Capítulo 12 – O Conflito Interno do Duque
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Visão de Cédric
O silêncio de sua biblioteca era a única coisa que lhe trazia alívio. Ou pelo menos deveria.
Desde que retornara do baile, Cédric não conseguia se livrar da sensação incômoda que o perseguia. Sentado em sua poltrona de couro escuro, um copo de conhaque entre os dedos, ele tentava racionalizar o que acontecera naquela noite.
Por que aquilo o incomodava tanto?
Por que, quando Selene dançou com Louis D’Arcy, ele sentiu uma raiva que não fazia sentido?
Por que, quando a tomou nos braços, não foi para cumprir uma obrigação, mas porque precisava?
Por que, diabos, ele ainda sentia o cheiro dela impregnado em sua pele?
Cédric fechou os olhos e passou a mão pelo rosto, frustrado.
Isso não devia estar acontecendo.
Ele amava Amara. Sempre amou. Sempre quis que ela o amasse de volta. E mesmo após sua morte, ela ainda o assombrava.
Mas então… por que ele pensava em Selene?
Por que aquela dança o perturbava tanto?
Ele bebeu um gole do conhaque, mas o gosto amargo não era pior do que a inquietação que sentia.
Selene sempre esteve ali.
Ela sempre olhou para ele com olhos cheios de sentimentos que ele se recusava a reconhecer. Sempre foi obediente, sempre foi discreta.
Mas naquela noite… ela foi tudo menos invisível.
Ela foi luz.
E todos os homens no salão viram isso. Todos notaram o que ele sempre ignorou.
E, pela primeira vez, Cédric percebeu que poderia perdê-la.
Perdê-la?
A ideia o irritou. Ele não queria aquilo. Não queria desejar Selene. Não queria sentir o que sentiu ao vê-la dançar com outro.
Não queria admitir que, quando segurou sua cintura, o mundo pareceu parar por um instante.
Não queria aceitar que, quando a dança terminou, ele não queria soltá-la.
Ele estava enlouquecendo.
Levantou-se de repente, o conhaque derramando um pouco sobre sua mão. Afastou-se da poltrona, sentindo o peito apertado.
A raiva o consumia. Mas ele não sabia se estava irritado consigo mesmo ou com ela.
Selene.
A mulher que sempre esteve ali.
E que, agora, ele não conseguia mais ignorar.
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Visão de Selene
Selene permaneceu sentada na beirada de sua cama por um longo tempo depois de retornar ao quarto.
Seus pés ainda formigavam da dança. Mas não era isso que a deixava acordada.
Era o olhar.
O olhar de Cédric.
Ela o sentiu o tempo todo. Primeiro, enquanto dançava com Louis. Depois, quando ele mesmo a puxou para a pista.
E, acima de tudo, depois que a dança acabou.
Por que ele a olhava daquela forma?
Por que, pela primeira vez, parecia realmente enxergá-la?
Ela pressionou os dedos contra os lábios, lembrando-se da proximidade, do toque quente da mão dele sobre sua cintura.
Foi real? Ou apenas uma ilusão?
Ela sabia que Cédric ainda amava Amara. Sabia que, no fundo, ele não queria estar casado com ela.
Mas… e se houvesse algo além da obrigação?
E se, por um breve momento, ele tivesse sentido o mesmo que ela sentiu?
O coração de Selene acelerou.
Não.
Não crie esperanças, Selene.
Ele nunca a amaria. Nunca a escolheria.
Mesmo que tivesse olhado para ela como nunca olhou antes, isso não significava nada.
Ou significava?
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Comments
Ana Zélia
Que drama desses dois. Espero ansiosa para ele se render a ela e cossumar o casamento
2025-03-17
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