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Capítulo 4 – A Fuga e a Tragédia

A chuva caía forte naquela noite. O vento uivava, sacudindo as janelas do castelo Valmond como se a própria tempestade pressentisse que algo sombrio estava prestes a acontecer.

Selene não conseguia dormir. Desde a noite anterior, quando ouvira a conversa secreta entre Amara e seu amante, seu coração estava pesado com o fardo da verdade.

A duquesa estava planejando algo.

Mas o quê?

Enquanto caminhava silenciosamente pelos corredores, envolta em um manto escuro, Selene sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao perceber uma movimentação estranha no salão inferior.

Lá embaixo, um criado atravessava apressado o mármore polido, carregando uma mala.

Sua respiração ficou presa na garganta.

Era tarde demais.

 

Amara Valmond estava fugindo.

A duquesa, vestida com um manto de viagem escuro, ocultava sua identidade sob o capuz. Seus olhos ardiam de impaciência enquanto esperava na entrada lateral do castelo, protegida das vistas dos criados mais atentos.

O homem que a esperava nas sombras segurava as rédeas de dois cavalos selados.

— Você demorou. — Ele resmungou.

Amara sorriu de lado, deslizando as mãos enluvadas pelo rosto do amante.

— Eu precisava me certificar de que ninguém nos seguiria.

O homem bufou, ajudando-a a subir no cavalo.

— Cédric nunca vai te perdoar.

— Eu nunca precisei do perdão dele. — Ela sorriu, os olhos brilhando.

E então, os dois cavalgaram sob a tempestade.

 

Selene observou tudo do alto da escadaria, o coração apertado.

Ela deveria impedir? Gritar? Alertar os guardas?

Mas não houve tempo para pensar.

Uma porta se abriu com violência, e o som de passos pesados ecoou pelo castelo.

— AMARA!

A voz de Cédric preencheu os corredores como um trovão.

Selene se encolheu ao vê-lo descer as escadas com fúria nos olhos. O duque vestia apenas uma camisa branca entreaberta e calças escuras, o cabelo desalinhado como se tivesse acabado de acordar.

E ele viu.

Seus olhos percorreram o pátio aberto, onde dois vultos a cavalo fugiam pela estrada enlameada.

Um silêncio mortal preencheu o ar.

Selene nunca havia visto um olhar tão devastado como aquele.

Por um instante, pareceu que Cédric não respirava.

Mas então, como um predador que desperta, ele se moveu.

— PREPAREM MEU CAVALO! — O rugido de sua ordem fez os criados tremerem.

Sem esperar resposta, ele mesmo pegou sua espada e saiu pela tempestade.

Selene apertou as mãos, o coração disparado.

Isso não acabaria bem.

 

A estrada estava molhada e traiçoeira. O barulho dos cascos dos cavalos se misturava ao trovão, e cada rajada de vento trazia consigo um frio cortante.

Amara olhou para trás, os olhos cheios de adrenalina.

Cédric estava vindo.

— Ele nos encontrou! — O amante gritou.

— Apenas cavalgue! — Ela ordenou, forçando o cavalo a acelerar.

Mas o destino tinha outros planos.

Um raio cortou o céu, e o brilho ofuscante iluminou um buraco profundo na estrada de terra.

O cavalo de Amara empinou, assustado.

Ela tentou controlar, mas a lama sob as patas fez o animal escorregar.

O grito da duquesa se misturou ao trovão quando seu corpo foi lançado para trás, chocando-se contra o chão com um impacto brutal.

Seu amante puxou as rédeas bruscamente, os olhos arregalados.

Mas o tempo era implacável.

Antes que ele pudesse alcançar Amara, um segundo cavalo se aproximou, e Cédric saltou furioso da sela, espada em punho.

— TRAIDORA!

Seu rugido cortou o ar, mas quando seus olhos pousaram sobre o corpo imóvel de Amara no chão enlameado, algo dentro dele se partiu.

— Amara...?

Ele caiu de joelhos ao lado dela, os dedos trêmulos tocando seu rosto pálido.

Ela ainda respirava.

Mas não por muito tempo.

— Cédric... — A voz de Amara era fraca, um sussurro roubado pelo vento.

O duque segurou-a contra si, ignorando a lama que sujava suas roupas. Seus olhos estavam arregalados, desesperados.

— Fique comigo. Eu ordeno.

Os lábios da mulher se curvaram em um sorriso doloroso.

— Ainda... tão mandão...

Ele apertou a mandíbula, o coração martelando em seu peito.

— Por que fez isso...?

— Eu nunca... te amei...

As palavras foram suaves, mas cortantes.

Cédric sentiu a dor queimar como fogo.

Amara tossiu, e um filete de sangue escorreu de seus lábios.

Seus olhos, antes sempre tão afiados, agora estavam cheios de uma fraqueza desconhecida.

E então, ela murmurou algo que Cédric nunca esperaria ouvir:

— Mas... Selene...Selene sempre te amou

O duque franziu o cenho, confuso.

— O quê...?

Os olhos de Amara se fecharam lentamente.

— Ela... é a única que pode... te amar de verdade...

Seu peito subiu uma última vez... e então, parou.

A duquesa Amara Valmond estava morta.

 

A tempestade continuava, mas Cédric não se moveu.

Ele apenas ficou ali, segurando o corpo sem vida da mulher que um dia pensou amar.

A mulher que o traiu.

E, nas sombras, Selene observava tudo.

Ela nunca vira o duque tão quebrado.

E seu coração, que sempre o amou, doía por ele.

Mas uma certeza crescia dentro dela.

Nada seria como antes.

E Cédric Valmond jamais seria o mesmo.

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Comments

Ana Zélia

Ana Zélia

Tou gostando , uma história interessante

2025-03-17

0

Maria Célia

Maria Célia

simplesmente uau

2025-03-20

0

Ver todos

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