Capítulo 14 – Uma Noite de Tormenta
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Visão de Selene
A chuva começou de repente. No início, foi apenas uma brisa fria, uma promessa de tempestade. Mas, em questão de minutos, o céu desabou em trovões e relâmpagos cortando a escuridão. O vento chicoteava as árvores do jardim, e as janelas da mansão tremiam com a fúria da tempestade.
Selene estava sozinha em seus aposentos, observando a chuva martelar a terra do lado de fora. A casa estava silenciosa, exceto pelo barulho da tempestade e do estalar da madeira na lareira.
Ela deveria dormir.
Mas não conseguia.
Aquela noite parecia… diferente. Carregada de algo que ela não conseguia nomear.
Um raio iluminou o céu, e, por um instante, ela viu uma silhueta do lado de fora, perto do jardim. Seu coração saltou.
Cédric.
O que ele fazia ali, debaixo daquela chuva castigante?
Antes que pudesse pensar duas vezes, Selene pegou um manto e saiu apressada de seus aposentos, descendo as escadas em passos apressados.
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Visão de Cédric
A tempestade deveria acalmá-lo.
Ele saiu para o jardim para esfriar a cabeça, para deixar que a fúria do céu lavasse a inquietação que queimava dentro dele. Mas nem mesmo o frio da chuva conseguia apagar o fogo que insistia em crescer em seu peito.
Selene.
Desde o baile, desde que a vira sem os trajes apagados e os véus de modéstia, algo dentro dele se revirava todas as vezes que seus olhos encontravam os dela.
Maldição.
Ele deveria odiar aquela sensação. Deveria ignorar. Mas seu corpo estava traindo sua razão.
Outro trovão ribombou, e, no instante seguinte, Cédric ouviu passos apressados no chão molhado. Ele se virou e…
Lá estava ela.
Selene.
Envolta em um manto escuro, os cabelos umedecidos pelo vento, os olhos arregalados de preocupação.
— O que está fazendo aqui fora? — A voz dela foi levada pelo vento.
Cédric desviou o olhar.
— Não é da sua conta.
— Você vai adoecer.
Ele soltou um riso amargo.
— Está preocupada comigo, duquesa?
Ela franziu o cenho.
— É claro que estou.
Ele encarou-a por um momento, sem saber o que responder. O vento soprava forte, agitando os cabelos dela, e uma mecha molhada grudou na pele pálida de seu rosto. O impulso foi imediato.
Antes que pudesse se impedir, Cédric levantou a mão e afastou a mecha do rosto dela. Seus dedos tocaram sua pele quente, e naquele instante, em meio à tempestade, tudo pareceu parar.
Selene estremeceu sob seu toque. Não de frio, mas de algo mais profundo.
Ele percebeu.
Percebeu como seus olhos o fitavam, como seus lábios entreabriram levemente, como seu corpo parecia atraído para o dele.
E, por um segundo, Cédric quis se render.
Quis beijá-la.
Mas então, como se um raio o atingisse, ele se afastou bruscamente, dando um passo para trás.
— Entre para dentro — ordenou, a voz mais áspera do que pretendia.
Selene piscou, surpresa com a súbita mudança.
— Cédric…
— Agora! — Ele praticamente rosnou.
Ela hesitou por um instante, mas então virou-se e correu de volta para a mansão, deixando-o sozinho na chuva.
Cédric passou a mão pelos cabelos molhados, o coração martelando.
Aquilo nunca deveria ter acontecido.
Ele não podia querer Selene.
Não podia desejá-la daquela forma.
Mas, pela primeira vez, ele não tinha mais certeza se conseguia se impedir.
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Comments
Ana Zélia
A Cedric para de ser Durão
2025-03-17
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