para olhar o horizonte. — Precisava lembrar ele do que éramos. Do que ainda somos.

Matteo bufou.

— E enquanto você revive lembranças na cama, a polícia provavelmente gravou tudo. Você deixou o inimigo entrar no seu território, no seu quarto, no seu corpo.

Enzo o encarou com frieza.

— Cuidado com o tom, Matteo.

— Eu sou seu irmão e amigo. Estou tentando te proteger. O Luca já está desconfiado, e se ele descobrir que você está se envolvendo com um policial, ele vai explodir. Você sabe disso.

— Luca me deve lealdade.

— Luca não confia em ninguém. E quando se sentir traído, nem você vai ser poupado.

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No mesmo dia, na delegacia, Gabriel foi chamado por Ricardo.

— Senta, Costa. Temos um problema.

Gabriel entrou, tentando manter a postura apesar da ansiedade.

— O que houve?

Ricardo jogou um envelope sobre a mesa. Dentro, fotos. Gabriel e Enzo... juntos. De longe, mas nítido o suficiente para comprovar o que estavam fazendo naquela noite.

— Isso foi entregue por alguém da imprensa. Dizem que vão publicar em breve. E querem saber se o policial da missão secreta está se relacionando com o chefe do crime organizado.

Gabriel sentiu o estômago afundar.

— Eu... Eu posso explicar.

— Eu espero que sim. Porque se isso vazar, a missão vai ser encerrada. E você será afastado. Sem chance de retorno.

— Não. Eu preciso de mais tempo. Posso reverter isso. Consigo informações. Ele está começando a confiar em mim...

— Está mesmo? Ou é você que está começando a confiar nele?

Silêncio.

— Você tem três dias, Costa. Três. Se não me der algo concreto contra a máfia Moretti... você tá fora.

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Naquela noite, Gabriel voltou para seu apartamento e encontrou um envelope preso na porta. Sem remetente. Abriu com cautela. Dentro, um bilhete escrito à mão:

"Se quiser respostas, venha sozinho. Amanhã. 22h. O mesmo lugar onde tudo começou."

Era a casa onde ele e Enzo moraram como colegas de quarto, durante a faculdade. Um local carregado de memórias e promessas quebradas.

Gabriel guardou o bilhete e encarou seu reflexo no espelho.

Dever ou desejo?

Justiça ou amor?

Ele tinha três dias para decidir. Mas talvez... já fosse tarde demais.

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