Capítulo 18 – A Dança Proibida
O grande salão da mansão Valmond resplandecia sob a luz dos candelabros dourados, suas chamas tremulantes refletindo nos espelhos ornamentados e no brilho dos vestidos luxuosos que rodopiavam pela pista de dança. O aroma de vinho refinado, perfumes caros e especiarias flutuava pelo ar, envolvendo a noite em uma aura de sofisticação.
Era um baile magnífico, um evento para reafirmar a influência da família Valmond após o escândalo envolvendo Amara. Mas Selene sabia que não passava de um jogo de aparências.
Ela nunca gostara de bailes.
Nunca pertencera àquela sociedade onde sorrisos eram armas e cortesias escondiam punhais. Mas, como duquesa, não poderia mais evitar seu papel.
Selene trajava um vestido azul profundo, quase negro, que abraçava seu corpo de maneira elegante, porém discreta. O tecido reluzia sob a luz, como um céu noturno salpicado de estrelas. Seus cabelos estavam presos em um penteado impecável, com alguns fios soltos emoldurando seu rosto delicado.
Ela sentia os olhares.
Os cochichos.
“A plebeia que se tornou duquesa.”
“Ela não deveria estar aqui.”
“Nunca se comparará a Amara.”
Palavras murmuradas entre taças de champanhe. Olhares de desdém que a varriam dos pés à cabeça. Mas Selene manteve o queixo erguido.
Ela não mostraria fraqueza.
---
O Duque e o Convite Inesperado
Cédric Valmond observava tudo do outro lado do salão, sua expressão severa inalterada. Vestia um traje negro com detalhes prateados, sua presença dominante eclipsando a de qualquer outro homem presente. Ele sempre fora o centro das atenções, mas naquela noite… todos olhavam para Selene.
E aquilo o incomodava mais do que deveria.
Ele ainda tentava entender o que sentia por ela. Algo o puxava para perto, um fio invisível de curiosidade e algo mais profundo que se recusava a admitir.
Foi quando o duque de Lormont, um homem charmoso e notoriamente sedutor, se aproximou de Selene.
— Vossa Graça, concederia-me esta dança? — perguntou Lormont, inclinando-se em uma reverência polida, seu olhar percorrendo Selene com interesse.
Cédric sentiu os dentes se trincarem.
Ele não deveria se importar.
Mas se importava.
Selene hesitou por um instante. Ela sabia que, ao aceitar, chamaria ainda mais atenção para si. Mas, por outro lado… talvez aquela fosse sua chance de provar que não era uma sombra de Amara.
— Será uma honra, senhor. — respondeu, deslizando sua mão sobre a dele.
---
A Dança Proibida
O duque de Lormont guiou Selene para o centro do salão. A orquestra começou a tocar uma valsa envolvente, e logo os dois estavam dançando, girando sob os olhares atentos da nobreza.
Ela não esperava se sentir tão… livre.
O duque era um excelente dançarino, e por um momento, Selene esqueceu os olhares, os sussurros, até mesmo Cédric. Mas a sensação durou pouco.
Porque ele estava observando.
Selene sentiu o peso do olhar do duque Valmond.
Era intenso, sombrio… possessivo.
E então, antes que a música terminasse, Cédric se moveu.
Afastou o duque de Lormont com uma frieza gélida.
— A duquesa dança comigo agora. — declarou, sua voz firme cortando o silêncio.
Lormont recuou, lançando um sorriso sarcástico antes de se afastar.
Os murmúrios começaram.
E então, Selene se viu nos braços de Cédric.
Era a primeira vez que dançavam juntos.
O toque dele era firme, exigente. A proximidade a fez prender a respiração. Os olhos cinzentos estavam cravados nos dela, um oceano de tormenta contida.
— Não deveria ter dançado com ele. — murmurou ele.
— Não sabia que precisava da sua permissão, Vossa Graça. — respondeu Selene, sem desviar o olhar.
O canto dos lábios de Cédric se curvou ligeiramente. Algo sombrio e perigoso brilhava em seu olhar.
— Agora sabe.
O mundo ao redor desapareceu. O salão, os olhares, os cochichos. Tudo se reduziu àquela dança… àquela tensão palpável que crepitava entre eles.
Selene sentiu algo dentro de si se acender. Algo que nunca sentira antes.
E Cédric também.
Mas ele não queria admitir.
Quando a música terminou, os dois ainda estavam próximos demais. Os lábios de Cédric a um fio de distância dos dela.
Ele a soltou abruptamente, como se tivesse tocado fogo.
— Boa noite, duquesa. — disse ele, afastando-se sem olhar para trás.
Selene ficou ali, no meio do salão, sentindo o coração martelar contra o peito.
A dança havia acabado.
Mas o jogo apenas começara.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Comments
Marsane
Oxente, agora não entendi, eles já haviam dançado antes, quando o amigo dele a chamou pra dançar, foi até eles e pediu uma dança; agora diz que era a primeira vez que dançavam…
2025-03-20
2
Edilaine Januário
primeira dança? O casal não haviam dançado em outro baile?
2025-03-21
0