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Capítulo 8 – A Indiferença do Duque

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Visão de Selene

O vento frio da manhã cortava como lâminas finas, fazendo as cortinas do imenso quarto balançarem suavemente. O castelo Valmond era majestoso, com seus longos corredores de pedra e tapeçarias antigas, mas para Selene, aquela fortaleza parecia mais uma prisão.

Ela despertou sozinha.

O espaço vazio ao seu lado na cama era uma prova incontestável do que ela já sabia: Cédric não a queria ali.

A noite anterior havia sido um tormento silencioso. Após a cerimônia fria e o beijo vazio no altar, Selene manteve uma esperança tola de que, ao menos, naquela noite ele lhe daria uma chance. Não esperava amor, nem mesmo afeto. Apenas queria que ele a enxergasse.

Mas ele não o fez.

"Não espere nada de mim esta noite, Selene."

As palavras dele ainda ecoavam em sua mente.

Ela não implorou. Não se humilhou. Apenas o observou sair do quarto sem sequer um olhar para trás.

E agora, ali estava ela, deitada em uma cama que deveria ser compartilhada, mas que permaneceu fria durante toda a noite.

Selene se levantou lentamente, sentindo a seda macia de sua camisola roçar sua pele. Caminhou até o espelho, observando seu próprio reflexo. Seus olhos estavam fundos, os lábios pálidos.

A verdade era dura de encarar: seu casamento não passava de uma farsa.

Mas, por mais que doesse, ela não permitiria que aquilo a destruísse.

Respirou fundo, ergueu o queixo e se preparou para enfrentar o dia.

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O salão de café da manhã estava silencioso quando Selene chegou. As longas janelas permitiam a entrada da luz matinal, iluminando os móveis ricamente talhados e o lustre de cristal que brilhava sobre a mesa.

Cédric já estava ali.

Sentado à cabeceira da mesa, vestia um traje impecável, com seus olhos cinzentos fixos nos papéis que lia. A forma como segurava a xícara de café, distraído, indicava que sequer notara sua presença.

Ou fingia não notar.

Selene se aproximou lentamente e ocupou um assento próximo a ele, mas o duque não ergueu o olhar nem uma única vez.

O silêncio entre eles era quase sufocante.

Selene tentou ignorar o aperto no peito e serviu-se de chá, sentindo a porcelana aquecida em suas mãos frias.

Por longos minutos, ela esperou. Talvez ele dissesse algo. Talvez ele ao menos reconhecesse que agora eram marido e mulher.

Mas ele apenas continuou lendo.

— Bom dia, meu senhor.

Sua voz saiu suave, mas firme.

Cédric moveu os olhos lentamente para ela, mas seu olhar era inexpressivo.

— Bom dia.

E foi só isso.

Sem sorrisos, sem palavras adicionais.

Ele voltou à sua leitura como se ela não estivesse ali.

Selene sentiu o coração apertar, mas manteve a postura. Se ele queria ser indiferente, ela não imploraria por sua atenção.

A porta se abriu, e a presença de outra pessoa chamou a atenção de ambos.

— Ora, que surpresa… Claire D’Archambeau no café da manhã de família.

A voz levemente irônica de Cédric quebrou o silêncio.

Selene se virou e viu sua prima parada na entrada do salão. Claire raramente aparecia no castelo Valmond. Vestia um elegante vestido azul-escuro, e seu olhar perspicaz passeava entre os dois recém-casados.

— Achei que fosse apropriado prestigiar a nova duquesa. — Claire sorriu de lado, mas Selene percebeu algo mais por trás daquele sorriso.

— Tão apropriado quanto o seu silêncio na cerimônia? — Cédric ergueu uma sobrancelha, finalmente desviando o olhar dos papéis.

Claire apenas riu, ignorando a provocação.

Ela se aproximou e ocupou um assento. Pegou um morango da travessa e o levou lentamente aos lábios, como se estivesse avaliando tudo ao seu redor.

— Diga-me, Selene… foi uma noite memorável?

Selene congelou.

O comentário era uma armadilha. Se ela dissesse a verdade, admitiria sua humilhação. Se mentisse, Claire veria através dela.

Mas antes que pudesse responder, Cédric falou primeiro.

— Isso não é da sua conta, Claire.

Seu tom era frio, mas havia algo sutil por trás dele. Uma irritação.

Claire riu baixo.

— Ora, só estou curiosa. Afinal, todos sabem que Cédric ainda ama Amara…

Selene sentiu o estômago revirar.

Cédric não respondeu.

Mas o silêncio dele disse tudo.

Ele ainda acreditava que amava Amara.

Claire percebeu o efeito de suas palavras e sorriu satisfeita.

— Mas claro… Amara se foi. E agora Selene é a duquesa. — Ela tomou um gole de chá, antes de completar. — Espero que tenha consciência do que isso significa.

Selene encarou sua prima, sentindo um peso sobre os ombros.

Ela sabia exatamente o que significava ser a nova duquesa.

Significava viver à sombra de um fantasma.

Significava ser esposa de um homem que não a via.

Significava… solidão.

E Cédric, sentado ali, calado, não fez nada para mudar isso.

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Visão de Cédric

Cédric manteve os olhos fixos no jornal, mas suas mãos estavam levemente tensas ao segurá-lo.

Ele sentia o olhar de Selene sobre ele. Sabia que ela esperava algo, qualquer coisa que a fizesse se sentir menos invisível.

Mas ele não podia dar isso a ela.

Não queria.

A verdade era que, desde que ouvira aquelas palavras de Amara antes de sua morte, algo dentro dele se partiu.

"Eu nunca te amei."

E pior ainda:

"Mas Selene sempre te amou."

Ele não queria aceitar isso.

Não queria acreditar que passou anos amando uma mulher que nunca o amou de volta.

E muito menos queria admitir que Selene… Selene, a doce e discreta Selene…

Ela estava ali, ao seu lado.

Ela sempre esteve.

Mas ele não conseguia olhá-la.

Porque, se olhasse… talvez enxergasse algo que não estava pronto para ver.

E assim, ele escolheu o silêncio.

Escolheu a indiferença.

E Selene, mesmo sem dizer nada, entendeu.

Ele viu quando ela se levantou da mesa com a dignidade intacta, caminhando para longe.

Mas não a impediu.

Não poderia.

Porque, no fundo, tinha medo do que poderia sentir.

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Comments

bete 💗

bete 💗

fraco❤️❤️❤️❤️❤️

2025-03-22

0

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