Capítulo 12: Sombras no Comando

A manhã nasceu turva, com nuvens carregadas pairando sobre a cidade, como um prenúncio do caos que se aproximava. Gabriel acordou antes do despertador, o corpo dolorido da noite anterior e a mente fervendo com as revelações de Enzo.

Enquanto se vestia, o nome Matias martelava em sua cabeça. Ele sempre achou o novo analista eficiente demais, calado demais... e agora, talvez, perigoso demais.

No caminho para a delegacia, Gabriel tentava se concentrar. Mas o cheiro de Enzo ainda estava em sua pele, e o toque, ainda gravado em sua memória. Não podia se dar ao luxo de fraquejar. Uma guerra estava prestes a explodir — e ele precisava estar pronto.

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Na delegacia, tudo parecia normal demais. Pessoas indo e vindo, relatórios sendo entregues, conversas paralelas. Mas Gabriel sentia o ar mais denso, como se estivesse sendo observado.

— Dormiu bem? — perguntou Sofia, aparecendo ao seu lado com uma xícara de café.

— Mais ou menos. — ele respondeu, aceitando a bebida. — Precisamos conversar.

Ela o olhou com atenção, reconhecendo o tom grave em sua voz.

— Sala de evidências. Lá ninguém escuta.

Assim que entraram, Gabriel trancou a porta.

— Preciso que você investigue o Matias. Em segredo. Sem deixar rastros.

Sofia franziu o cenho.

— Você sabe o que está pedindo?

— Sei. E confio em você.

— Isso tem a ver com o Enzo, não é?

Gabriel desviou o olhar.

— Descobri algo... grande. Alguém da nossa equipe está vazando informações para uma facção rival da máfia Moretti. E esse alguém pode estar tentando me usar para derrubar Enzo — ou me matar no processo.

— E o nome Matias surgiu.

— Sim. Mas ainda não tenho provas. Só um alerta. Preciso saber quem ele é, de onde veio, com quem fala fora daqui.

Sofia assentiu.

— Tudo bem. Mas, Gabe... toma cuidado. Se isso for verdade, você está em uma teia muito mais perigosa do que imagina.

— Já estou no meio dela.

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Do outro lado da cidade, Enzo observava pela grande janela de sua cobertura. O horizonte da cidade parecia distante demais naquele momento. Matteo entrou no cômodo com passos decididos.

— Você sumiu ontem. Luca surtou. Acha que pode sumir sem dizer onde vai?

— Eu precisava de ar.

— Ar ou Gabriel?

Enzo o encarou, sem esconder a verdade.

— Fui vê-lo, sim.

Matteo suspirou, irritado.

— Ele é policial. Está aqui pra nos derrubar, não pra te salvar.

— Ele é mais que isso. — Enzo respondeu, firme. — E eu descobri algo importante.

— O quê?

— Alguém de dentro da polícia está trabalhando com nossos inimigos. E estão usando Gabriel sem que ele perceba. Ele pode ser útil.

— Ou ele pode te destruir.

— Então eu aposto alto. Sempre apostei.

Matteo bufou e passou a mão pelos cabelos.

— Tudo bem. Mas se esse plano der errado, a gente não vai ter tempo pra sentimentalismo. Luca já está desconfiando de você. E se ele descobrir que você esteve com Gabriel...

— Eu cuido do Luca.

— Você sempre diz isso, Enzo. Mas um dia ele vai se cansar de proteger você de si mesmo.

Enzo não respondeu. Apenas olhou para o horizonte, onde as nuvens negras anunciavam tempestade.

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Enquanto isso, na delegacia, Gabriel saiu da sala de Sofia e cruzou com Matias no corredor. O homem sorriu de leve, o tipo de sorriso educado que escondia segredos.

— Bom dia, Gabriel. Tudo certo com os relatórios?

— Sim. Tudo certo. — respondeu, tentando manter a calma. — E com você?

— Sempre em ordem. — Matias deu um passo adiante e murmurou. — Parece que você anda sumido ultimamente.

Gabriel gelou por dentro, mas manteve a expressão neutra.

— Trabalhos de campo. Você sabe como é.

— Claro. Só espero que esteja... focado. — Matias piscou e seguiu caminho.

Aquela frase soou como um aviso. Ou uma ameaça.

Gabriel foi até sua sala e trancou a porta. Precisava agir rápido.

Abriu um dos arquivos antigos que guardava em seu pen drive — informações não oficiais sobre a máfia rival da Moretti. Talvez, se conseguisse ligar Matias a algum nome conhecido, poderia traçar um elo.

Mas antes que pudesse começar, seu celular vibrou.

Mensagem de número desconhecido:

> “Cuidado com quem você confia. Eles sabem sobre o seu passado com Enzo.”

Gabriel sentiu um frio percorrer a espinha.

Eles estavam vigiando. E sabiam mais do que deviam.

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Na mansão Moretti, Luca andava de um lado para o outro no escritório.

— Ele está amolecendo. — disse, furioso. — Se rende ao policial como se isso não fosse colocar tudo a perder.

— Precisamos esperar. — Matteo tentou argumentar. — Enzo tem um plano.

— Ou está se deixando levar por uma ilusão. Se Gabriel atrapalhar os negócios... eu mesmo me encarrego disso.

Matteo franziu o cenho.

— Você mataria alguém que seu irmão ama?

Luca encarou Matteo com frieza.

— Eu mataria qualquer um que colocasse Enzo em perigo. Mesmo que ele me odiasse por isso.

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O tabuleiro estava montado. Peças sendo movidas em silêncio.

Entre dever e desejo, lealdade e traição, amor e destruição... Gabriel e Enzo estavam no centro da tempestade.

E o jogo apenas começou.

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