Capítulo 20 – O Medo de Perder
A porta se fechou com um leve estalo, deixando um silêncio pesado no gabinete do duque.
Cédric permaneceu sentado atrás da escrivaninha, os dedos entrelaçados diante do rosto, encarando o vazio. O ar parecia carregado, sufocante. Ele nunca gostou da presença de Selene no castelo, então… por que sentia esse incômodo no peito ao vê-la partir?
"Quero partir."
As palavras dela ecoaram em sua mente.
"Nada me prende aqui."
Elas foram ditas de forma tranquila, sem rancor ou ressentimento. E, ainda assim, foram como um golpe certeiro, atingindo-o de uma maneira que ele não compreendia.
Ela estava desistindo.
E, de alguma forma, isso o irritava.
Ele deveria estar satisfeito. Não queria esse casamento. Não queria Selene. Ela sempre foi uma presença discreta, apagada, alguém que deveria ser fácil de ignorar.
Então… por que sentia que algo estava escapando de suas mãos?
O Incômodo Cresce
Cédric passou o resto do dia inquieto.
Tentou trabalhar, mas os papéis à sua frente pareciam desfocados. Tentou se distrair com reuniões, mas sua mente insistia em retornar para a imagem de Selene.
Ela estava séria quando falou. Determinada.
Ele se lembrou da forma como os olhos dela o encararam – um olhar resignado, como se não esperasse mais nada dele.
E isso o incomodava.
Por quê?
Selene sempre esteve ali. Sempre aceitou sua indiferença, sua frieza, sem nunca exigir nada. Mas agora… ela estava indo embora.
Cédric não entendia por que isso o afetava.
Não era isso que ele queria?
Então por que sentia como se estivesse prestes a perder algo importante?
O Aviso de Claire
No dia seguinte, Claire Valmond entrou sem ser anunciada no escritório do duque.
— Você conseguiu. — disse ela, cruzando os braços.
Cédric, que estava inclinado sobre alguns documentos, ergueu os olhos com irritação.
— Consegui o quê?
Claire sorriu sem humor.
— O que sempre quis. Selene está indo embora.
Ele sentiu um aperto estranho no peito, mas manteve a expressão impassível.
— Ela já está arrumando as malas. Deve estar feliz.
Cédric não respondeu.
Claire se aproximou, apoiando as mãos na mesa dele.
— Selene sempre soube suportar rejeição. Desde criança, ela aprendeu a se contentar com pouco. Mas, pela primeira vez, aceitou que não há mais motivo para ficar.
As palavras dela o irritaram.
— E o que isso tem a ver comigo? — sua voz saiu fria.
Claire arqueou uma sobrancelha.
— Você não percebe? Você não é o único que perdeu algo, Cédric. Selene perdeu a esperança. E, talvez, isso te incomode mais do que quer admitir.
Ela se afastou, e sua última frase veio como um golpe certeiro.
— Ou talvez seja mais fácil continuar vivendo na sombra de uma mulher morta.
Ele cerrou os punhos quando a porta se fechou atrás dela.
As palavras de Claire o irritavam porque… havia verdade nelas.
O Primeiro Passo
Naquela noite, Cédric não conseguiu dormir.
Ele virou de um lado para o outro na cama, encarando o teto, o peito pesado.
Selene estava indo embora.
E ele não queria que ela fosse.
Mas admitir isso significava aceitar que ela era mais importante do que ele estava disposto a reconhecer.
E essa verdade o assustava mais do que qualquer outra coisa.
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