Capítulo 7: O Infiltrado nas Sombras

A tensão entre prazer e perigo ainda pairava no ar quando Gabriel deixou o armazém, a pasta de documentos firmemente segura sob o braço. A madrugada estava fria, silenciosa demais, e cada passo seu parecia ecoar como um aviso: ele estava mais fundo do que deveria, e não havia mais volta.

Mal entrou em seu carro, seu celular vibrou. Uma mensagem de Sofia.

“Preciso falar com você. Urgente.”

Ele respondeu com um simples “a caminho” e arrancou com o carro, acelerando pela cidade vazia. Sua mente ainda estava dividida — parte dela processava os dados que Enzo entregou, e outra parte ainda sentia os dedos dele cravados em sua pele, o gosto do beijo, o cheiro do corpo dele misturado com o suor da luxúria.

 

Na base, Sofia o esperava com expressão grave. Assim que ele entrou, ela trancou a porta.

— O que houve? — Gabriel perguntou.

— Eu vasculhei os arquivos da máfia Moretti com as informações que você me passou. E achei algo... bem pior do que esperávamos.

Ela colocou uma série de fotos e documentos na mesa. Gabriel se aproximou, e seu sangue gelou.

— Isso... Isso é um dos nossos. — ele disse, reconhecendo o rosto.

— Sim. Agente Silas Duarte. Está infiltrado na máfia há mais de um ano, ou era o que achávamos. Mas descobri registros de que ele está recebendo depósitos da família Moretti em uma conta nas Ilhas Cayman.

— Você tá dizendo que temos um traidor?

— Um espião duplo. Ele está vendendo informações pra máfia, e provavelmente foi ele quem entregou o nome do informante morto.

Gabriel passou a mão pelo rosto, frustrado. Tudo estava ficando mais perigoso.

— Ele sabe que sou eu quem está dentro? — ele perguntou.

— Ainda não temos certeza. Mas se Enzo confiou em você a ponto de entregar essa pasta, é só uma questão de tempo até esse agente descobrir. E aí, você tá morto.

 

Enquanto isso, na mansão Moretti, Enzo e Matteo analisavam suas próprias suspeitas.

— Alguém está repassando tudo pra polícia, Enzo. — Matteo disse, os olhos fixos em uma tela de computador. — E não estou mais tão certo de que é o Gabriel.

Enzo ergueu uma sobrancelha.

— Mudou de ideia tão rápido?

— Não. Mais descobri algo. — Matteo mostrou uma sequência de mensagens criptografadas interceptadas por seus hackers. — Alguém da polícia está tentando vender sua localização.

Enzo apertou os punhos.

— Eles estão tentando me matar pelas costas?

— E não é só isso. Um nome apareceu nos dados. Silas Duarte.

Enzo se afastou, pensativo.

— Esse rato está jogando para os dois lados... E o Gabriel não sabe.

— Pode ser uma chance. Se você quiser tirá-lo de vez do jogo.

— Ou salvá-lo. — Enzo murmurou.

Matteo bufou.

— Você ainda vai morrer por esse cara.

— Talvez. Mas não hoje.

 

Na base da polícia, Gabriel confrontava o chefe Ricardo.

— Você sabia sobre o agente Silas?

Ricardo cruzou os braços, mantendo a postura firme.

— Desconfiava. Mas não tínhamos provas.

— Agora temos. E precisamos agir. Ele está entregando nossas operações. E se ele descobrir que eu sou o infiltrado...

— Você está envolvido de mais, Gabriel. Muito mais do que deveria. Essa missão já passou dos limites.

— Eu posso resolver isso. Só preciso de mais tempo.

— Ou de sorte. — Ricardo respondeu, seco.

 

Horas depois, enquanto o sol começava a nascer em tons de sangue e ouro, Gabriel estacionou o carro em frente ao seu pequeno apartamento.

Estava exausto. Dividido. E em guerra com ele mesmo.

Ao entrar, se deparou com a surpresa que não esperava.

Enzo, sentado no sofá escuro da sala, um cigarro aceso entre os dedos, o olhar sombrio.

— Como entrou aqui? — Gabriel perguntou, fechando a porta com cuidado.

— Você ainda guarda as chave debaixo do vaso. — Enzo deu um meio sorriso. — Algumas coisas nunca Agora que você é um policial devia ter mais cuidado.

— O que quer?

— Proteger você. — Enzo se levantou. — Há um traidor te caçando. Um dos seus. E eu não vou deixar que ninguém te toque.

— Você está me vigiando?

— Estou te salvando. Mesmo que você me odeie por isso.

Gabriel se aproximou, o olhar afiado.

— Isso não vai acabar bem, Enzo. Um de nós vai cair.

Enzo parou diante dele, a tensão elétrica entre os dois.

— Então que sejamos nós dois... juntos.

Antes que Gabriel pudesse responder, Enzo o empurrou contra a parede e o beijou com força. Um beijo que gritava desespero e desejo. Gabriel retribuiu com igual intensidade, como se aquele momento fosse o último.

As roupas caíram pelo caminho até o quarto. Os toques eram mais brutos, mais necessitados. Mãos ansiosas, gemidos abafados, corpos colados no ritmo frenético de quem sabia que o mundo poderia explodir no dia seguinte.

E quando chegaram ao ápice, deitados entre lençóis amassados e promessas quebradas, Enzo sussurrou no escuro:

— Não importa o que aconteça... Eu vou te proteger. Mesmo de você mesmo.

Gabriel fechou os olhos, tentando não se perder.

Porque amar Enzo era como dançar com dinamite.

E agora, a contagem regressiva havia começado.

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O Inimigo à Espreita

Do lado de fora do apartamento de Gabriel, Silas Duarte observava as luzes apagadas através da mira de seu rifle.

Ele estava ali há horas, esperando o momento certo para agir. Mas então, algo inesperado aconteceu.

Enzo Moretti havia entrado.

Silas apertou os dentes, segurando a vontade de atirar na hora. O mafioso e o policial estavam juntos, próximos demais.

— Interessante… — ele murmurou para si mesmo.

Ele pegou o telefone e discou um número anônimo.

— Temos um problema. O detetive está mais comprometido do que pensávamos.

A voz do outro lado riu.

— Isso é bom. Significa que podemos usá-lo contra o Moretti.

Silas sorriu, os olhos ainda na janela do quarto, onde sombras se moviam entre lençóis.

— Não se preocupe. Logo, ele será nosso. E quando for, tanto Gabriel quanto Enzo vão implorar pela morte.

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