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Capítulo 15 – O Passado de Amara

A manhã chegou silenciosa e fria. A luz pálida do sol mal conseguia atravessar as pesadas cortinas do quarto do duque. Cédric estava acordado há horas, sentado à beira da poltrona de seu escritório, segurando uma taça de vinho intocada.

Não era o tipo de homem que se permitia remoer o passado, mas naquela noite a lembrança de Amara Valmond o assombrava.

O passado que ele julgava conhecer estava desmoronando.

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A Distância Entre Eles

Desde que se casara com Selene, Cédric nunca compartilhara o mesmo leito com ela.

A decisão não fora apenas fruto da frieza que mantinha entre eles, mas sim do peso do passado.

O leito conjugal, que por anos pertencera a ele e Amara, parecia um túmulo. Dormir ali, ao lado de Selene, significaria aceitar que sua esposa já não era a mulher que ele acreditara amar. Significaria encarar a verdade: que Amara nunca o amou, que seu casamento foi uma mentira bem arquitetada, que ele foi apenas uma peça em seu jogo.

Ele não estava pronto para isso.

Por isso, Selene ocupava outro quarto, em uma ala separada da mansão.

Isso deveria ser um alívio, e talvez para ela fosse. Mas, naquela manhã, ao acordar sozinho mais uma vez, o duque percebeu que a presença de Selene era uma sombra constante, preenchendo os espaços que Amara nunca conseguiu preencher.

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O Encontro com o Passado

Quando um criado bateu à porta, trazendo uma carta com um selo que ele conhecia bem, Cédric sentiu um arrepio inesperado.

O documento vinha de um velho investigador particular.

Durante anos, rumores sobre Amara circulavam entre os nobres, mas Cédric sempre se recusara a ouvir. Agora, não havia mais como ignorar.

Com um suspiro pesado, ele abriu a carta e começou a ler.

O conteúdo o atingiu como um golpe certeiro.

Amara Valmond nunca fora fiel a ele.

O casamento, os olhares sedutores, os sorrisos teatrais… tudo foi uma ilusão cuidadosamente construída.

Ela tivera um amante antes mesmo de se casar com ele. E, pior do que isso, continuara a vê-lo em segredo durante todos os anos de seu casamento.

Ela nunca o amou. Nunca.

Os dedos de Cédric apertaram o papel com força, os nós dos dedos esbranquiçados pela tensão.

Amara fugira com esse homem na noite de sua morte. E ele estava com ela quando o acidente aconteceu.

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A Decadência e o Fim

Cédric se levantou, começando a andar pelo escritório como um animal enjaulado.

As palavras na carta ainda dançavam diante de seus olhos.

Após a morte de Amara, o amante dela não suportou a perda.

A sociedade cochichava sobre ele, mas ninguém se importava de fato. Seu nome foi rapidamente apagado dos círculos da nobreza, e os poucos que o conheciam sabiam apenas de um detalhe trágico:

Ele tirou a própria vida poucos dias depois.

Cédric riu, um som frio e sem humor.

Ela o traiu, enganou, manipulou… e no fim, destruiu tudo ao seu redor.

O amante que escolheu sobre ele não suportou viver sem ela.

E Cédric?

Ele suportou.

Ele continuava ali, respirando, governando, existindo. Mas… seria mesmo chamado de vida?

Seu olhar vagou pela mesa, onde, entre papéis espalhados, repousava o contrato de seu casamento com Selene.

Seu novo casamento.

Aquele que ele tratava como uma obrigação.

Aquele que ele usava como barreira contra qualquer coisa que pudesse perturbá-lo novamente.

Por que, então, o rosto de Selene surgia em sua mente?

Por que, então, ele sentia como se tudo estivesse prestes a mudar?

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Comments

Ana Zélia

Ana Zélia

Cedric se imbecil, olhe mais para Sellene

2025-03-17

0

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